EuropaLiga Europa

Benfica ganha o título de clube mais amaldiçoado do mundo

Béla Guttmann foi um dos maiores treinadores que o futebol já viu, além de ser um dos mais icônicos. Técnico de clubes como Benfica, Honvéd, Milan, Porto, São Paulo, Peñarol, entre outros, o húngaro é protagonista de uma das histórias mais interessantes do esporte. Tudo isso no que concerne o jogo de bola e o sobrenatural.

Ele já era um técnico renomado internacionalmente, com outras passagens bem sucedidas por grandes europeus. Sua chegada ao Benfica em 1960, reservava grandes feitos pela equipe lisboeta. E assim foi com auxílio do gênio Eusébio e de seus companheiros Coluna, Calado e Saraiva.

Bicampeão europeu em 1961 e 62, a equipe do ganancioso húngaro havia se tornado um dos grandes esquadrões de todos os tempos. Na ocasião, o bicho pela conquista foi muito maior para Béla do que para todo o restante do elenco benfiquista.Atropelando Barcelona e Real Madrid em finais continentais, Guttmann queria mais.

No momento em que desembarcou em Lisboa, foi recebido por autoridades locais e envolto num clima de festa, chegou no ouvido do presidente do Benfica, Antonio Carlos Cabral Fezas Vital e pediu novo aumento. A requisição caiu como uma bomba para o dirigente, que de imediato recusou, para futuro lamento de toda uma nação torcedora dos Águias.

Guttmann posa com as últimas duas taças europeias do Benfica, na década de 1960
Guttmann posa com as últimas duas taças europeias do Benfica, na década de 1960

A partir deste momento, todo o futuro da agremiação lisboeta seria alterado. Uma sentença que é relembrada até hoje em sua forma literal, causa calafrios em quem vive a paixão benfiquista no dia-a-dia. Béla se demitiu imediatamente e teria dito após a recusa que “Nenhuma outra equipe portuguesa será bicampeã europeia e o Benfica sem mim jamais ganhará uma Copa dos Campeões nos próximos 100 anos”. O blefe soou como birra do húngaro, mas ganhou contornos de maldição conforme o tempo passava.

36 anos depois, lá estava o Benfica em uma nova decisão continental. O adversário era o PSV de Ronald Koeman, Wim Kieft, Eric Gerets e Gerald Vanenburg. O empate no tempo normal levou o duelo às penalidades, vencidas pelos holandeses, 6 a 5. Veloso desperdiçou sua cobrança e os rapazes de Eindhoven se sagraram campeões da Europa em 1988.O sofrimento não acabava ali.

Para a finalíssima da Copa dos Campeões de 1990, diante do Milan, Eusébio tentou aliviar o mau agouro e visitou o túmulo de Béla, falecido nove anos antes. O grande ídolo encarnado chorou sob os restos mortais do seu ex-técnico e pediu que de alguma forma, a alma do comandante retirasse os dizeres de 1962.

Rolou a bola no Praeterstadion (atual Ernst Happel), e o Milan levou o caneco por 1 a 0, gol de Rijkaard, aos 68. Não era uma tarefa qualquer bater aquele super time de Arrigo Sacchi, sobretudo com a lembrança de Guttmann para assombrar as chances benfiquistas de voltar ao topo.

Uma semana e outra maldição: a dos acréscimos

Em 2013, uma semana em específico tirou o sono dos benfiquistas. Ao ser derrotado nos acréscimos pelo Porto no Estádio do Dragão, no sábado, o Benfica praticamente deu adeus às chances do título português.

Quatro dias depois, diante do Chelsea, na decisão da Liga Europa, outra maldição tomou conta do Estádio da Luz: a de levar gols cruciais depois dos 45 minutos. Empatando em 1 a 1, o Chelsea conseguiu a virada com um gol de Ivanovic aos 47 do segundo tempo, conquistando o campeonato.

Está para ser fundado outro clube que tenha tanta aptidão para ser amaldiçoado como o Benfica…

Mostrar mais

Felipe Portes

Felipe Portes é editor-chefe da Revista Relvado, zagueiro ocasional, ex-jornalista, cruyffista irremediável e desenhista em Instagram.com/draw.portes

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo