‘Uma desgraça’: Reforma do futebol feminino promovida pela FA gera revolta na Inglaterra
Proposta prevê entrada de equipes de base da elite na terceira divisão e reacende debate sobre “times B”
A tentativa da Federação Inglesa de Futebol (FA) de reformular a Women’s National League, o campeonato feminino da entidade, voltou a gerar forte repercussão no futebol feminino inglês. A principal proposta, incluir equipes de base da WNL na terceira divisão a partir de 2027, foi recebida com críticas contundentes por parte de clubes, treinadores e torcedores.
A ideia, vista por muitos como uma reedição do conceito de “times B”, reacende um debate que já havia sido rejeitado anteriormente. Em 2024, um plano semelhante acabou abandonado após não atingir apoio suficiente entre os clubes consultados.
Rejeição ao modelo e críticas no futebol feminino na Inglaterra
Entre os críticos mais vocais está Daniel McNamara, técnico do Wolves Women, que classificou as novas propostas como “estranhas”, em entrevista ao jornal inglês “Guardian”.
Já Lee Burch, do Rugby Borough, apontou problemas práticos e estruturais:
“As melhores jogadoras dessas academias ainda serão emprestadas. O risco de lesão para jovens atletas também será alto.”
/https%3A%2F%2Fmedia.trivela.com.br%2Fmain%2F2026%2F04%2Fchloe-kelly-scaled.jpg)
A crítica central gira em torno da efetividade do modelo. Para muitos, a inserção de equipes sub-21 ou de base não replicaria o ambiente competitivo real enfrentado por clubes tradicionais das divisões inferiores.
Keehlan Panayiotou, assistente do Gwalia United, reforçou esse ponto:
“Times sub-21 na pirâmide não oferecem o ambiente de ‘time principal’. O sistema de empréstimos já existe e poderia ser melhor utilizado.”
- - ↓ Continua após o recado ↓ - -
Torcedores e dirigentes se posicionam contra e a favor à FA
A resistência não se limita ao campo técnico. Representantes de torcidas também demonstraram insatisfação com a proposta da FA. Ian Chiverton, ligado ao Portsmouth, classificou o plano como uma “ideia horrível”, sugerindo que a entidade estaria favorecendo interesses dos clubes da elite.
Na mesma linha, Danny Taylor, do Mancunian Unity, foi ainda mais direto: “Uma vergonha absoluta.”
Apesar das críticas, o projeto não é unanimemente rejeitado. Dentro de clubes da elite, a proposta encontra respaldo, especialmente pela possibilidade de desenvolvimento mais estruturado para jovens atletas.
David Pipe, ligado ao sub-21 do Arsenal Women, demonstrou otimismo: “Ideia brilhante, em princípio. Espero que a execução acompanhe.”
One week to go until our #Lionesses face Spain 🔜
Get your ticket and join us at @WembleyStadium next Tuesday! 🏟️
— Lionesses (@Lionesses) April 7, 2026
Esse apoio reflete um interesse crescente dos clubes da WSL em criar caminhos mais controlados para o desenvolvimento de talentos, sem depender exclusivamente de empréstimos.
Mudanças estruturais e próximos passos
Além da inclusão das equipes de base, o plano da FA prevê outras alterações na estrutura da liga, como a divisão da temporada em fases, modelo semelhante ao utilizado no futebol escocês, e um pacote de investimentos estimado em cerca de 1 milhão de libras.
Também estão previstas melhorias no suporte médico, jurídico e no sistema de empréstimos, indicando uma tentativa mais ampla de profissionalização da pirâmide.
Em nota oficial, a entidade reforçou seu objetivo: “Queremos garantir que a estrutura do futebol feminino continue crescendo de forma sustentável, com mais qualidade e competitividade.”