Espanha

R$ 2 bilhões em reforços será suficiente para Atlético de Madrid sair de sina recente?

Clube colchonero investiu mais que os rivais Real Madrid e Barcelona em um ano, mas a tendência ainda é ficar à sombra da dupla

O Atlético de Madrid tem feito outra janela de transferências agitada na Europa. Com a chegada de Giacomo Raspadori, o clube investiu cerca de 175 milhões de euros (R$ 1,1 bilhão) em sete novas contratações para 2025/26. Se somar com os seis reforços da temporada passada, os Colchoneros gastaram 405 milhões de euros (R$ 2,5 bilhões) em apenas um ano.

Os novos contratados, junto dos atletas que chegaram para 24/25, fortalecem setores que o Atleti precisava e confirmam uma necessária reformulação em curso, potencializada pelas saídas de Ángel Correa, Reinildo Mandava, Saúl Ñíguez, Axel Witsel e Cezar Azplicueta.

Isso, porém, ainda é pouco para o time de Diego Simeone disputar em igualdade com os gigantes Real Madrid e Barcelona no futebol espanhol e há motivos para acreditar que, apesar do investimento, a tendência é continuar a polarização entre os dois times.

Os reforços do Atlético de Madrid nas duas últimas temporadas

  • 25/26: Raspadori, David Hancko, Álex Baena, Johnny Cardoso, Thiago Almada, Matteo Ruggeri, Marc Pubill, Juan Musso e Clément Lenglet (os dois últimos em definitivo após empréstimo)
  • 24/25: Julián Álvarez, Conor Gallagher, Robin Le Normand, Alexander Solorth, Lenglet e Musso

Por que Atlético de Madrid deve seguir coadjuvante na Espanha

Reforços não mudam o patamar do time

As contratações do Atleti até aqui compensam muitos problemas do elenco. Johnny Cardoso ocupa lacuna importante de um primeiro volante passador, Álex Baena e Thiago Almada elevam o nível de criatividade e bola parada do time e a zaga será definitivamente mais segura graças às adições de Hacko, Ruggeri e Pubill, além da consolidação de Le Normand.

Ainda sim, nenhum dos contratados são capazes de transformar o Atlético em uma potência. Considerando os nomes da última temporada, Julián Álvarez seria a única exceção, rapidamente se adaptando ao “cholismo” na última temporada e somando gols em jogos gigantes.

Tudo isso aponta para uma equipe competitiva, tendo uma formação ideal interessante e adaptativa, mas que ainda não deve fazer frente aos maiores rivais pela dificuldade de jogadores para desequilibrar. Não são previstos novos nomes, exceto se aconteçam novas saídas, aponta o jornal “Marca”.

Uma possível escalação do Atlético de Madrid em 2025/26
Uma possível escalação do Atlético de Madrid em 2025/26 (Foto: Sharemytatics/Trivela)

Solorth, mesmo com muitos gols nas pernas, ainda peca em outros momentos com chances inacreditáveis perdidas. Griezmann não entrega o mesmo fôlego de antes e o meio-campo, sem Rodrigo de Paul, perde uma figura de dedicação e qualidade que fará falta.

Simeone tem dificuldade em tirar algo mais do time

Em quase toda era Simeone, o Atlético se notabilizou por um time brigador, com uma fortaleza na defesa e talhado para contra-atacar. Essa realidade foi se alterando aos poucos, com o time se soltando mais ofensivamente entre 2022 e 2024.

O passo para uma equipe mais propositiva e ofensiva, porém, se mostrou maior que a perna ao Atleti, que nas temporadas 21/22 e 23/24 de LaLiga teve a defesa vazada 43 vezes em ambas campanhas, a pior marca desde 11/12 — a primeira com Cholo, que só assumiu no meio daquela temporada.

Os comandados do técnico argentino, então, deram um passo atrás. Voltou a ser uma equipe mais conservadora na forma de atacar e retomou um bom nível defensivo na última temporada, ao mesmo tempo que conseguiu manter o ataque em um número de gols parecido, somando períodos interessantes de vitórias seguidas.

Mas isso não devolveu a regularidade necessária para vencer títulos. Nem chegou a brigar pelo Campeonato Espanhol, monopolizado por Real e Barça, e caiu, competindo muito, nas semifinais da Copa do Rei para os catalães (5 a 4 no agregado) e nas oitavas da Champions para os Merengues (4 a 2 nos pênaltis com polêmica).

O time parece ter atingido o máximo com Simeone. São usadas diferentes formações, estruturas com quatro defensores ou linha de três zagueiros, pontas de diferentes características, duplas de ataque, enfim. Nada parece mudar o clube de Madrid de papel no futebol local e europeu.

Diego Simeone, técnico do Atlético de Madrid
Diego Simeone, técnico do Atlético de Madrid (Foto: Imago)

Abismo financeiro entre Barcelona e Real Madrid não pode ser ignorado

Claro que um dos motivos para investir tanto e continuar tendo um papel relegado na Espanha se dá pelo abismo entre os Colchoneros e seus dois rivais, seja por história ou finanças. Real Madrid e Barcelona são as maiores potências comerciais do mundo do futebol em termos de marca.

O rival da capital é o dono do maior faturamento do futebol mundial: em 2024/25 chegou a 1,1 bilhão de euros (R$ 7,1 bilhões). O Atlético, em 23/24, não conseguiu nem metade disso, com 409,5 milhões de euros (R$ 2,6 bilhões), enquanto os Culés tiveram quase o dobro, 760,3 milhões de euros (R$ 4,9 bilhões), também na temporada passada.

Esse contexto torna tudo mais difícil para o time, desde atrair os principais talentos, ter mais margem para investimentos e até estruturar melhor as categorias de base, área na qual o Barça forma quase metade de sua equipe e evita gastar tanto na janela.

Mas, mesmo com o faturamento muito inferior, os Colchoneros gastaram muito mais do que os dois gigantes nos últimos anos. Para superar os 383 milhões de euros deles em duas temporadas, precisa somar a janela atual e as cinco anteriores do Barcelona.

Para o Real, é necessário contar dois períodos de contratações anteriores e o atual de 25/26 — vale citar, porém, contratações “sem custos”, como a de Kylian Mbappé. Os dados são do site “Transfermarkt”.

Kylian Mbappé, do Real Madrid
Kylian Mbappé chegou ao Real Madrid sem custos (Foto: Imago)

Em dezembro deste ano, completarão 14 anos de Simeone no comando dos Rojiblancos.

Se cumprir seu contrato até o meio de 2027, serão 16 temporadas com o maior comandante da história do clube, dono do maior salário do mundo entre treinadores.

A instituição virou seu rosto, a extensão de suas ideias. Pode ser que, em algum momento, seja a hora de mudá-la e dar espaço para uma nova faceta, já que, mesmo com o aumento dos investimentos, o Atlético de Madrid converteu pouco isso em taças dentro de campo.

Não será uma zebra completa vê-los campeões de LaLiga na próxima temporada, já que o Real está em transição com Xabi Alonso e o Barcelona ainda soma poucos reforços no elenco vencedor da última edição. A chance, porém, é baixa.

A tendência, novamente, é ser uma equipe muito competitiva no mata-mata da Champions (mesmo que não chegue em uma semifinal desde 2017) e, se tiver interesse, como uma favorita a conquistar a Copa do Rei, taça que não vê há 11 anos. Os comandados de Simeone estreiam oficialmente por LaLiga no domingo (17), quando visitam o Espanyol.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius AmorimRedator

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.

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