Europa

“Acordamos com o barulho das explosões”, diz técnico do Shakthar Donetsk

Roberto de Zerbi foi alertado pela embaixada italiana a deixar o país, mas não queria abandonar o seu time

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, anunciou na madrugada desta quinta-feira a invasão à Ucrânia que vinha sendo ameaçada há semanas. O ataque partiu do leste, do sul e também ao norte, pela fronteira de Belarus, próximo à capital Kiev, onde se ouve o barulho de bombas, como relatou o técnico do Shakhtar Donetsk, Roberto de Zerbi.

Clube do leste da Ucrânia, o Shakthar não atua em Donetsk desde 2014, quando começou o conflito com a Rússia. Ao lado do Dínamo Kiev, os jogadores e comissão técnica estão abrigados em um hotel na capital italiana, de onde enviaram um apelo por ajuda para deixar o país, com os aeroportos fechados, falta de combustível e filas enormes de pessoas tentando fugir pelo oeste, na fronteira com a Polônia.

De Zerbi disse que foi alertado pela embaixada da Itália a ir embora, mas que, “como homem do esporte”, não poderia abandonar o seu time. Ele comandava a preparação para a retomada do Campeonato Ucraniano após a pausa de inverno, no próximo sábado, contra o Metalist, de Kharkiv, outra cidade sob bombardeio no leste do país. Mas agora a liga nacional foi paralisada por 30 dias.

“Estou no meu quarto, é um dia horrível”, disse, em entrevista à Gazzeta dello Sport. “Esperei até que a federação suspendesse o campeonato. Não me mexi porque estou aqui para fazer esporte e não poderia dar as costas ao campeonato, aos torcedores. Tenho 13 brasileiros, minha equipe… poderíamos ter ido para casa pelo menos até quando houvesse segurança: não, esperamos, e esta noite acordamos com as explosões”.

“Não queremos ser heróis porque heróis não existem, mas nosso trabalho nos coloca diante de responsabilidades. No sábado, teria que jogar uma partida e, por isso, repito, não pude fugir. É difícil explicar isso aos nossos entes queridos, aos que nos amam, às crianças que nos mandam mensagens nos dizendo para voltar”, disse.

“Esta manhã, suspenderam o campeonato e agora nossa presença é supérflua. Neste momento, confiamos que a embaixada e o Governo vão nos ajudar a voltar. Estou confiante. Se pudesse voltar atrás, faria a mesma escolha”, completou.

A Rússia invadiu a Ucrânia por terra, ar e mar, após semanas de ameaças e negociações diplomáticas. Putin diz que ordenou uma operação militar para proteger o povo ucraniano e cidadãos russos que moram no país de um “genocídio” pelo governo de Kiev, buscando a “desmilitarização e a desnazificação”. Durante as conversas para interromper o conflito, uma das demandas do líder russo era um compromisso da Otan, aliança militar de potências ocidentais, de nunca admitir a Ucrânia.

O chanceler alemão Olaf Scholz chamou as acusações de genocídio de “ridículas” e esteve entre líderes ocidentais, que condenaram o ataque russo. O presidente norte-americano Joe Biden se reunirá com os líderes do G7 (Alemanha, Canadá, França, Itália, Japão e Reino Unido, além dos Estados Unidos), para discutir sanções severas contra a Rússia. Putin disse que haverá “uma resposta imediata da Rússia com consequências nunca antes vistas” contra quem tentar interferir no conflito.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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