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Yamal quebra (novo) recorde, mas Barcelona só empata com Granada em final emocionante

Jovem atacante de 16 anos e 87 dias é o mais jovem a marcar pelo Barcelona e por La Liga

O relógio marcava 29 minutos e o placar apontava 2 x 0 para o Granada no Estadio Nuevo Los Cármenes neste domingo (7). Guerreiro, o Barcelona diminuiu com Lamine Yamal e empatou pelos pés de Sergi Roberto, vindo do banco. João Félix marcou o que seria da virada nos acréscimos, mas havia posição irregular, confirmando o placar de 2 x 2 pela nona rodada de La Liga.

O empate aumentou a distância do rival Real Madrid para o Barça no Campeonato Espanhol. Agora, os Merengues somam 24 pontos, três a mais que o time catalão, em terceiro, atrás também do Girona, com 22.

O ponto positivo da partida é Yamal, que aos 16 anos e 87 dias, se tornou o jogador mais jovem da história do Barcelona a marcar em La Liga, competição que também é o mais novo a balançar as redes.

Bryan Zaragora inferniza defesa do Barça e marca dois em menos de 30 minutos

Convivendo com as ausências conhecidas de Frankie de Jong, Pedri e Raphinha, Xavi Hernández agora conta com o desfalque de Robert Lewandowski, lesionado na vitória sobre o Porto na última quarta-feira (4). Contra o Granada, Ferran Torres iniciou como titular na posição de centroavante, tendo Lamine Yamal à sua direita e João Félix à esquerda. No meio-campo, o jovem Fermín López ganhou sua primeira oportunidade entre os 11 iniciais (antes, havia saído do banco em três oportunidades). Por fim, na defesa, Andreas Christensen ganhou a vaga de Ronald Araújo.

Jogando em casa, o Granada não tomou conhecimento do gigante Barcelona e precisou de 15 segundos para abrir o placar. Saída de bola do visitante, Gavi vacilou, Gonzalo Villar roubou a bola, que sobrou para Lucas Boyé servir Bryan Zaragoza. Dentro da área, o atacante bateu cruzado e superou Ter Stegen.

Com a vantagem no placar, os Rojiblancos se fecharam no campo de defesa e nem pressionavam a saída de bola catalã. A formação sem bola do time de Paco Lopez era um 5-3-2, porque Álvaro Fernández, que encontrou de meia esquerda, fechava o lado como um ala. De praxe em seu estilo de jogo, o Barça atacava com muita gente no campo adversário, montado praticamente em um 2-3-5.

Um tanto assustado com o gol, o time azul-grená demorou para entrar de vez na partida, mostrando dificuldades em criar boas chances até os 16 minutos, quando Granada foi ao ataque, deu espaço em sua defesa, e Félix conseguiu ter uma oportunidade frente para André Ferreira, mas parou na defesa do goleiro português. Pouco depois, os espaços pareciam se abrir mais naturalmente ao time catalão e uma bonita troca de passes por dentro chegou em Gavi, que chutou de fora e exigiu nova intervenção de Ferreira.

O Barça sufocava seu adversário e tirava qualquer chance de contra-ataque já na raiz da jogada, roubando no campo de ataque. Com isso, João Félix lançou outro chute perigoso, passando rente a trave. A jogada individual também era um caminho. Alejando Baldé deixou Ricard Sánchez no chão ao levar para linha de fundo e cruzar. Ninguém do Barcelona concluiu, mas os zagueiros se enrolaram e deram escanteio. Em 28 minutos, o time de Xavi teve seis escanteios e cobrou todos de forma equivocada.

O gol do visitante parecia mais próximo, só que o futebol não é um esporte simples. Sem atacar há um bom tempo, o Granada saiu em contragolpe. Gerard Gumbal lançou Bryan Zaragosa, que venceu Jules Koundé na velocidade, cortou para o meio com uma caneta e limpou de novo o francês, marcando de canhota um golaço de três dedos. Nesse momento eram duas finalizações e dois gols para a equipe da casa.

O Barça nem tinha tanta dificuldade para criar, faltava mesmo era efetividade. João Félix teve boa chance partindo no mano a mano contra Miguel Rubio, mas chutou de fora da área para nova defesa de Ferreira e, na sequência, outros dois escanteios mal batidos pelos catalães.

Antes com dois atacantes, o Granada foi se fechando cada vez mais e o autor de dois gols, Bryan, foi movido para recompor como meia esquerda.

A sorte também não parecia estar ao lado do Barça. Em uma jogada de ataque do Granada, Gavi se chocou com Koundé, fazendo o jovem cair sobre o joelho esquerdo do francês, precisando de atendimento médico, até retornando ao jogo, mas precisando ser substituído minutos depois. O uruguaio Ronald Araújo entrou na zaga.

Aquele ímpeto catalão anterior não seguiu após o segundo gol do Granada, mas ainda em sua qualidade o Barça conseguiu criar nos acréscimos e marcou um gol que entrou para história de La Liga e do Barcelona. O atacante Lamine Yamal, de 16 anos e 87 dias, aproveitou sobra de bate e rebate, completamente sozinho na área, para ser o mais jovem na história da competição e do clube a balançar as redes no finalzinho da etapa inicial, diminuindo a vantagem adversária.

Barcelona empate e até vira, mas impedimento de Ferran tira vitória

Sem mudanças do parte dos técnicos no intervalo, o começo da etapa final manteve o mesmo cenário. O Barcelona dominava a posse, pressionava nos raros momentos que o Granada tinha a bola e tentava encontrar espaços na retranca de Paco Lopez – sem sucesso pelo menos nos 15 primeiros minutos.

Para ganhar mais força na marcação e maior gás ao time, entraram três atletas renovados no Granada aos 13 minutos: Antonio Puertas, Njegos Petrovic e Raúl Torrente. Logo depois das trocas, os Rojiblancos quase marcaram em falta cobrada na área, finalizada de coxa por Boyé, com a bola passando colada na trave de Ter Stegen, que só olhou.

Com 15, Xavi efetuou sua segunda mudança e parada. Sergi Roberto entrou no meio-campo no lugar do jovem Fermín López.

A etapa final foi mais física e quente, com muitas divididas e reclamações com a arbitragem. Nos primeiro tempo, foram apenas cinco faltas. Enquanto em 25 minutos do segundo já eram 10 infrações e dois cartões amarelos (para Ignasi Miquel e Rubio, ambos do Granada). Assim como os escanteio, o Barça não aproveitava bem a bola parada dessas faltas. A melhor cobrada chegou em Araújo na segunda trave, que deu de casquinha para Ferran Torres antecipar o zagueiro e exigir a melhor defesa de Ferreira até aquele momento.

Com quase 30 minutos, o experiente José Callejón, ex-Real Madrid de 35 anos, entrou na partida no lugar de Boyé, fazendo o lado direito do meio-campo. Apenas Puertas ficava mais avançado no time mandante, que se fechava cada vez mais e às vezes tinha uma linha com seis defensores. Neste cenário, o Barcelona rondava cada vez mais a área e incomodava André Ferreira, que defendeu chutes de Gundogan e Gavi, além de ver um chute de Araújo passar muito perto. Oriol Romeu já estava em campo nesse momento, substituindo Yamal e deixando João Cancelo com liberdade para abrir o campo pela direita.

Enquanto o adversário só fez três mudanças, Paco Lopez aproveitou sua vantagem e utilizou as cinco alterações. Na última, o zagueiro Jesús Vallejo, emprestado pelo Real Madrid, entrou no lugar do ala direito Sánchez.

O espaço para o Barcelona empatar com o Granada só viria após uma sucessão de quedas (ou simulações) do Granada aos 40 minutos. Baldé recebeu sozinho na ponta esquerda, cruzou rasteiro e Sergi Roberto apareceu no meio da área para concluir – neste mesmo lance, João Félix se chocou com Vallejo e Callejón, que ficaram caídos no gramado enquanto o Barça marcava. Apesar das reclamações dos donos da casa, o gol foi validado.

A resposta Rojiblanca foi imediata: Gumbal “engoliu” Gavi, roubou a bola e sobrou para Callejón dar para Bryan, sozinho na área. Em busca do hat-trick, o jovem atacante finalizou forte no canto de Ter Stegen e a bola explodiu na trave.

Foram mais sete minutos dos acréscimos, e o Barcelona conseguiu sua virada – em posição irregular. Cruzamento de João Cancelo viajou todo o campo, quicou na pequena área, e chegou em Félix, que cabeceou para às redes. Entretanto, o bandeirinha entendeu que Ferran Torres, impedido no meio da área, participou do lance e assinalou o fora de jogo. O VAR confirmou a decisão.

Ainda aconteceu uma confusão generalizada nos minutos finais, com cartão amarelo para Cancelo, e o placar permaneceu empatado.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius é nascido e criado em São Paulo e jornalista formado pela Universidade Paulista (UNIP). Escreveu sobre futebol nacional e internacional no Yahoo e na Premier League Brasil, além de eSports no The Clutch. Além disso, atuou como assessor de imprensa no setor público e privado.
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