Estados UnidosFutebol feminino

EA Sports tira 13 jogadoras do Fifa 16 para não violar regras do esporte universitário dos EUA

O Fifa 16 será lançado na próxima terça-feira com uma novidade que o torna histórico: pela primeira vez na história da franquia, as craques do futebol feminino estarão disponíveis. A EA Sports licenciou os direitos de 12 seleções nacionais com as melhores jogadoras do mundo, mas o jogo irá às prateleiras sem 13 atletas (seis mexicanas, seis canadenses e uma espanhola). Por precaução.

LEIA MAIS: Seleções femininas e times do Brasileirão são incluídos no Fifa 16

O que acontece é que essas 13 jogadoras colocariam em risco as suas carreiras no futebol universitário dos Estados Unidos. As regras da NCAA (Nacional Collegiate Athletic Association), entidade que organiza o esporte nas faculdades do líder do mundo livre, proíbem que os atletas recebam dinheiro para praticar esporte e avisou que a presença delas no Fifa 16 caracterizaria compensação financeira. Elas, portanto, não poderiam mais defender suas universidades.

A EA Sports rebateu alegando que firmou acordo de licenciamento com as federações nacionais, e não individualmente com cada atleta, mas as retirou do game para não complicar a vida delas. “Acreditamos que essa decisão nega a essas 13 atletas a oportunidade de representar seus países no jogo, mas nós as removemos do Fifa 16 para garantir que não haja risco de que elas sejam proibidas de jogar”, disse.

A remuneração aos atletas universitários é um debate quente no esporte americano, pois a NCAA teve um faturamento de quase US$ 1 bilhão em 2014 e nem um níquel foi embolsado diretamente pelos jogadores. A entidade alega que eles são compensados com bolsas de estudo que cobrem mensalidades na casa dos milhares de dólares, e que adota essa norma para garantir que os estudos venham em primeiro lugar em relação ao esporte.

Em 2009, o ex-jogador de basquete de UCLA, Ed O’Bannon, entrou com um processo contra a NCAA ao descobrir que um jogador com suas características físicas e técnicas aparecia no jogo de basquete universitário da EA Sports, sem que ele tivesse fechado qualquer acordo para o uso da sua imagem. O’Bannon representou atletas em atividade e aposentados do seu esporte, mas também do futebol americano. A Justiça lhe deu ganho de causa, e um acordo fez com que a NCAA precisasse pagar US$ 4 mil para cada jogador que apareceu nos jogos da EA Sports desde 2003.

A empresa parou de mexer com futebol e basquete universitário depois desse caso, para evitar problemas, e de repente um completamente diferente apareceu na sua frente. Escaldada, preferiu preservar as atletas universitárias e retirar as 13 atletas do jogo. Duas delas, aliás, têm 17 anos e nem  entraram na faculdade ainda.

Kadeisha Buchanan (Canadá), Jessie Fleming (Canadá), Ashley Lawrence (Canadá), Janine Beckie (Canadá), Rebecca Quin (Canadá), Sura Yekka (Canadá), Celia Jiménez (Espanha), Tanya Samarzich (México), Greta Espinoza (México), Christina Murillo (México), Amanda Pérez (México), Emily Alvarado (México), Maria Sánchez (México) são os nomes que você não verá na próxima edição do Fifa.

 

Mostrar mais

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo