Copa do Mundo

Debate sobre Endrick na Seleção é completamente justo, mas evidencia questões da torcida

Jovem atacante ficou no banco de reserva em toda a estreia do Brasil na Copa do Mundo

Após a estreia da seleção brasileira na Copa do Mundo, empate em 1 a 1 com Marrocos, uma das maiores críticas a Carlo Ancelotti tem a ver com um jogador que não entrou em campo. Endrick, que assistiu do banco de reservas a toda a partida, ganhou os holofotes nas redes sociais, seja por imprensa ou torcedores, pedindo mais tempo em campo para o jovem de 19 anos.

O técnico italiano optou por colocar Luiz Henrique como ponta direita e Matheus Cunha como meia entre as opções ofensivas na partida, além de mudanças no meio-campo e na lateral com as entradas de Danilo Santos, Fabinho e Danilo.

O atacante ex-Palmeiras, conhecido por sua estrela e poder decisivo, tem um enorme apelo com o público brasileiro, um movimento que, ao mesmo tempo que é justo, evidencia dois fatores da torcida do Brasil.

Brasil precisa de um ídolo e enxerga Endrick assim por brilho aqui

"Endrick é o novo Pelé", diz cartaz de torcedor brasileiro em jogo da Copa do Mundo
“Endrick é o novo Pelé”, diz cartaz de torcedor brasileiro em jogo da Copa do Mundo (Foto: Rodolfo Buhrer/AGIF/Sipa USA/Icon Sport)

Vinicius Júnior não teve tempo de vencer títulos e ser tão decisivo no Flamengo quando estreou no profissional. Raphinha e Cunha saíram do Brasil direto da base. Igor Thiago não tinha amadurecido ainda em um contexto conturbado no Cruzeiro antes de brilhar na Europa.

Endrick, por outro lado, teve o cenário perfeito para mostrar seu talento em seu país. O garoto que, aos 17 anos, conduziu o Palmeiras a uma das maiores viradas da história do futebol nacional e conquistou o Brasileirão de 2023 como o principal craque. Ele subiu ao profissional como, provavelmente, a maior joia brasileira desde Vini Jr. Provou, no Brasil, mais do que o ex-Fla, mas sua ida à Europa ainda precisa de mais tempo.

O apelo pelo jovem, que, com só dois jogos como titular na seleção brasileira, tem quatro gols, também expõe como a seleção brasileira sente a falta de um ídolo. Nenhum dos atacantes atuais, pelo menos com a Amarelinha, deu motivos para preencher essa lacuna.

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Atacante ex-Palmeiras atropela concorrentes em média

Endrick precisou de apenas 489 minutos para marcar quatro gols, média de um gol a cada 122,2 minutos. Se comparar com seus concorrentes de posição, fica difícil defendê-los.

Melhor do mundo em 2024 pelo Real Madrid, Vinícius Júnior, que tem feito bons jogos e sido mais protagonista com o Brasil desde março, soma apenas oito gols pela Seleção desde 2023, quando teve 2338 minutos (média de 292,2).

Para Raphinha, a média é quase igual, 292 (seis gols em 1752 minutos); no caso de Matheus Cunha, que somou jogos no ciclo como meia e falso nove, é de 728 minutos (só tem um gol). Igor Thiago, com dois gols de pênalti, estreou com o Brasil em março e já soma o mesmo número de jogos como titular que Endrick, que estreou dois anos antes.

Endrick e Raphinha após Brasil x Marrocos
Endrick e Raphinha após Brasil x Marrocos (Foto: IMAGO / Ball Raw Images)

Endrick é decisivo pela seleção brasileira e merece apelo

O jovem de 19 anos, nas poucas chances que teve, mostrou um enorme poder decisivo e estrela. Todos os seus gols ou participações garantiram vitórias ou empates e sempre ocorreram depois de sair do banco de reservas. Ele merece o apelo da torcida e da imprensa.

Em sua estreia com a Amarelinha, fez o gol solitário em triunfo sobre a Inglaterra, em Wembley. Na sequência, no Santiago Bernabéu, marcou um no empate em 3 a 3 com a Espanha, que seria campeã europeia meses depois. Ainda em 2024, cravou no último minuto contra o México, confirmando vitória por 3 a 2.

Depois da mudança para o Real Madrid, com os poucos minutos que recebeu em um ano e meio, perdeu espaço no Brasil e só o retomou em março de 2026, quando brilhava no empréstimo ao Lyon.

Após não ganhar nenhum minuto no amistoso contra a França e ter a indicação de que poderia não ir para a Copa do Mundo, entrou faltando 14 minutos frente à Croácia, sofreu um pênalti e deu uma assistência que transformaram o empate em 3 a 1.

Na “marra”, chegou à Copa e na preparação conseguiu brilhar de novo, marcando o gol que garantiu a vitória sobre o Egito ao entrar no intervalo da partida.

Às vezes, Endrick nem é tão participativo. O próprio jogo contra os egípcios não foi brilhante, com apenas 17 toques na bola. Mas, quando a bola chegou, ele marcou em um mesmo jogo em que Igor Thiago perdeu duas chances na cara do gol.

O atacante do Brentford ganhou a titularidade novamente na estreia da Copa, mas, novamente, o que mais chamou atenção foram suas oportunidades desperdiçadas.

Ancelotti não quis explicar a razão de não usar Endrick, destacando que não comenta individualidades. O técnico confirmou que, a depender do adversário, o time titular pode ter mudanças e que a ideia é aproveitar ao máximo ao elenco.

O conservadorismo com o jovem parece uma tentativa de preservá-lo por sua idade, como fazia Dorival Júnior, comandante da Seleção entre 2024 e 2025. A questão é que o atacante já se mostrou acima da convenção normal de uma promessa que, sentindo a pressão, precisa de tempo para se adaptar e se firmar. Endrick tem a personalidade para ser titular em uma Copa do Mundo. A ver se o italiano mudará de ideia.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius AmorimRedator

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.

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