Espanha

Caso Rubiales: Jenni Hermoso poderá, enfim, dar a sua versão em depoimento à Justiça espanhola

Investigação sobre assédio sexual de Rubiales terá depoimento de Jenni Hermoso, que foi a vítima, no fim do mês

A jogadora Jenni Hermoso falará oficialmente pela primeira vez sobre o incidente de Luis Rubiales na final da Copa do Mundo Feminina, quando o então presidente da Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF) a beijou na entrega de medalhas. No dia 28 de novembro, a jogadora dará o seu depoimento ao Ministério Público da Espanha e contará a sua versão do que aconteceu naquele dia, quando a Espanha conquistou o título de campeã do mundo na Austrália.

Em termos esportivos, Rubiales foi suspenso preventivamente pela Fifa em agosto. Dois meses depois, a Fifa definiu uma punição que fosse além da temporária: suspendeu Rubiales por três anos de qualquer atividade relacionada a futebol. A esta altura, Hermoso já tinha entrado com um processo por assédio sexual contra Rubiales.

Inicialmente, a jogadora solicitou que o depoimento fosse feito via videoconferência, mas as autoridades insistiram que fosse feito pessoalmente, pelo seu depoimento ser como vítima do caso. Hermoso atua no Pachuca, do México, e, portanto, vive e trabalha em outro continente. Até por isso demorou para que ela pudesse dar o seu depoimento. 

Foi depois do fim da competição que ela disputava que a jogadora ofereceu datas para o Ministério Público. As datas coincidem também com a convocação para a seleção espanhola, que terá uma data Fifa do futebol feminino.

A investigação sobre o caso começou em setembro, logo após o fim da Copa do Mundo Feminina. Restam poucos processos na investigação, assim como o depoimento da jogadora Laia Cordina, que foi adiado e ainda não tem uma data para acontecer. No início da investigação, foram tomadas declarações dos diversos envolvidos e, agora, os investigadores querem confrontar as diversas versões com a da própria jogadora.

Investigação trata de agressão sexual e também coação

A investigação trata de um caso de assédio sexual, mas que pode acabar sendo qualificada de outra maneira. Há também investigação por coações que Rubiales e pessoas do seu entorno fizeram sobre Hermoso para que ela saísse em público para desmentir qualquer problema. 

Rubiales não é o único investigado no caso. Além dele, constam no inquérito Albert Luque, diretor da seleção masculina, Rúben Rivera, responsável pelo marketing da Federação, e o técnico da seleção feminina naquele momento, Jorge Vilda. 

Segundo depoimentos que deram o irmão de Hermoso e uma amiga próxima, todos os indicados participaram de um modo ou de outro das pressões sobre a jogadora. Todos eles negaram envolvimento e também negaram terem recebido instruções para isso de Rubiales.

Segundo as investigações, as pressões sobre Hermoso começaram já na saída do estádio, após a final. Segundo informações que o Ministério Público possui no momento, no ônibus Hermoso já foi pressionada a autorizar a divulgação de um comunicado que colocava palavras em sua boca. O comunicado foi divulgado e a jogadora negou que tenha dado qualquer declaração. Só que foi além disso.

Segundo depoimentos colhidos pelo Ministério Público junto a jogadoras da seleção espanhola, Alexia Putellas, Misa Rodríguez e Irene Rodríguez, a coação a Jenni Hermoso continuou na viagem de comemoração do título. As jogadoras foram para Ibiza e, segundo as colegas de Hermoso, ela continuou sendo coagida para se pronunciar publicamente em defesa de Rubiales.

Outro depoimento importante foi de Patricia Pérez, chefe de imprensa da seleção espanhola feminina, que tirou um mês de férias após a Copa do Mundo, e, quando retornou, também foi pressionada a emitir comunicados em favor de Rubiales. Pérez denunciou o caso ao Compliance da Federação Espanhola. Rubiales continuava alegando que não tinha culpa alguma e tudo foi um mal-entendido, que foi uma brincadeira entre amigos.

O depoimento de Jenni Hermoso deve ser a parte final da investigação, que pode fazer com que Rubiales tenha que pagar também do ponto de vista criminal por assédio sexual. As punições esportivas já aconteceram, mas ainda falta a punição pelo ato em si do ponto de vista criminal.

Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.
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