Copa do Mundo

Um capitão eleito pelos seus: Valverde vira referência em um Uruguai sem Suárez e cia

Sem Suárez e Cavani, ídolos de uma geração inesquecível do Uruguai, Valverde vira capitão e referência sob comando de Marcelo Bielsa

Marcelo Bielsa deixou toda uma nação boquiaberta, atônita, sem palavras, ao anunciar as suas listas de convocados para a seleção uruguaia sem Edinson Cavani e Luis Suárez. Uma prova de que o argentino chamado de “El Loco” honra até hoje, aos 68 anos, o apelido que o consagrou no futebol mundial. A decisão seguinte não seria menos importante para o recém-chegado do que preterir os dois grandes ídolos de 3,5 milhões de uruguaios. Era preciso definir o novo capitão da Celeste. Novamente, o treinador seguiu um caminho não ortodoxo. Mas dessa vez, bem mais sensato.

O argentino recém-chegado delegou aos seus jogadores que eles próprios escolhessem quem vestiria a braçadeira bicampeã do mundo. A decisão seria acatada sem qualquer contestação. E foi assim que Federico Valverde virou o capitão da seleção uruguaia. Um capitão eleito pelos seus.

O volante estreou com a braçadeira que por muito tempo foi de Diego Godín e que agora é sua na vitória por 3 a 1 sobre o Chile, na primeira rodada das Eliminatórias da Copa do Mundo de 2026. Ele fez um dos gols, e a faixa de capitão não saiu mais de seu braço desde então. Uma honra para a qual faltam palavras, até mesmo para quem cansou de empilhar títulos com a camisa do Real Madrid, o clube mais vencedor do mundo.

“A comissão técnica pode te escolher, mas quando é o grupo quem te escolhe, é mais confortável e muito mais lindo. Porque demonstra o que você é para o elenco, para os companheiros. Isso para mim foi muito especial Isso é o mais lindo que eu vivi na minha vida no futebol. Ser essa imagem, a referência. O primeiro a ir para o gramado com todos te olhando”. (Federico Valverde, sobre ser capitão do Uruguai

 

Valverde lidera um Uruguai revigorado

Sem as figuras históricas de Cavani e Suárez, Valverde é o nome mais importante da seleção uruguaia que enfrenta o Brasil nesta terça-feira (17), às 21h (horário de Brasília), no Centenário, em Montevidéu, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2026.

Um nome que, aliás, vale 1 bilhão de euros, previstos como multa rescisória em seu novo contrato com o Real Madrid. O tímido garoto vindo do Peñarol que chegou ao Real Madrid Castilla em 2017, com 19 anos, hoje é o presente e o futuro do meio-campo madridista ao lado de Eduardo Camavinga e Jude Bellingham.

Mas é no Uruguai que Valverde exerce a liderança como grande referência da equipe. Com as ausências de Muslera, Godín, Suárez e Cavani, a média de idade da Celeste despencou na lista de convocados para esta Data Fifa. Mesmo sem representantes da equipe campeã do Mundial Sub-20 deste ano, a seleção do Uruguai tem média de 25 anos para os jogos contra Colômbia e Brasil.

Uruguai
Valverde, com De La cruz pelo Uruguai Foto: Divulgação/Uruguai

Vestir a faixa também significa estreitar relações com Bielsa, depois de uma primeira conversa que o deixou mais nervoso do que disputar uma final de Champions League pelo Real Madrid. Em entrevista ao Ovación, caderno esportivo do jornal El País, o capitão contou que suas charlas com o treinador são sempre claras e diretas e se arrastam por horas falando sobre futebol.

– Ele não me pediu para mudar muita coisa do que faço no Real Madrid. Mas insistiu para que eu não deixe de fazer isso pelo Uruguai. Cortar os espaços, dar intensidade, entregar o que a cada dois ou três dias eu faço no Madrid – disse o volante.

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Suárez é referência para Valverde

Valverde segue uma linhagem de capitães com quem conviveu em seus dias pela Celeste. O volante herdou a braçadeira de Diego Godín. Mas é o número 2 na antiga hierarquia que serve de exemplo para o novo capitão. Luis Suárez é uma referência para o jogador do Real Madrid não apenas pelo que fez pela seleção, mas por ter voltado ao Nacional seu clube do coração, no ano passado.

– Um claro exemplo do que é uma referência, e é isso o que ele é no Nacional, é Luis. Deixou uma imagem que muitos jogadores poderiam copiar, que foi ter voltado ao clube do coração. Eu gostaria de chegar ao Peñarol e poder demonstrar isso. Tem que aproveitar essa imagem, e tomara que eu seja um desses casos. Eu gostaria de jogar no Penãrol, mas não estar de passagem, não ser uma carga econômica ou esportiva – disse o capitão.

Vini Jr e Rodrygo que se cuidem

Nesta terça-feira, Valverde já sabe a missão que lhe aguarda no Centenário será árdua. O volante tentará parar Vini Jr e Rodrygo, seus companheiros de Real Madrid. E olha… ele promete que os dois não terão vida fácil em Montevidéu.

– Os estou cagando de pancadas nos treinos, e eles não se cansam. Esses dois voam – disse, aos risos, na entrevista ao Ovación.

Brasil e Uruguai se enfrentam nesta terça-feira (17), às 21h (horário de Brasília), no Centenário, pela quarta rodada das Eliminatórias da Copa do Mundo de 2026. A Seleção está na vice-liderança, com sete pontos. Tem três a mais que a Celeste, que aparece em quarto, com quatro pontos.

Foto de Eduardo Deconto

Eduardo DecontoSetorista

Jornalista pela PUCRS, é setorista de Seleção e do São Paulo na Trivela desde 2023. Antes disso, trabalhou por uma década no Grupo RBS. Foi repórter do ge.globo por seis anos e do Esporte da RBS TV, por dois. Não acredite no hype.

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