Tim Vickery: ‘As pessoas falam que a essência do futebol brasileiro é o drible, mas eu tenho outra visão’
Programa debateu estreia do Brasil na Copa do Mundo, após empate com Marrocos
O empate do Brasil com a seleção de Marrocos na estreia da Copa do Mundo foi debatida no canal da Trivela no Youtube, com os colunistas Tim Vickery e Allan Simon. A atuação criticada da seleção brasileira no primeiro passo de sua campanha no Mundial, claro, foi o centro da conversa, que também discutiu os outros jogos.
Seleção brasileira tem exposta sua dificuldade no meio-campo
A atuação da seleção brasileira irritou os torcedores. Gerou pedidos de troca de titulares e questionamentos sobre os vários problemas no estilo de jogo da Canarinho. Saída de bola falha, marcação frouxa e pouca criação de oportunidades de gol foram algumas das falhas da equipe.
Para Vickery, um dos principais desafios do Brasil passa pela melhora do meio-campo, setor que tem cobrado um preço alto para a equipe.
— O futebol brasileiro acho que vai pagar o preço durante um tempo, por um jogo conceitualmente ruim no meio-campo. Eu estou batendo nessa tecla há quase 30 anos — , afirmou.
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Ainda na visão do jornalista inglês, historicamente a Seleção tinha como essência a construção das jogadas no setor, possibilitando o controle do jogo. Para ele, essa era a verdadeira essência do futebol nacional.
— Essa coisa de essência do futebol brasileiro, às vezes eu acho um pouco cansativo. Mas quando as pessoas falam em essência do futebol brasileiro, sempre falam no drible. Eu tenho outra visão. Para mim, a essência do futebol brasileiro foi ter os melhores passadores da bola na faixa central de meio-campo, gerenciando o jogo –, explicou o comentarista.
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Marrocos assimilou característica brasileira
Vickery ainda explicou que a característica que teria marcado o Brasil teria sido assimilada pelos próprios marroquinos e passou a ser utilizada contra a Seleção na partida de estreia do Mundial.
— Eu ouvi muitos comentários, internacionalmente: ‘Marrocos parece o Brasil dos velhos tempos, fazendo triangulação’. Então, o Brasil abriu mão de jogar bem no meio-campo e isso é uma questão — destacou.
O colunista também pontuou a dificuldade brasileira em elaborar as jogadas, fator que tem se repetido também na Era Ancelotti. Isso porque, no primeiro tempo, a Seleção priorizava aceleração e verticalidade.
Essa escolha resultou, na partida contra o Marrocos, em um empate tenso, com direito a irritação por parte do técnico italiano. Os Leões de Atlas chegaram a fechar o meio-campo e pressionar forte, dificultando a chegada ao gol por parte do Brasil.
— Dói em mim ver o Brasil com tantas dificuldades para elaborar um jogo de meio de campo, porque na minha concepção de essência de futebol brasileiro, inicia lá. O driblador até ganha espaço, mas justamente porque o meio-campo trocou passes e criou espaço para ele — finalizou Vickery.