Atlético de Madrid condena racismo de torcedores contra Vinícius Júnior e promete punições
Torcedores chamaram Vinícius Júnior de “macaco” antes do jogo contra o Real Madrid e clube promete colaborar com autoridades para identificar e expulsar esses torcedores da família rojiblanca
O Atlético de Madrid se manifestou contra os atos racistas de seus torcedores proferidos a Vinícius Júnior antes do jogo contra o Real Madrid, vencido pelos merengues por 2 a 1. Ao redor do estádio, torcedores Colchoneros chamavam o jogador brasileiro de macaco e faziam outras ofensas a ele. O clube se posicionou contrário a isso e prometeu tomar atitudes.
“O Atlético de Madrid condena veementemente os cantos inadmissíveis que uma minoria de torcedores fez fora do estádio antes do clássico. O racismo é um dos maiores flagelos da nossa sociedade e infelizmente o mundo do futebol e os clubes não estão isentos da sua presença”, diz comunicado no site do clube.
“Nosso clube sempre se caracterizou por ser um espaço aberto e inclusivo para torcedores de diferentes nacionalidades, culturas, raças e classes sociais e poucos não conseguem manchar a imagem de milhares e milhares de atletas que apoiam seu time com paixão e respeito ao rival”.
“Esses cantos nos causam uma enorme rejeição e indignação e não permitiremos que nenhum indivíduo se esconda atrás de nossas cores para proferir insultos racistas ou xenófobos. No Atlético de Madrid temos tolerância zero ao racismo, o nosso empenho na luta contra este flagelo social é total e não vamos parar até o eliminarmos”.
“Para isso entramos em contato com as autoridades para oferecer nossa máxima colaboração na investigação dos eventos ocorridos fora do estádio e exigir a identificação das pessoas que participaram para proceder à expulsão imediata daqueles que são sócios do clube”.
O Atlético de Madrid ainda falou sobre o que chamou de “campanha artificial” durante a semana. Isso porque desde o jogo em que o Real Madrid venceu o Mallorca com gol de Vinícius Júnior e a sua dancinha passou a ser ainda mais criticada, se criou um clima que isso poderia dar problema no Metropolitano. Tanto que Koke foi perguntado pela imprensa se ele não achava que certamente haveria reação no estádio, caso o brasileiro fizesse a dança ao comemorar. É disso que o Atlético fala em seu comunicado.
“Queremos também convidar todos os profissionais ligados ao mundo do futebol a fazer uma profunda reflexão. Deixando claro mais uma vez nossa mais forte condenação a esses eventos, que não têm a menor justificativa, acreditamos que o que aconteceu nos dias que antecederam o dérbi é inadmissível”, afirma o clube.
“Pede-se aos torcedores sanidade e racionalidade e, no entanto, profissionais de diversas áreas geraram uma campanha artificial durante a semana, acendendo o estopim da polêmica sem medir o impacto de suas ações e manifestações”, afirma a nota do Atleti.
“A dor que a família rojiblanca sente por este evento é enorme. Não podemos permitir que alguém associe nossos torcedores a esse tipo de comportamento e questione nossos valores por causa de uma minoria que não nos representa. Nossa decisão é firme e retumbante e não vamos parar até expulsá-los da família rojiblanca porque eles não podem fazer parte dela”, diz, de forma contundente, o clube.
Os ataques racistas contra Vinícius Júnior fizeram até mesmo o presidente da Espanha, Pedro Sánchez, a condenou os atos racistas. “Sou um grande torcedor do Atlético de Madrid, assim, estou triste”, afirmou Pedro Sánchez ao site Politico, antes da Assembleia da ONU, em Nova York.
Sánchez ainda pediu que clubes tomem uma atitude contra o racismo. “Esperamos uma mensagem forte dos clubes contra este tipo de comportamento. Isto é o que pediria à minha equipe”, continuou o presidente espanhol. “Acredito que é importante que os clubes de futebol levem a sério este tipo de comportamentos e reajam”.
O Congresso na Espanha também se manifestou. Em nota divulgada em concordância de todos os grupos parlamentares, o Congresso manifestou “o rechaço absoluto à violência, o racismo, a xenofobia e a intolerância no esporte ou em qualquer outro âmbito”, diz a nota. “Acreditamos que o futebol educa muita gente e é extremamente preocupante que nessa partida (entre Atlético de Madrid e Real Madrid) tenham chamado de ‘macaco’ um jogador”, afirmou ainda Íñigo Errejón, porta-voz do Más País, que foi o responsável por promover a nota.
O que continua faltando é se haverá alguma atitude contra Pedro Bravo, que foi quem fez a ofensa no programa de TV Chiringuito. O programa ainda se defendeu de forma capenga e alegou que foi tudo um erro de interpretação, o que sabemos não ser verdade. Isso além de tentar intimidar Vinícius Júnior e impedi-lo de publicar um vídeo de resposta à ofensa proferida no programa espanhol.



