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As 10 finais mais legais da Liga dos Campeões

As finais europeias sempre reservam grandes emoções e grandes surpresas. Entretanto, a história das decisões da Copa dos Campeões e da Liga dos Campeões (denominação dada após a mudança de formato em 1993) nem sempre consistem de jogos emocionantes ou com grande apelo.

Se você não gosta de decisões que terminam em 1 a 0 ou até mesmo empates que culminam em penalidades, não se preocupe. Separamos dez grandes duelos recheados de emoção, muitos gols e algumas reviravoltas, que deveriam ser a cartilha de todo clube que alcança o último estágio da competição que é a mais disputada na Europa.

Do Real Madrid de Di Stéfano até o Barcelona de Messi, conheça alguns dos enredos que marcaram as finalíssimas do torneio mais cobiçado pelos europeus.

1956 – Real Madrid 4×3 Stade de Reims

Uma partida absolutamente maluca marcou a primeira edição da Copa dos Campeões Europeus, em Paris. O Real Madrid de Francisco Gento e Alfredo Di Stéfano venceu por 4 a 3 com muito custo o Stade de Reims de Raymond Kopa e Michel Hidalgo. No Parc des Princes, os dois fizeram um espetáculo e tanto na decisão. Ofensivo desde o início, confronto teve o Reims abrindo 2 a 0, mas não resistiu ao esquadrão madridista do outro lado. Rial foi crucial para a virada dos espanhóis. Foi o primeiro de cinco títulos consecutivos do Real no torneio.

1960 – Real Madrid 7×3 Eintracht Frankfurt

Pela quarta vez, o Real Madrid disputava uma final europeia. Com a mesma base de anos passados, a formação comandada por Miguel Muñoz agora tinha Ferenc Puskas e José Santamaría entre os 11 titulares. Diante de mais de 125 mil pessoas no Hampden Park, em Glasgow, os madridistas ergueram mais uma taça continental, desta vez ante o Eintracht Frankfurt com um placar assustador de 7 a 3. Seguindo a tendência de sair atrás no marcador, o Real teve um segundo tempo devastador e Puskas resolveu a vida dos seus companheiros com três gols. Quando o Frankfurt voltou ao jogo, já era tarde demais.

1962 – Benfica 5×3 Real Madrid

Ora só, lá estava o Real Madrid em sua sexta final da Copa dos Campeões em sete anos. Ausente em 1961 quando viu o Barcelona representar a Espanha na decisão do torneio, Di Stéfano e Puskas conheceram o lado derrotado da equação. Diante do Benfica vencedor no ano anterior, os espanhóis não foram páreo para o entrosamento dos encarnados e perderam por 5 a 3, de virada. Em sua primeira grande prova, Eusébio foi às redes em duas oportunidades dentro do Olímpico de Amsterdã. Cerca de 65 mil pessoas viram uma nova hegemonia ser construída pelo Benfica de Béla Guttmann. Motivado pela conversa nos vestiários, o Benfica retornou ao campo com a faca entre os dentes e conquistou sua segunda Copa dos Campeões. Seria também a última da história do clube, já que Béla Guttmann amaldiçoou os Encarnados logo após retornar à Lisboa para as comemorações.

1967 – Celtic 2×1 Internazionale

A grande Inter de Helenio Herrera falhou o terceiro título em quatro anos. Bicampeã em 1964 e 65, a equipe nerazzurra caiu perante o Celtic copeiro de Jock Stein. Os escoceses conseguiram reverter o domínio dos italianos após um gol de Sandro Mazzola ainda no primeiro tempo. Com calma, os Hoops foram pouco a pouco avançando em campo e com uma marcação impecável e ataques conscientes, executaram uma virada inesquecível no Estádio Nacional de Lisboa com Tommy Gemmell e Stevie Chalmers. Aquele Celtic até hoje é lembrado como os Leões de Lisboa.

1972 – Ajax 2×0 Internazionale

O auge do futebol total do Ajax veio no segundo título (de três consecutivos) europeu diante da Internazionale, no estádio De Kuip em Roterdã. Exercendo um domínio completo e inabalável sobre os italianos, os Godenzonen eram liderados em campo pelo maestro Johann Cruyff, que além de conduzir as jogadas no meio campo, fez os dois gols no segundo tempo e garantiu o título para a sua equipe. Os holandeses viviam uma fase tão iluminada que de 70 a 73 levantaram a taça europeia quatro vezes. Uma com o Feyenoord e três com o Ajax.

1974 – Bayern Munique 1×1 Atlético de Madrid (4×0 no replay)

Nem sempre o Bayern Munique se deu mal em acréscimos nas finais europeias. Em 1974, quando tiveram sua melhor geração em toda a história, os bávaros sofreram para bater o Atlético de Madrid em Heysel, empatando por 1 a 1 e forçando um segundo jogo, dois dias depois. O 0 a 0 no tempo normal levou o primeiro duelo para a prorrogação e nos 30 minutos de bola rolando, saíram dois gols. Luís Aragonés abriu o placar restando cinco minutos para o fim do segundo tempo extra, mas Hans-George Schwarzenbeck deixou tudo igual nos acréscimos. A história não se repetiu no jogo-extra quando o Bayern amassou os colchoneros por 4 a 0, gols de Uli Hoeness e Gerd Müller.

1994 – Milan 4×0 Barcelona

Uma das maiores surras envolvendo gigantes do futebol europeu aconteceu em 1994, no que se imaginava como um jogo equilibradíssimo entre duas equipes fantásticas (e de cultura futebolística bem diferentes). E quem brilhou foi o Milan treinado por Fabio Capello, que deixou a imagem de defensivismo para trás e entrou para destruir o Barcelona, o Dream Team de Romário, Hristo Stoichkov e Ronald Koeman. A lavada de 4 a 0 no Olímpico de Atenas foi um show de Daniele Massaro, Dejan Savicevic e Marcel Desailly, autores dos gols milanistas. Sem ação, o Barcelona comandado por Johann Cruyff nem tinha forças para atacar. Foi o fim de uma era no Camp Nou e o quinto título europeu do Milan.

1997 – Borussia Dortmund 3×1 Juventus

A estreia do Borussia Dortmund em decisões europeias não poderia ser mais gloriosa. Dez anos depois da derrota do Bayern Munique para o Porto em 1987, a Alemanha se viu representada contra uma equipe italiana na edição de 97. E os aurinegros se deram muito bem. Sob a batuta de Ottmar Hitzfeld, o Dortmund de Matthias Sammer, Jürgen Kohler, Stefan Reuter, Lars Ricken e Stephane Chapuisat bateu a fortíssima Juventus por 3 a 1 no Estádio Olímpico de Munique. Karl-Heinz Riedle foi o herói da conquista alemã. Com dois gols, o atacante foi responsável por desmontar a moral da Juventus e só assistiu ao belo lance de Ricken que culminou num golaço por cobertura em Peruzzi.

1999 – Manchester United 2×1 Bayern Munique

Para muitos, a final mais emocionante e a maior reviravolta de todas as finais europeias. O Manchester United de David Beckham, Ryan Giggs, Teddy Sheringham, Andy Cole, Dwight Yorke e Peter Schmeichel superou o Bayern Munique de Lothar Matthäus nos minutos finais de jogo e tornou a angústia pelo apito final em pura desgraça para os alemães. Vencendo por 2 a 1 em dois lances que vieram de escanteios, o United de Sir Alex Ferguson teve em 1999 a sua temporada mais magnífica e com a tríplice coroa. Estava nascendo a lenda do Fergie Time, a tendência dos Red Devils em marcar gols nos acréscimos. Sheringham e Ole Gunnar Solskjaer, num desvio de cabeçada de Sheringham demoliram a defesa bávara em dois lances fortuitos aos 46 e 48 minutos do segundo tempo. Uma baita ducha de água fria na esperança de Matthäus, que acompanhou a derrocada do banco de reservas, substituído nos minutos finais.

2011 – Barcelona 3×1 Manchester United

Ninguém nunca vai esquecer a bola absurda jogada por Lionel Messi e pelo Barcelona diante do Manchester United em Wembley, 2011. Um dos maiores nós táticos que Sir Alex Ferguson já levou em toda a sua longeva carreira foi dado por Pep Guardiola e seu exército que não soltava a bola nem se fosse obrigado. No placar, 3 a 1 com gols de Pedro, Messi e David Villa. O goleirão holandês Edwin van der Sar não teve sorte no dia de sua despedida do futebol e saiu derrotado de campo.

Faixa bônus: Liverpool 3×3 Milan (3×2 nos pênaltis)

Inicialmente não iríamos colocar essa final no post, até porque em qualquer lista que cite os grandes confrontos em decisões europeias ela estaria presente. Levando em conta o apelo popular, a democracia e a opinião do leitor, derrubando até a teimosia de quem escreveu o post, é justo que Liverpool x Milan também fiquem em foco entre as 10 (agora 11) finais mais legais.

A cidade de Istambul recebeu uma das maiores reviravoltas da história do futebol. O exagero se faz necessário quando relembramos que o Milan praticamente garantiu a sua vitória ao fazer 3 a 0 no primeiro tempo. As lendas de vestiário dão conta de que o clima era de já ganhou, festa, vamos entrar no segundo tempo com tranquilidade, coisa e tal. Pois é, o Liverpool resgatou a sua grandeza dos anos 1980 e tratou de empatar em 15 minutos. Levando para os penais, deram um pouco de sorte e a disputa consagrou Jerzy Dudek, que imitou Bruce Grobelaar em 1984 e fez as “pernas de espaguete” para desconcentrar os batedores milanistas. Vitória inglesa nas penalidades máximas por 3 a 2.

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Felipe Portes

Felipe Portes é editor-chefe da Revista Relvado, zagueiro ocasional, ex-jornalista, cruyffista irremediável e desenhista em Instagram.com/draw.portes

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