Antes da Champions, outros dez jogadores marcaram cinco vezes em uma partida na Copa dos Campeões
Lionel Messi, Luiz Adriano e agora Erling Haaland não estão sozinhos em toda a história da principal competição europeia de clubes
Pep Guardiola foi inimigo da história: provavelmente tinha seus motivos, mas tirou Erling Haaland de campo no momento em que ele tinha chances enormes de bater o recorde de gols em uma única partida de Champions League. E não apenas de Champions League. O principal torneio europeu de clubes foi reformulado em 1992, mas tem um legado enorme desde que começou em 1955 como Copa dos Campeões da Europa. E nessa fase anterior, dez jogadores conseguiram atingir a mesma marca.
Quase sempre nas primeiras rodadas, quando o desequilíbrio era gigantesco. Equipes poderosas como o Milan, o Ferencváros e o Anderlecht enfrentavam campeões de Luxemburgo ou da Islândia e as goleadas chegavam a números até grotescos. O time mais poderoso que sofreu cinco gols de um mesmo jogador naquele período foi provavelmente o Malmö, da Suécia, vitimado pelo búlgaro Nikola Kotkov, do Lokomotiv Sofia.
A lista tem alguns jogadores menos conhecidos e outros lendários, como José Altafini, Florián Albert e Gerd Müller – que sempre é citado em qualquer recorde de gols que nós conseguimos pensar.
Owe Ohlsson (Göteborg) no 6 x 1 contra o Linfield, fase preliminar 1959/60
O pioneiro. E um vice-campeão mundial pela seleção sueca. Owe Ohlsson passou a maior parte da sua carreira no Göteborg, pelo qual conquistou o título nacional em 1957/58. Quando aquela temporada terminou, não dá para dizer que ele viajou, porque a Copa foi na Suécia, então ele ficou para assistir à sua seleção chegar à final contra o Brasil do banco de reservas – não jogou nenhuma partida. Na fase preliminar da Copa dos Campeões de 1959/60, o Göteborg começou perdendo fora de casa para o Linfield, da Irlanda do Norte, por 2 a 1. Em casa, porém, Ohlsson marcou cinco vezes e liderou a vitória por 6 a 1 que colocou os suecos na próxima fase. Aquela campanha do Göteborg terminou na primeira rodada contra o Sparta Roterdã.
Bent Løfqvist (Boldklubben 1913) no 9 x 2 contra o Spora, fase preliminar 1961/62
Também na fase preliminar, o Spora, de Luxemburgo, foi a vítima do dinamarquês Boldklubben 1913. Bent Løfqvist já havia feito dois no jogo de ida, fora de casa, vencido por 6 a 0, e soltou cinco no 9 a 2 da volta, em Odense. A campanha chegou a um fim desastroso, e previsível, na fase seguinte, contra o Real Madrid de Alfredo Di Stéfano e Ferenc Puskás – 3 a 0 e 9 a 0. Løfqvist acabou sendo um dos artilheiros daquela edição e ganhou uma transferência para o Metz, da França. Terminou carreira com o OB, outro clube dinamarquês de Odense.
José Altafini (Milan), no 8 x 0 contra o Union Luxembourg, fase preliminar 1962/63

Coitados dos campeões de Luxemburgo que corriam o risco de encarar um clube do tamanho do Milan logo de cara. Evidentemente, os italianos passaram por cima, sem a menor dó, começando com um 8 a 0 no San Siro, quando José Altafini, o Mazzola, fez os seus cinco gols. E na volta, para não deixar dúvidas, anotou também um hat-trick. Aquela foi uma campanha importante para o brasileiro, que deixou três nas quartas de final contra o Galatasaray e garantiu o título na final contra o Benfica, com mais dois.
Ray Crawford (Ipswich) no 10 x 0 contra o Floriana, fase preliminar 1962/63
Formado pelo Portsmouth, Ray Crawford havia ajudado o Ipswich, de Alf Ramsey, a conquistar a segunda divisão fazendo uma dupla mortal com Ted Phillips. Crawford marcou 40 vezes, e Phillips, 30. No ano seguinte, dividiu a artilharia da primeira divisão com Derek Kevan, do West Brom. Seus 33 gols ajudaram o Ipswich a conquistar o Campeonato Inglês. A jornada na Copa dos Campeões começou contra o Floriana, de Malta. Crawford e Phillips dividiram as honras no 4 a 1 do jogo de ida. A volta no Portman Road foi 10 a 0, com cinco gols de Crawford. O Ipswich perderia na rodada seguinte, para o Milan – que terminaria o torneio como campeão.
Nikola Kotkov (Lokomotiv Sofia) no 8 x 3 contra o Malmö, fase preliminar 1964/65
O duelo mais equilibrado dessa sequência – o que não quer dizer muita coisa. O Malmö até ganhou a volta por 2 a 0, depois de levar um pesado 8 a 3 na ida do campeão búlgaro. Nikola Kotkov, autor de cinco daqueles oito gols, passou quase toda a sua carreira no Lokomotiv Sofia e foi eleito o melhor jogador búlgaro no ano do título nacional de 1963/64. Não conseguiu fazer mais barulho naquela Copa dos Campeões porque o Lokomotiv perdeu para o Vassas, da Hungria, na fase seguinte. Pelo menos, manteve a boa forma por tempo suficiente para ser convocado para a Copa do Mundo de 1966. Enfrentou os húngaros na terceira rodada da fase de grupos.
Flórián Albert (Ferencváros), no 9 x 1 contra o Keflavík, fase preliminar 1965/66
Foi um jogador histórico do Ferencváros que ganhou a Bola de Ouro da revista France Football em 1967, superando nomes como Bobby Charlton, Franz Beckenbauer e Gerd Müller. Florián Albert também ajudou o seu clube a conquistar a Taça das Cidades com Feiras contra a Juventus, o primeiro título continental do Leste Europeu. A vítima da sua marca na Copa dos Campeões foi o Keflavík, da Islândia. A diferença de nível era mesmo monumental porque o Ferencváros passou com 13 a 2 no agregado. Os cinco gols de Albert saíram no jogo de volta, em Budapeste, vencido por 9 a 1.
Paul van Himst (Anderlecht), no 10 x 1 contra o Haka, primeira rodada 1966/67

Uma lenda do Anderlecht e do futebol belga. Emendou títulos da liga nacional nos anos sessenta e no começo da década seguinte, chegou a uma final da Taça das Cidades com Feiras, sendo o artilheiro da competição, e ajudou a Bélgica a ser terceira colocada da Eurocopa em 1972. Depois, como técnico, conquistaria a Copa da Uefa, também com o Anderlecht, e foi o comandante belga na Copa do Mundo de 1994. Preliminares de verdade foram inseridas na temporada 1966/67 para filtrar os participantes, então os cinco gols de Van Himst saíram na primeira fase, contra o Haka, da Finlândia. O Anderlecht logo de cara passeou vencendo por 10 a 1 como visitante e depois apenas confirmou a vaga.
Gerd Müller (Bayern Munich), no 9 x 0 contra o Omonia, segunda rodada 1972/73
Talvez você já tenha ouvido falar desse: um dos maiores centroavantes de todos os tempos. E finalmente não foi logo no primeiro confronto. O Bayern de Munique, prestes a dominar a competição, despachou o Galatasaray na primeira fase e acabou cruzando com o Omonia do Chipre na segunda. Os cipriotas haviam passado pelo Waterford United, da Irlanda, mas não seguraram o gigante da Bavária: 9 a 0 em Munique, com cinco gols de Gerd Müller, encaminhou a classificação por 13 a 0 no placar agregado. O Bayern seria derrotado nas quartas de final pelo Ajax, que encerrava o seu próprio tricampeonato.
Claudio Sulser (Grasshoppers), no 8 x 0 contra o Valletta, primeira rodada 1978/79
Teve uma longa carreira pelo Grasshoppers, com múltiplos títulos do Campeonato Suíço entre as décadas de setenta e oitenta. Foi duas vezes artilheiro da liga nacional e somou 50 partidas pela seleção. O Grasshoppers fez barulho naquela Copa dos Campeões: eliminou o Real Madrid nas oitavas de final. Antes, passaram pelo Valetta, de Malta, com goleadas por 8 a 0 e 5 a 0. Sulser marcou cinco vezes no jogo de ida, em Zurique.
Søren Lerby (Ajax), no 10 x 0 contra o Omonia, segunda rodada 1979/80

O nome mais curioso da lista. Søren Lerby era um grande jogador, mas conhecido mais pela sua capacidade física e pela maneira como intimidava os adversários (e por jogar de meias arriadas e sem caneleiras) do que por ser um goleador. Uma das engrenagens da Dinamáquina dos anos oitenta, chegou ao Ajax ainda adolescente e, em 1983, foi escolhido para substituir Paul Breitner no Bayern de Munique. Foi artilheiro da Copa dos Campeões naquela temporada, com dez gols, cinco deles contra o Omonia, nas oitavas de final. O Ajax passou pelo Estrasburgo e parou apenas no Nottingham Forest, na semifinal. Foi de Lerby o gol da vitória por 1 a 0 contra os ingleses no jogo de volta, em Amsterdã, insuficiente para levar o clube holandês à decisão contra o Hamburgo.
Faixa bônus
Já na fase Champions League, há outros dois jogadores que conseguiram marcar cinco vezes em uma única partida, mas nas fases preliminares, antes dos grupos. O lituano Mihails Miholaps foi um deles, em julho de 1999, na sapatada do Skonto por 8 a 0 sobre o Jeunesse Esch, de Luxemburgo. Mais recentemente, David Lafata, que defendeu a seleção tcheca 41 vezes, atingiu a marca em um 7 a 0 sobre o Levadia Tallinn, da Estônia, em 2014.



