O que esperar da Coreia do Sul, adversária da Seleção feminina na Fifa Series?
Taeguk Ladies vem de uma campanha positiva na Copa Asiática e já garantiu vaga na Copa do Mundo de 2027
Brasil e Coreia do Sul se enfrentam neste sábado (11), às 22h30 (horário de Brasília), na partida de estreia da Fifa Series, na Arena Pantanal. As equipes voltam a se encontrar após 11 anos, quando disputaram a partida de estreia na Copa do Mundo feminina do Canadá em 2015.
Desde aquela vitória da seleção brasileira por 2 a 0 muita coisa mudou para as equipes. No reencontro de 2026, no entanto, há um fator em comum: ambas as nações estão classificadas para o Mundial de 2027, que será realizado no Brasil.
No entanto, as trajetórias entre as equipes foram um pouco mais distintas. Com a vaga já carimbada para o torneio por ser país sede, a seleção brasileira tem se aproveitado dos amistosos para realizar os principais testes e consolidar a sua identidade.
Já a Coreia do Sul garantiu pela quarta vez consecutiva a presença no torneio ao golear o Uzbequistão por 6 a 0. Com um elenco que mistura veteranas e novatas, as Taeguk Ladies terminaram a primeira fase na liderança do Grupo A de forma invicta, depois de um empate em 3 a 3 com as australianas.
Mas para além dos placares, a equipe nacional saiu com uma resposta importante de que não depende exclusivamente da lendária Ji So-yun. Aliás, foi uma competição com boas atuações por parte da nova geração, que contou com Jeon Yu-gyeong, Casey Phair, Park Soo-jeong, Kim Shin-ji entre as destaques.
Apesar da eliminação na semifinal para o Japão –vencedor da Copa Asiática –, o que sai como lição é uma seleção mostrando que pode evoluir diante de um planejamento bem estruturado, e o confronto contra o Brasil já pode ser mais um passo.
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Coreia do Sul ainda luta por melhorias no futebol feminino
Apesar dos bons resultados em campo durante o torneio, a Coreia do Sul vive um processo mais intenso na luta por melhorias do futebol feminino no país. Ainda em 2025, antes do início da Copa Asiática, as Taeguk Ladies enviaram uma carta confidencial à Associação Coreana de Futebol (KFA), por meio da Associação Coreana de Jogadores Profissionais de Futebol (KPFA).
A KPFA informou que o documento descrevia preocupações antigas como locais de treinamento inconsistentes, acomodações inadequadas longe do estádio, viagens de longa distância em ônibus comuns, acesso limitado a suporte médico e de recuperação, escassez recorrente de equipamentos e a ausência de uma base de treinamento dedicada.
A entidade que representa as atletas reforçou que a carta tinha como objetivo “solicitar um diálogo estruturado sobre os padrões mínimos de condições de trabalho para as jogadoras da seleção – incluindo ambientes de treinamento, viagens, recuperação, suporte médico, cronograma e equipamentos”.
Ainda de acordo com a Associação Coreana de Jogadores, a carta também mencionava a possibilidade de ação coletiva – incluindo a suspensão dos treinos – como último recurso, e somente se nenhuma resposta oficial fosse fornecida até 17 de outubro de 2025.
Na data prevista, a KFA respondeu, afirmando que “muitas das questões levantadas já estavam em discussão e análise interna”. Contudo, a tensão se instalou depois que partes do documento foram divulgadas sem o consentimento dos jogadores ou da KPFA, no que teria sido alegado um possível “boicote”.
Em nota, a FIFPRO saiu em defesa das jogadoras e pediu a retomada das negociações buscando “um diálogo aberto, estruturado e respeitoso. Este momento não deve ser definido por desentendimentos ou manchetes enganosas”.
— As reportagens subsequentes focaram quase exclusivamente em um hipotético “boicote” e deturparam as preocupações dos jogadores – incluindo alegações falsas de que eles estariam exigindo privilégios especiais ou comparações com a seleção masculina. A narrativa recente da mídia causou angústia às jogadoras, cujo único objetivo era expressar preocupações legítimas de forma construtiva –, reforçou o comunicado.