Os quatro desafios que o Real Madrid precisa resolver em 2026
Merengues não sabem nem se Alonso continuará no cargo a curto prazo, mas têm claro o que precisam melhorar
O Real Madrid finaliza 2025 com mais dúvidas do que certeza. Talvez a única grande unanimidade do time é Kylian Mbappé, que fechou o ano com 59 gols, recorde na história do clube ao lado de Cristiano Ronaldo (2013). No restante, os Merengues encontram muitas questões, poucas respostas e uma grande pressão em Xabi Alonso para 2026.
Inclusive, não seria um absurdo o técnico ser demitido já no primeiro mês do novo ano, caso fracasse de forma retumbante na Supercopa da Espanha – torneio no qual pode encontrar o arquirrival Bacerlona -, conforme relatos da mídia espanhola.
A Trivela reúne os maiores desafios que o gigante de Madrid precisa superar, seja em quesitos táticos, individuais ou até fora de campo, para sonhar com taças em 2026.
O que o Real Madrid necessita melhorar em 2026
1. O encaixe do quarteto ofensivo

Até a vitória sobre o Alavés, em 14 de dezembro, Alonso nunca tinha escalado Rodrygo, Vinicius Júnior, Mbappé e Bellingham juntos como titulares. Inclusive, a última vez tinha sido em abril, ainda com Carlo Ancelotti.
O “quarteto mágico”, porém, ainda não traz o equilíbrio defensivo necessário, como já acontecia com o técnico anterior. Eles também estiveram juntos no último triunfo de 2025, 2 a 0 sobre o Sevilla, em outra partida que o Real sofreu defensivamente e não conseguiu dominar a bola apesar da qualidade técnica de seus jogadores.
Entre os quatro, o mais “descartável” — pelo menos para imprensa e torcida merengue — é Rodrygo, como acontece desde que Mbappé chegou no meio de 2024, porém, no momento, o Rayo é o melhor jogador dos Merengues, autor de dois gols, uma assistência e um pênalti sofrido nos últimos quatro jogos.
Alonso tem a missão que Ancelotti não conseguiu em um ano comandando o quarteto: encontrar o equilíbrio com eles juntos em campo. Isso se torna um desafio maior com a ascensão de Arda Güler como meio-campista, que atua junto de Tchouaméni mesmo sendo um meia típico camisa 10 e sem tanta qualidade defensiva.
Na teoria, o reforço deveria ser na dedicação sem bola de Vini e Rodrygo pelos lados do campo, seja para pressionar ou recompor, e de Bellingham voltar a ponto de formar uma trinca por dentro — ainda que, com Güler, essa força por dentro fique menor. Na prática, isso não tem acontecido.
Ao menos nas primeiras três semanas do ano, por uma lesão no joelho de Mbappé, isso não será uma questão ao técnico espanhol.
2. Consistência dentro dos jogos

Com o quarteto ou sem, o Real Madrid é ainda um time muito exposto. Sobe as linhas para pressionar, mas nem sempre consegue roubar a bola, dando espaço nas costas da defesa, o que culmina em jogadas em profundidade que dão pesadelos aos zagueiros e ao goleiro.
Se não fosse o goleiro Thibaut Courtois, muitos pontos seriam perdidos no recorte recente (algo que não é necessariamente uma novidade). A questão é que o Real não consegue ser como o Bayer Leverkusen de Alonso foi entre 2022 e 2025: um time consistente, que cede poucas chances aos adversários e sabe controlá-los a partir da posse da bola.
Frente a Sevilla e Alavés, por exemplo, o controle da partida foi alternando para os dois lados, a ponto de que um empate ou uma vitória dos times mais modestos não seria um absurdo. Até no triunfo contra o Talavera, da terceira divisão espanhola, pela Copa do Rei, a partida foi no detalhe, 3 a 2, com direito a defesa milagrosa de Lunin nos minutos finais.
A inconsistência não se limita a jogos menores, o que aponta para outro grande problema do time: o enfrentamento contra os times mais difíceis.
3. Se impôr nas partidas grandes

Apesar de jogar mal muitas vezes contra times mais fracos, o Real costuma vencer. Essa realidade, porém, não se aplica na maioria dos grandes enfrentamentos.
O time de Alonso, além de tomar quatro do PSG no Mundial de Clubes ainda no início da passagem do técnico, perdeu feio para o rival Atlético de Madrid em setembro, além de revezes para Liverpool e Manchester City no recorte mais recente.
A única exceção foi o El Clásico. Contra o Barcelona, no Santiago Bernabéu, no fim de outubro, o Real Madrid teve finalmente a cara de seu técnico: um time intenso, que pressiona e sufoca a saída de bola do adversário, capaz de criar de forma rápida ou pausada. A vitória por 2 a 1 poderia ter sido muito maior se Szczesny não tivesse feito uma grande atuação, parando até pênalti de Mbappé.
O clássico com o Barça deveria ser o exemplo para os Merengues nos grandes jogos, mas não tem sido assim. A Supercopa, com duelo contra o Atlético marcado para 8 de janeiro (e possível final contra Barcelona ou Athletic Bilbao dois dias depois), será um ótimo teste.
4. Crise de lesões

É justo dizer, no entanto, que parte dos problemas defensivos e de controle do time de Alonso passam por uma série de problemas físicos, o que também acontecia na era Ancelotti. As ausências de Alaba e Carvajal já se tornaram comuns, assim como Militão, que, mesmo voltando bem de lesão, sofreu com outra questão muscular.
Rudiger também foi ausência por um longo período, enquanto Huijsen teve algumas partidas ausente. As improvisações na defesa já fazem parte do trabalho de Alonso, com Carreras tendo que ser zagueiro em várias oportunidades e Raul Asencio e Valverde se alternando na lateral direita. Na esquerda, até o jovem Víctor Valdepeñas precisou fazer sua estreia.
No meio, Camavinga foi desfalque várias vezes, Tchouaméni e Bellingham menos, mas ainda, sim, atrapalhando na capacidade física do Madrid em competir por dentro, impactando diretamente na forma do time em se defender.
Os desafios são grandes e certamente não serão resolvidos apenas com a virada do ano. A mudança precisa ser maior do que isso e não passa só por Xabi Alonso, visto a má fase de alguns jogadores, como Vini Jr.
Algumas respostas precisam ser dadas já na primeira partida de 2026, contra o Betis no dia 4, antes da disputa da Supercopa. O Real, mesmo com perspectivas desafiadoras, continua vivo em todas as frentes: é vice-líder de LaLiga com quatro pontos a menos que o Barça, está no top-8 da Champions League que leva direto às oitavas de final e segue na Copa do Rei.


