Pedido de desculpas capenga e tentativa de intimidação: racismo contra Vinícius Júnior ganha novos capítulos
Programa de TV onde foi feita ofensa racista a Vinícius Júnior tentou intimidar brasileiro a não publicar vídeo de resposta, mas brasileiro não se dobrou
O ataque racista a Vinícius Júnior feito por Pedro Bravo no programa El Chiringuito ganhou novos capítulos. Enquanto o Atlético de Madrid condenou o racismo contra o brasileiro, o programa de TV fez um pedido de desculpas bem questionável, mas o pior veio fora do ar: tentou intimidar Vinícius Júnior a não publicar o seu vídeo de resposta ao ataque racista, segundo informação da ESPN.
Em público, o programa El Chiringuito tentou se desculpar. Conhecido pelo sensacionalismo, irresponsabilidade e por gente gritando tentando mostrar contundência e deixando transparecer desequilíbrio, o programa disse que foi tudo um problema de tradução, que na verdade não foi uma expressão racista.
“Quero deixar um recado para todos os brasileiros. A expressão ‘brincar de macaco’ na Espanha é fazer papel de bobo. Não é racista. Mas na tradução foi mal interpretada. Um forte abraço e continue a dança”, afirmou Josep Pedrerol, apresentador do circo que chamam de programa. Sim, é isso mesmo: eles se desculparam dizendo que não erraram. A tentativa de se desculpar, como diria Renata Vasconcellos no Jornal Nacional, foi xoxa, capenga, manca, anêmica, frágil e inconsistente.
Isso por si já seria ruim, mas fica muito pior. Segundo informação que inicialmente foi publicada pelo jornalista espanhol Iñaki Ângulo e confirmada pela reportagem da ESPN, com Gustavo Hofman, ex-Trivela e correspondente da ESPN em Madri, houve uma tentativa do programa de TV de impedir que Vinícius Júnior publicasse o vídeo em que reagiu ao racismo proferido, horas depois das reações contrárias ao programa e a favor do atacante do Real Madrid. As manifestações vieram especialmente do Brasil, com outros jogadores, como Raphinha e Neymar, defendendo o companheiro de seleção, e também de nomes de peso como Pelé.
Segundo a ESPN, integrantes do programa enviaram mensagens e fizeram ligações para pessoas da equipe de Vinícius Júnior em Madri horas depois do programa e ainda em meio às repercussões para tentar impedir o vídeo de ser publicado. A justificativa para o pedido, por assim dizer, é que o público poderia entender que o programa é racista e isso os prejudicaria. O programa partiu para a intimidação quando, segundo Iñaki Ângulo, os integrantes do programa enviaram uma mensagem de texto à equipe do atacante ameaçando: “se publicar o vídeo, vamos te destruir”.
Uma frase que não ter como não ser interpretada como uma ameaça e tentativa de intimidação. Não há outra interpretação possível. Tal qual não há quando alguém diz “hacer um mono” no programa e alega que não é racismo. É inegável. E, aliás, deveria ser alvo de processo na Justiça da Espanha por injúria racial.
Vinícius respondeu com classe. Primeiro fora de campo, no vídeo em que fala que continuará bailando. Depois, em campo, quando fez um grande jogo para ajudar o Real Madrid a vencer por 2 a 1 o Atlético de Madrid, mesmo atuando no Metropolitano, e sair com uma vitória importante. Antes do jogo, porém, tivemos manifestações racistas contra Vinícius Júnior de parte da torcida do Atlético, condenadas pelo clube. Será preciso que todos façam mais contra o racismo: as autoridades espanholas, La Liga, os clubes, os jogadores e os torcedores.



