A encruzilhada de Endrick: Qual a melhor decisão para a joia do Real Madrid?
De olho na Copa do Mundo, atacante pode ser terceira opção na equipe e vive indecisão no futuro
A menos de um ano da Copa do Mundo, Endrick precisa tomar uma decisão que impactará sua presença entre os convocados da seleção brasileira. O atacante revelado pelo Palmeiras recebeu poucos minutos no Real Madrid na última temporada e pagou o preço por isso em jogos do Brasil.
Ele chegou a ficar fora de duas convocações por opção técnica do então treinador da Amarelinha, Dorival Júnior, em novembro de 2024 e março deste ano. Na segunda, porém, conseguiu seu espaço após corte de Neymar. Ao mesmo tempo que perdeu espaço, viu Matheus Cunha virar o titular como centroavante da Seleção e João Pedro aumentar seu status com a mudança para o Chelsea.
Na última temporada, com a maioridade recém-completada, momento decisivo para sua evolução física, técnica e tática, o jogador fez apenas quatro jogos como titular entre LaLiga e Champions League nos Merengues comandados por Carlo Ancelotti, agora técnico do selecionado brasileiro.
O ponto fora da curva foi a Copa do Rei, quatro vezes iniciando no time principal e marcando cinco vezes na campanha que terminou com o vice.
Para próxima temporada, Endrick precisa de mais minutos, experiência e, principalmente, retomar a boa fase dos tempos de Palmeiras para chegar no Mundial disputado nos Estados Unidos, Canadá e México, entre junho e julho do próximo ano, na melhor forma possível. Nem que, para isso, precise deixar o Santiago Bernabéu.
A Trivela analisou neste artigo os possíveis caminhos do jovem de 19 anos, neste momento com uma lesão que deve tirá-lo do início dos jogos de 2025/26.
Primeira temporada de Endrick no Real Madrid
- 37 jogos (oito como titular), 845 minutos jogados (média de 22,8 por partida) e sete gols

Qual o melhor destino para Endrick?
Permanência no Real Madrid pode repetir temporada passada
Mesmo que o técnico tenha mudado, Endrick pode enfrentar o mesmo cenário de 2024/25. Isso porque o Real Madrid continuará tendo no time titular o trio intocável Vinicius Júnior, Mbappé e Bellingham, que faz até Rodrygo considerar uma saída.
A cria do Palmeiras, então, seria o substituto direto do camisa nove francês, mas nem isso é garantido. Enquanto o brasileiro estava lesionado na disputa do Mundial de Clubes, Gonzalo García, da base madrilenha e com forte apelo na mídia espanhola, aproveitou um problema físico do centroavante titular para brilhar com quatro gols e uma assistência em seis jogos.
Na última partida da competição, Xabi Alonso preferiu até que o jovem espanhol não perdesse o embalo da boa fase e o escalou junto de Mbappé — o Real perdeu do PSG por 4 a 0.
Em reta final da recuperação de uma lesa na coxa direita, Endrick até se juntou ao elenco do time a partir das oitavas de final da competição, mas não chegou a ser relacionado e agora sabe-se que seu problema físico se agravou nesse período nos Estados Unidos. Perguntado sobre o atacante no meio da Copa do Mundo de Clubes, Alonso deu resposta diplomática.
— Estou feliz com o Endrick. Está se recuperando, mas é claro que contamos com ele. Sobre as decisões, pensando no planejamento do elenco, ainda não estamos neste momento. As decisões tomaremos posteriormente — respondeu o técnico.
💢 Mais um concorrente para Endrick?
— Trivela (@trivela) June 28, 2025
Ascensão de jovem espanhol durante Mundial teria deixado brasileiro nervoso, diz jornal #mundialtrivela https://t.co/Od6hfBLTKu
Com Mbappé se mantendo como o centroavante titular dos Merengues e García como substituto direto em 25/26, a cria da Academia pode ter ainda menos tempo em campo do que no último ano.
Se tiver essa leitura de perder espaço no time, sobra a ele uma saída, mesmo que por empréstimo, para se manter vinculado ao maior clube do mundo e podendo se destacar para voltar ao Santiago Bernabéu na outra temporada. Será ao jovem também uma prova de humildade em aceitar um passo atrás na carreira para conseguir se firmar na Europa.
Fora do Big Six, há espaço para Endrick na Inglaterra
Ao analisar os seis principais times da Inglaterra, a posição de centroavante está bem servida em cinco deles, seja por nomes que já estão lá (Manchester City e Tottenham) ou outros que acabaram de chegar (Arsenal, Liverpool e Chelsea). O Manchester United, precisando elevar o ataque, autor da pior marca de gols em 50 anos no Campeonato Inglês na última temporada, não trará Endrick pela necessidade de um nome consolidado.
Nos times logo abaixo do Big Six, porém, o brasileiro poderia se encaixar. O Brighton, por exemplo, é um exemplo de potencializar jovens na Inglaterra e acabou de perder dois atacantes, incluindo o compatriota João Pedro, alvo de três convocações enquanto esteve no modesto time.
O atacante ex-Palmeiras poderia chegar e rapidamente se tornar titular na melhor liga do mundo pela concorrência abaixo, podendo se provar e sem precisar atuar em um time que não seja competitivo.
Os Seagulls terminaram em oitavo na última Premier League e venceram, no primeiro ou segundo turno, cinco dos seis maiores times (no caso de United e Tottenham foram duas vitórias), com exceção do Arsenal, que empatou duas vezes.

A questão para Endrick seria aceitar não ter competições europeias a disputar, o que também se prova em outros cenários abertos no momento que o jovem poderia atuar.
Newcastle ou Aston Villa seriam opções em caso de saída dos titulares
Existem dois locais na Inglaterra que podem se abrir para o atacante brasileiro a depender do mercado de transferências.
O Newcastle, que disputará a próxima Champions, pode perder o camisa nove titular, Isak, para o Al-Hilal e o reserva Callum Wilson acabou de deixar o time, enquanto o alvo para substituir a posição, Hugo Ekitiké, foi para o Liverpool.
Já o Aston Villa, presente na Liga Europa 25/26, tem visto o interesse por Ollie Watkins crescer e não tem um reserva direto desde a saída de Jhon Durán em janeiro deste ano.
Serie A italiana tem potências sem centroavantes
No futebol italiano, em prateleira abaixo da Inglaterra e pouco observado pela Seleção, Endrick despertou interesse de Juventus e Fiorentina, segundo a mídia local. A Velha Senhora já tem um nove contratado, Jonathan David, e a Viola está em um patamar abaixo. Então, há duas opções melhores considerando os elencos atuais e contextos.
O Milan, desde a saída de Olivier Giroud há mais de um ano, tem problemas na camisa nove. Emprestado pela Roma, Tammy Abraham não cumpriu as expectativas e já saiu. O mexicano Santiago Giménez chegou em janeiro por altas cifras, mas ainda não replicou o nível que tinha no Feyenoord.
O brasileiro poderia aproveitar essa vacância no centro do ataque como titular, se contratado pelo clube rossonero. O time, no entanto, também não terá competições europeias a disputar em 25/26.

Diferente de Brighton e Milan, a Atalanta estará na próxima Liga dos Campeões e precisa, mais do que nunca, de um centroavante. O titular Mateo Retegui partiu para o Al-Qadsiah, da Arábia Saudita, e Gianluca Scamacca ainda busca retomar o ritmo após duas graves lesões.
O clube de Bergámo, porém, viu por anos Éderson se destacar para receber pouquíssimas chances com a Amarelinha. O meio-campista foi convocado por seu país apenas quatro vezes e jogou três partidas, sendo só uma como titular. Endrick, mesmo sempre no radar da Seleção por ser uma dos maiores do Brasil, pode pensar nisso em caso de proposta.
PSV: um passo ainda mais atrás na carreira, mas com histórico brasileiro positivo
O PSV foi apontado como um dos interessados no empréstimo do atacante do Real Madrid, além do Olympique de Marseille, segundo o programa de TV espanhol “El Chiringuito”. Na comparação entre os dois times, faz mais sentido a escolha pela Holanda, visto que o clube francês trouxe Aubameyang.
A equipe de Eindhoven é definitivamente inferior a todos os times da lista e joga um futebol de menor intensidade e menos visto que os demais. Uma ida de Endrick para lá seria um retrocesso muito maior na carreira.
Mas há uma magia envolvida com jogadores brasileiros que pode pesar. Há mais de 30 anos, Ronaldo e Romário brilharam pela primeira vez no futebol europeu por lá. Mais recentemente, no rival Ajax, Antony e David Neres foram vistos pela seleção brasileira, convocados quatro e três vezes, respectivamente, enquanto estiveram na Holanda.
Igor Paixão, do Feyenoord, se destaca há tempos e recebe apelos nas redes sociais para aparecer na lista de convocados, mas só pintou em pré-convocações de Dorival Júnior e Carlo Ancelotti.

Como Endrick estará sempre entre os monitorados mais de perto pela comissão técnica do Brasil, se destacar no PSV poderia significar uma presença certa na Seleção. E no time vermelho e branco há um ótimo contexto pela valência ofensiva do time.
Somadas as duas últimas temporadas, a equipe de Peter Bosz marcou 284 gols. O centroavante Luuk de Jong, agora fora do clube com o fim do contrato, foi responsável por 56 desses tentos. Após eliminar a Juventus e cair nas oitavas na última Champions, eles estarão novamente na principal competição europeia, o que pode ser um atrativo para Endrick.
A ver se a lesão do brasileiro, que vai tirá-lo entre oito a dez semanas, pode afetar uma transferência, já que a janela fecha em 1º de setembro. A decisão neste período de mais de um mês será decisiva para o atacante se colocar para Ancelotti como um selecionável e quem sabe ser o dono de uma posição que há muito tempo não tem uma unanimidade no Brasil.



