Blind fala sobre o sucesso do Girona e explica por que o técnico Míchel é especial
Nome mais tarimbado do Girona, Daley Blind rasgou elogios ao técnico Míchel pelo lado humano que valoriza e pela clareza das ideias
O Girona está entre as maiores sensações da temporada europeia. E não poderia ser diferente, a uma equipe que lidera o Campeonato Espanhol à frente de Real Madrid e Barcelona. Os catalães vinham de uma notável crescente, com o acesso na segunda divisão em 2021/22 e depois uma campanha em que beiraram a classificação às copas europeias em 2022/23. Ainda assim, o que acontece em 2023/24 supera quaisquer expectativas. E entre os mais experientes do elenco está Daley Blind. O defensor parecia em declínio na carreira, ao deixar o Ajax em litígio e passar apenas um semestre no Bayern de Munique, sem renovar. A mudança para Montilivi vai representando até o momento uma façanha ao seu currículo.
Aos 33 anos, Blind disputou as maiores competições do futebol, destaque até em Copa do Mundo. Também trabalhou com diversos treinadores renomados. E, mesmo com toda a bagagem, reconhece que o vivido com o Girona é diferente. Em entrevista ao jornal The Independent, o veterano elogiou as estruturas do clube, a relação dentro do grupo de trabalho e a conexão com o técnico Míchel. Conforme o zagueiro, titularíssimo em La Liga, a ambição poderá se sustentar.
“Vamos um jogo por vez. Para mim, isso não mudou. Você deseja terminar o mais alto possível no campeonato e esse é o nosso objetivo. Veremos em que lugar estaremos no final da temporada. Você sempre é ambicioso e tem um objetivo, mas, no fim, precisa olhar jogo após jogo porque o próximo é o mais importante e você quer os três pontos”, afirmou.
As fortalezas do Girona
Blind é o nome mais conhecido do Girona, mas não o único talento. Muitos jogadores desabrocham nos líderes do Campeonato Espanhol. O goleiro Paulo Gazzaniga teve diferentes passagens pela Premier League. Eric García e David López são boas companhias na zaga, enquanto as laterais também estão bem servidas com Arnau Martínez e Miguel Gutiérrez. No meio, Aleix García está tão bem que chegou à seleção espanhola, enquanto Yangel Herrera é uma referência da seleção venezuelana. Já o setor ofensivo possui parcerias entre diferentes nacionalidades. Savinho e Yan Couto (como lateral ou ponta) garantem a habilidade brasileira, enquanto os ucranianos Viktor Tsygankov e Artem Dovbyk são muito efetivos. Vale citar ainda Cristhian Stuani, que, se não é titular absoluto, é uma liderança com seis anos de clube.
Curiosamente, o sucesso do Girona acontece depois que alguns protagonistas saíram no mercado de transferências. Santiago Bueno assinou com o Wolverhampton, Rodrigo Riquelme voltou de empréstimo ao Atlético de Madrid e Taty Castellanos rumou à Lazio. Já Oriol Romeu preferiu voltar ao Barcelona, seu clube formador, a contragosto da diretoria alvirrubra. A montagem do elenco se valeu de muitas apostas de baixo custo que se pagam. Também ajuda a conexão com o City Football Group, um dos donos do clube catalão. Yan Couto e Savinho chegaram graças a isso, assim como Yangel Herrera foi comprado em definitivo após anos vinculado ao Manchester City.
Se há um nome que resume o sucesso do Girona, de qualquer forma, é o do técnico Míchel. O antigo jogador do Rayo Vallecano é um rei do acesso em La Liga. Subiu no comando do próprio Rayo e do Huesca, mas sem se sustentar na elite. Já com o Girona, Míchel faturou seu terceiro acesso na segundona, mas deu passos além. A décima colocação em 2022/23 era ótima e tudo se extrapola com a liderança atual. Blind coloca o treinador como um fator decisivo à sua própria contratação.
“A história que ele me contou antes que eu viesse ao Girona foi muito intrigante. Não posso dizer nada além de que ele não mentiu. Fiquei animado e quis vir para cá depois de falar com ele. Você não pode ter certeza do que vai acontecer no final, mas estamos muito felizes com a maneira que tudo está acontecendo e é sempre importante para o técnico ser claro nisso”, comentou.
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A relação interna
Daley Blind olha em retrospectiva para a carreira e indica como Míchel é mesmo um treinador acima da média em relação ao que experimentou. Não é pouco, para quem trabalhou com figuras do calibre de Louis van Gaal, José Mourinho, Erik ten Hag, Julian Nagelsmann, Frank de Boer e Marco van Basten. Para o holandês, o comandante espanhol prima não apenas pelas ideias de jogo, mas também pela comunicação e pelas pontes que constrói nos vestiários.
“É sempre difícil comparar treinadores, cada um tem sua identidade e seu jeito de jogar. Mas o que chama atenção em Míchel é que ele é bastante claro sobre como quer que o time jogue futebol. Ele tem verdadeiramente uma ideia clara sobre cada jogo e também possui um plano tático real. Ele tenta transmitir isso à equipe e ter certeza de que entendemos bem sua ideia de jogo”, comentou.
“Não quero comparar, mas ele é um técnico mais humano, que se conecta com você num nível pessoal. Ele participa da roda de bobinho e é parte do grupo. Na hora em que o treino começa, ele realmente não se contém. Ele quer que cada treinamento seja o melhor, mas sempre há tempo para uma brincadeira aqui e ali. Ele tem uma boa conexão com todos os jogadores – isso é muito especial”, complementou.
O Girona entra em campo neste sábado, contra o Rayo Vallecano, em visita à capital. Não é das partidas mais fáceis, mas as condições são boas para sustentar a vantagem de dois pontos sobre o Real Madrid e de quatro pontos sobre o Barcelona. Há muito para acontecer e se passaram apenas 12 rodadas das 38 de La Liga. Apesar disso, os catalães se dão ao direito de sonhar – e a vantagem que já abriram na zona de classificação à Champions League permite acreditar no mínimo em uma estreia continental em 2024/25.



