La Liga

De pedido de tapa na cara de Vini a arbitragem, Barcelona x Real Madrid já começou fora dos gramados

Primeiro clássico Barcelona x Real Madrid da temporada começa fora de campo com polêmicas envolvendo dirigentes e arbitragem

O primeiro duelo entre Barcelona e Real Madrid na temporada 2023/24 está marcado para este sábado (28), pela 11ª rodada de La Liga, no Estádio Olímpico de Montjuïc. Mesmo faltando dois dias para a bola rolar na Catalunha, o El Clasico já começou fora dos gramados. Os desfalques e dúvidas sobre as escalações dos dois gigantes, junto do ataque do porta-voz adjunto da diretoria do Barça contra Vinícius Júnior nas redes sociais que provocou diferentes reações dentro dos clubes, estão movimentando a mídia espanhola e esquentando ainda mais o clima da partida.

Naturalmente, o El Clasico já seria um jogo repleto de tensão pela rivalidade histórica e disputa pela liderança de La Liga. O Real Madrid é o primeiro colocado da competição com 25 pontos, um a mais que o Barcelona, que atualmente ocupa a terceira posição. Mas o descontentamento do técnico Xavi com os comentários de Mikel Camps sobre Vini Júnior, a decisão de Florentino Pérez de não viajar à Catalunha, incertezas sobre a participação de craques e até a escolha do árbitro têm sido um prato cheio para os jornais e veículos espanhóis, que adoram polêmicas.

Ataque contra Vini Júnior desagrada Xavi e Florentino Pérez

O assunto mais quente nas vésperas do primeiro El Clasico da temporada é, sem sobra de dúvidas, o ataque do porta-voz adjunto da diretoria do Barça contra Vinícius Júnior. Em publicação feita na rede social X, antigo Twitter, durante a vitória do Real Madrid por 2 a 1 sobre o Braga, Mikel Camps chamou o brasileiro de “palhaço e vacilão”, afirmando que “merece um tapa” depois de uma sequência de pedaladas parado pelo lado esquerdo do ataque.

— Não é racismo, ele merece um tapa na cara por ser palhaço e vacilão, o que representam aquelas pedaladas desnecessárias e sem sentido no meio do campo? — escreveu Mikel, que posteriormente apagou a publicação.

Três dias antes, o porta-voz adjunto já havia feito um ataque contra o jogador do Real Madrid ao comentar na publicação do jornalista italiano Frabrizio Romano sobre o posicionamento de Vinícius após sofrer racismo no jogo contra o Sevilla. Mikel Camps disse que “não há espaço para racismo e nem espaço para provocações” e sugeriu que o atacante “concentre-se em suas habilidades”.

A primeira reação ao ataque foi de outro jogador brasileiro. Ainda na zona mista do Estádio de Braga, pouco tempo após o fim do jogo, Rodrygo não quis polemizar, mas definiu a publicação como “lamentável”. Já na quarta-feira, em entrevista coletiva depois da vitória por 2 a 1 diante do Shakhtar Donetsk, o treinador do próprio Barcelona, o ex-meia Xavi Hernández, também reprovou o ocorrido.

Veja a resposta de Xavi sobre os ataques do dirigente de seu Barcelona a Vini Jr

— Se ele apagou, não preciso mais dizer nada. Não gosto do que gera tensão. Nem esse tweet nem o fato dos árbitros estarem condicionados. É preciso jogar um clássico com respeito e admiração do público. Já vivemos clássicos com muita tensão e não serei eu quem vai gerar isso — afirmou Xavi.

Quem também não gostou da publicação do porta-voz adjunto da diretoria culé foi Florentino Pérez, presidente do Real Madrid. Segundo o programa de televisão El Chiringuito de Jugones, o dirigente tinha programado ir ao Estádio Olímpico de Montjuïc, mas cancelou sua viagem à Barcelona com o ataque contra Vinícius Júnior. A decisão teria sido decorrência do silêncio e da ausência de um pedido de desculpa do clube catalão.

Vice do Barcelona garante que ataque contra Vini Jr não voltará a acontecer

A diretoria do Barça realmente não se desculpou pelo episódio, mas não é verdade que tenha permanecido em silêncio. Ao Movistar Plus+, o vice-presidente do clube, Rafa Yuste, garantiu que o ataque não ocorrerá novamente.

— Mesmo que tenha sido um deslize, não precisa ser feito. É um tweet infeliz. Se Vinicius estiver me ouvindo, digo que não vai se repetir — assegurou.

Mais guerra entre as diretorias de Barcelona e Real Madrid

A decisão de Florentino em não comparecer no El Clasico ainda incomodou Joan Gaspart, ex-presidente do Barcelona. Ao contrário do que Xavi gostaria, Gaspart decidiu externar sua opinião à rede de rádio RAC1, gerando ainda mais tensão.

— É um descrédito que Florentino Pérez não venha ao El Clasico. Ele é um grande homem como pessoa. Não entro como presidente do Madrid, pois já sabemos o que aconteceu com Figo. Falhou muito comigo. Não é o estilo dele. Ele conhece a história e sabe que nenhuma ilegalidade foi cometida (no Caso Negreira, que será abordado mais adiante). Barça e o Real Madrid não podem sentar-se para comer e fazer um lanche? Se eu fosse presidente do Barça, teria ido. Fiz isso depois de momentos muito difíceis, embora não gostasse. Isso faz parte da posição, mas o mais importante é o resultado e a vitória. Há rivais desportivos e inimigos históricos aceitos em Madrid, como já sabemos o que aconteceu com Figo, durante toda a vida. Não gosto de ter inimigos, mas no dia em que não os tivermos… — disse o ex-presidente culé.

Arbitragem é alvo de reclamação por parte do Real Madrid antes mesmo da bola rolar

A arbitragem é outro tema que tem repercutido na Espanha e esquentado ainda mais o El Clasico. Mesmo sem ter nenhuma ligação direta com o Real Madrid, o Caso Negreira tem sido utilizado pelos torcedores merengues para contestar e duvidar de tudo relacionado com o Barcelona. Em março deste ano, o clube catalão foi denunciado por corrupção por pagarem milhões de euros a José María Enríquez Negreira, antigo vice-presidente do Comitê Técnico Arbitral da federação espanhola, de 2001 a 2018.

O Barça se defende com a justificativa de que os pagamentos foram relativos a uma “consultoria”, mas a procuradoria espanhola afirma que os valores serviam para “realizar atuações que tendiam a favorecer o Barcelona na tomada de decisões dos árbitros nas partidas do clube e, assim, nos resultados das competições”. Além das acusações de corrupção no esporte, corrupção nos negócios, falsa administração e falsificação de documentos comerciais, o clube ainda foi indiciado por suspeita de suborno à arbitragem no fim de setembro.

Caso Negreira, envolvendo árbitro do clássico, já motivou reclamações do Sevilla também

O Caso Negreira motivou protestos da direção do Sevilla antes do jogo contra o Barcelona pela oitava rodada de La Liga. Em nota oficial emitida três horas antes da bola rolar, os andaluzes manifestaram sua oposição à relação dos catalães com a chefia de arbitragem. Por conta disso, os cartolas rojiblancos não participaram dos atos prévios com os dirigentes blaugranas e não apareceram na tribuna de honra do estádio.

A postura do Sevilla foi a mais contundente de um clube em relação ao Caso Negreira até aqui. Justamente para evitar mais atos como este, o presidente do Barcelona, Joan Laporta, protagonizou na terça-feira um abraço com José Ángel Sánchez, diretor geral do Real Madrid. Pode parecer pouco, mas na Espanha isso já é suficiente para alimentar efusivos debates. A tentativa de acalmar os ânimos, no entanto, foi por água abaixo com as publicações de Mikel Camps sobre Vinícius Júnior.

Vale lembrar que o Barcelona vem tentando criar cortinas de fumaça desde o início do Caso Negreira. Em abril, Joan Laporta marcou uma coletiva de imprensa em que não esclareceu nada sobre a situação, mas aproveitou para falar do Real Madrid como um “clube que sempre se viu favorecido pelas decisões arbitrais” e associado com o regime franquista. Não foi nenhuma novidade, com exceção da oficialidade inédita em uma acusação do tipo, mas os merengues moderam a iscam e produziram até um vídeo para rebater a alcunha de “equipe do regime”.

A fala de Laporta rompeu a relação recente entre Real Madrid e Barcelona, que andavam de mãos dadas em questões-chave, como a Superliga Europeia e a oposição aos convênios de La Liga.

Escolha do árbitro para Barcelona x Real Madrid

Até mesmo a escolha de Jesús Gil Manzano para apitar o El Clasico deste sábado foi motivo de repercussão. A mídia internacional trata Manzano como o árbitro espanhol com mais prestígio da Uefa e da Fifa, tendo participado de 21 jogos pela Champions League. Mesmo assim, o Barcelona ficou na bronca com a decisão, já que não tem um retrospecto positivo com ele.

O Mundo Deportivo, jornal catalão, publicou um levantamento sobre todas as partidas de Barcelona e Real Madrid apitadas por Manzano. Os culés venceram 22 dos 36 jogos que disputou com o árbitro, empatando sete e perdendo outros sete. Nestes compromissos, também receberam 86 cartões amarelos e dez vermelhos, além de seis pênaltis a favor e cinco contra.

Já o Real Madrid tem números muito melhores com Manzano. Foram 37 triunfos em 47 partidas, cinco empates, cinco derrotas, 87 amarelos e quatro vermelhos. Mas número mais impactante é o de pênaltis: seis contra e 14 a favor.

Jesús Gil Manzano será o árbitro do primeiro clássico entre Barcelona e Real Madrid na temporada 2023/24 (Foto: Icon sport)

Manzano já comandou dois clássicos entre Barcelona e Real Madrid, ambos vencidos pelos merengues. Pela La Liga 2014/15, triunfo por 3 a 1, com pênalti de Piqué e cartões para Messi, Neymar e Iniesta nos primeiros 38 minutos. De acordo com o Mundo Deportivo, faltaram advertências para Cristiano Ronaldo, Modric e Carvajal, além de um vermelho para Sergio Ramos.

Na temporada 2020/21, a vitória foi por 2 a 1. O periódico ainda lembrou que, na ocasião, Messi discutiu com Manzano e Mendy teria cometido pênaltis em Dembélé e Braithwaite. Obviamente, os números frios e descontextualizados não significam nada e só servem para pressionar o árbitro antes de um confronto que naturalmente é de enorme pressão, mas são suficientes para revoltar os torcedores do Barcelona.

Os desfalques e dúvidas de Real Madrid e Barcelona

Deixando as muitas polêmicas de lado, as vésperas do El Clasico também estão sendo movimentadas pelas dúvidas sobre as escalações. Pelo lado mandante, o Barcelona ainda não sabe se poderá contar com Robert Lewandowski e Frenkie de Jong, que se recuperam de problemas físicos. Ambos realizaram parte da sessão de treinamento com o grupo nesta quinta-feira (26), entrando no aquecimento, mas depois fizeram trabalhos de recuperação separadamente.

Pedri também é dúvida, mas tem menos chances de ser relacionado. A expectativa era de que o meio-campista estivesse disponível para enfrentar o Real Madrid, mas está no departamento médico desde agosto. Já o zagueiro Koundé e o lateral Sergi Roberto estão descartados.

Por outro lado, o brasileiro Raphinha participou do treino desta quinta-feira (26) e deverá estar à disposição de Xavi. João Félix, que foi substituído com dores contra o Shakhtar Donetsk, mas exames não constaram nenhum lesão e o português não preocupa para sábado.

Pelo lado do Real Madrid, o destaque Jude Bellingham assustou os torcedores por ter se lesionado diante do Braga e não ter treinado com o grupo nesta quinta. Mesmo assim, o inglês assegurou, em espanhol, que participará do clássico em entrevista à RTVE e está trabalhando com os fisioterapeutas merengues para se recuperar da sobrecarga no adutor.

As baixas recentes na equipe madrilenha, portanto, deverão ser Ceballos e Arda Güler. O primeiro sofreu uma lesão muscular, enquanto o segundo ainda segue o plano de ajustes para ser relacionado pela primeira vez por Carlo Ancelotti. Courtois e Militão continuam machucados e são ausências garantidas há algum tempo, enquanto Joselu está recuperado da gripe que o tirou do jogo contra o Braga.

Foto de Felipe Novis

Felipe Novis

Felipe Novis nasceu em São Paulo (SP) e cursa jornalismo na Faculdade Cásper Líbero. Antes de escrever para a Trivela, passou pela Gazeta Esportiva.
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