Ficar no Real Madrid ou novos caminhos: Qual a melhor decisão para Rodrygo?
Brasileiro seria titular na maioria dos times de ponta do mundo. Mas onde ele encaixa -- e quem precisa dele de fato?
Rodrygo vive uma situação delicada. Tem sido colocado como negociável pelo Real Madrid e vive com declarações mistas de Xabi Alonso sobre sua estadia. Sem espaço como um dia já teve, virou alvo do Arsenal, mas não só.
O brasileiro tem um dilema na janela de transferências: ficar no Real Madrid e tentar recuperar espaço? Aceitar uma transferência para o Arsenal? Tentar espaço em outro gigante com grande concorrência? Ou “se rebaixar” para assumir protagonismo em um clube de menos poder? A Trivela analisa os melhores cenários para o atacante.
Rodrygo não encaixa no Real Madrid?
Desde que chegou, em 2019, o ex-jogador do Santos tem sido impactante no Real Madrid. Apenas Benzema e Vinícius Júnior participaram de mais gols pela equipe desde então, e sua média de minutos por envolvimento em gol é a terceira melhor do elenco, atrás apenas de Vini e Jude Bellingham.
Dessa forma, é inegável que Rodrygo encaixa bem no Real Madrid. No entanto, com Xabi Alonso, cria-se a dúvida: onde jogará caso o espanhol use seu esquema de 3-4-2-1? E mesmo se não usá-lo, onde o brasileiro está na hierarquia?

Vini, Bellingham e Kylian Mbappé são o foco do projeto merengue no ataque. No meio, Arda Güler tem pedido passagem e recebeu até mesmo novas funções com Xabi. Mais à frente, Gonzalo García tem sido um dos principais nomes do Mundial de Clubes e pode ganhar mais espaço.
Com um ou dois jogadores a menos no Real Madrid, Rodrygo seria titular incontestável. A realidade, por mais infeliz que possa ser para o camisa 11, é que ele não terá o mesmo espaço que um dia já teve com Carlo Ancelotti — que, inclusive, o colocou “fora de posição” para conseguir encaixá-lo.
O Menino da Vila é simplesmente bom demais para ser a peça que se sacrifica para os demais brilharem. Não por ego, mas por perspectiva de carreira a médio e longo prazo, talvez seja benéfico para Rodrygo se despedir do Santiago Bernabéu.
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Bayern e Real Madrid ainda são cenários positivos, um melhor do que o outro
Ficar no Real Madrid é uma opção para o brasileiro, mesmo que não seja a melhor. Fatalmente ainda teria minutos, mesmo que menos, e poderia ganhar a confiança de Xabi Alonso para que o espanhol quebrasse a cabeça com suas opções.
No 3-4-2-1 embrionário do Mundial, Xabi tem colocado Vinícius Júnior e Bellingham como os meias atrás de García. Isso vai mudar na volta à Espanha: Mbappé deve voltar efetivamente, enquanto o inglês passará por cirurgia no ombro e perderá o início da campanha em LaLiga e na Champions League.
Somado ao fato de que Luka Modric deixará o clube e Aurélien Tchouaméni virou zagueiro, são duas vagas abertas na primeira linha de meias. Com Alonso, Güler, curiosamente, se tornou o meia dinâmico e criativo no lugar de Modric ao lado de Federico Valverde, que já foi usado na direita anteriormente, mas deve seguir como meio-campista. Ou seja, menos competição para Rodrygo nas posições mais avançadas.
🇧🇷 ¡RODRYGO G⚽LES!
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Há um cenário em que Rodrygo fica no Real Madrid e ainda é importante, mas é difícil enxergar uma situação em que o brasileiro se destaca ao ponto de se tornar titular independente de quem esteja disponível. Ele claramente encaixa como um dos meias atrás do centroavante, em uma espécie de “Florian Wirtz” que Xabi tinha no Leverkusen.
No entanto, ir ao Bayern de Munique também pode ser uma opção a ser considerada. Os bávaros seguem em busca de um ponta pela esquerda que seja versátil e criativo — tanto que queriam Wirtz antes do alemão ir ao Liverpool. Rodrygo é um ótimo nome e faz sentido.
O time de Kompany joga em 4-2-3-1, e seu meia ofensivo deve ser Jamal Musiala (que vai demorar alguns meses para se recupera de nova lesão), com a saída de Thomas Müller. Na ponta-esquerda, Kingsley Coman e Serge Gnabry disputam a posição, e a direita, que não é a preferência de Rodrygo, é dominada por Michael Olise.
Rodrygo é um jogador muito parecido com Musiala — que, mais novo e identificado com o clube, seria a primeira opção. Isso faria com que seu lugar fosse efetivamente na esquerda, que já conta com dois jogadores importantes para a equipe. No entanto, a lesão do jovem meia pode mudar os planos.
Musiala sofreu uma grave lesão na partida contra o PSG, pelo Mundial de Clubes, e deve ficar de fora dos gramados por pelo menos quatro meses. Com a vaga aberta, Rodrygo seria o nome ideal para assumir a posição sem perder as mesmas características e desempenho do jovem alemão.
Caso seja visto mais como ponta-esquerdo, o brasileiro é superior a Gnabry e, apesar do estilo semelhante a Coman, é mais completo ofensivamente, apesar do francês produzir muito no Bayern. Rodrygo também se apoiaria no fato de que Coman tem constantes problemas com lesão e de fato seria titular na equipe.
Ir ao Bayern seria positivo, sem dúvidas. Se vencer uma disputa pela posição que tende ao seu lado, por mais que incerta, jogaria com frequência, teria embates de alto nível, provavelmente seria campeão nacional e brigaria pela Champions. Chegaria bem à Copa do Mundo de 2026.
Arsenal: a melhor opção

O Arsenal, principal clube interessado no brasileiro nos últimos meses, é possivelmente o melhor encaixe. Seria um dos protagonistas da equipe, equilibraria o perigo gerado no ataque dos Gunners pelos dois lados e pelo meio, e é simplesmente uma contratação que faz sentido para o modelo de jogo.
Rodrygo é um ponta-esquerdo melhor do que Gabriel Martinelli, isso já vale o argumento para o Arsenal contratá-lo. É mais eficaz em duelos individuais, gera mais perigo com conduções e tabelas, e é um criador melhor. Seria um upgrade à posição.
No modelo de Mikel Arteta, o Arsenal teve dificuldade em progredir pelo meio — foi o pior time da Premier League na última temporada em passes progressivos pelo meio (3,7 por jogo, segundo o banco de dados do MyGamePlan).
Pela forma como o Arsenal constrói, um dos laterais, geralmente o esquerdo, inverte e assume a posição ao lado do volante. Com isso, os meias tendem a abrir para as laterais e criar linhas de passe curtas e diagonais. Isso abre o espaço no meio, que fica sem ser preenchido — uma vez que os pontas estão sempre na amplitude.
Com isso, a construção do Arsenal tende aos lados em vez do meio, e a bola chega às laterais rápido. Isso pode ser positivo com um ponta com grande capacidade de criar com enfrentamentos individuais, mas também permite que o adversário se feche e bloqueie opções pelo meio com superioridade numérica.

Com Rodrygo, a construção do Arsenal pode mudar. O brasileiro é versátil o suficiente para ser igualmente impactante entrelinhas como é na ponta, e pode progredir com dribles e tabelas para criar chances — enquanto Martinelli, por característica, é mais “limitado” ao corredor lateral.
Além disso, a chegada de Martin Zubimendi também dá outras opções para a construção dos Gunners. Um volante que consegue se desvencilhar da pressão nas costas e dar passes que quebram as linhas, isso permitiria que ao menos um dos meias pudesse ficar entrelinhas e dividir a atenção da marcação com Rodrygo, que poderia, então, ocupar os melhores espaços no campo.
Há encaixe, mas não necessidade
Rodrygo é bom o suficiente para ser titular na grande parte dos clubes do mundo. Em muitos deles, no entanto, simplesmente não há a necessidade de desembolsar praticamente 100 milhões de euros ao contratar para uma posição em que já estão bem servidos.

O Manchester City, por exemplo, seria um encaixe perfeito para o brasileiro, principalmente se Pep Guardiola mantiver as ideias do Mundial de Clubes: pontas com mais liberdade, caindo por dentro e criando com dribles. Mas o City não precisa de mais um jogador para essa posição.
Jeremy Doku e Savinho, pontas, foram os principais destaques do time no Mundial, e outros diversos meias e atacantes versáteis podem trocar de posição nas escalações de Guardiola. Rayan Cherki, Phil Foden, Omar Marmoush, Bernardo Silva, Claudio Echeverri e Oscar Bobb são todos jogadores que podem ocupar a mesma posição que o brasileiro. Isso não quer dizer que são melhores que ele, mas que não há porque adicionar mais um.
O mesmo se aplica ao Paris Saint-Germain. Sair para o atual campeão da Champions League e possivelmente o melhor time do mundo em termos de desempenho seria como “cair para cima”. Mas o PSG também não precisa efetivamente de Rodrygo.
Khvicha Kvaratskhelia, Ousmane Dembélé, Désiré Doué e Barcola são praticamente quatro titulares para três posições, e todos performaram em nível muito parecido na última temporada. Gonçalo Ramos e Marco Asensio são outros que podem aumentar a concorrência, por mais que estejam a uma prateleira abaixo.
O Chelsea cairia como uma luva para Rodrygo e o brasileiro seria protagonista no clube. Mas os Blues já têm incontáveis jogadores para sua posição, seja na ponta-esquerda ou no meio. E é um clube que tem gastado muito com outros reforços. Há encaixe, mas não faria sentido com a realidade.

No Liverpool, seria uma ótima opção se não fosse a chegada de Wirtz. Além do alemão, competiria também com Luis Díaz (que pode sair), Cody Gakpo e Dominik Szoboszlai, pelo menos. Além do fato dos Reds terem gastado grandes quantias com seus reforços da temporada — não precisam de Rodrygo.
Uma opção menos animadora e que sempre existe é “rebaixar a carteira”. Diversos clubes com menos poder no cenário europeu seria ótimos encaixes para Rodrygo, mas o jogador teria que se contentar com, possivelmente, um salário menor e menos visibilidade.
Um casamento com o Olympique de Marselha, por exemplo, seria a combinação mais animadora possível. Seria o astro de um time muito habilidoso, ofensivo e treinado por um técnico que o melhoraria como jogador, Roberto De Zerbi. Mas é improvável pensar em um atleta deste calibre fazendo esse tipo de movimento no mercado.
Apesar de gigantesca, a Juventus também seria um passo para trás. É um time com jovens promissores e um modelo de jogo interessante, e Rodrygo encaixaria bem como um dos meias com liberdade atrás do atacante no 3-4-2-1 de Igor Tudor. Mas a Juve sequer confia o suficiente em Tudor para traçar um plano a médio prazo.
A Inter é outra incógnita na Itália, enquanto o Napoli seria um encaixe curiosamente interessante, onde Rodrygo poderia assumir a posição de Giacomo Raspadori, na esquerda. Mas dificilmente os campeões da Serie A poderiam pagar pelo brasileiro e, novamente, não necessariamente precisam de uma reposição para a posição, apesar de claramente ser um upgrade caso acontecesse.
Muitas vezes, esse é o ônus da vida de um bom jogador do Real Madrid. Se perder espaço, há um limbo: muito provavelmente seu próximo passo vai ser para trás. Mas, se chegar nesse ponto, às vezes um passo atrás pode levar a muitos outros para frente.
— Rodrygo Goes (@RodrygoGoes) July 1, 2025



