Copa do Mundo

Costa do Marfim e Equador apostam em defesas fortes para estrear com vitória na Copa do Mundo

Africanos chegam embalados por uma campanha dominante nas eliminatórias, enquanto equatorianos ostentam uma longa sequência sem derrotas

Costa do Marfim e Equador se enfrentam neste domingo (14), às 20h (horário de Brasília), pela primeira rodada do Grupo E da Copa do Mundo de 2026. As duas seleções sonham em avançar ao mata-mata e sabem da importância de estrear com vitória em uma chave que também conta com a favorita Alemanha e a estreante Curaçao.

A Costa do Marfim volta a disputar uma Copa do Mundo depois de 12 anos de ausência. Já o Equador chega após uma excelente Eliminatória Sul-Americana, em que se classificou em segundo, na frente de Colômbia, Uruguai e Brasil.

Este será o primeiro encontro entre as duas seleções na história do futebol, e será logo em um palco gigante como o da Copa do Mundo.

Costa do Marfim tenta afastar fantasma em 2026

A Costa do Marfim não disputava um Mundial desde 2014 e agora quer fazer bonito e afastar um fantasma que já os persegue há alguns mundiais. Ao todo, a seleção foi eliminada na fase de grupos três edições seguidas — 2006, 2010 e 2014.

A seleção marfinense desembarca no torneio embalada por uma campanha quase impecável nas Eliminatórias Africanas. Além de terminar invicta, a equipe demonstrou enorme equilíbrio entre ataque e defesa, combinando eficiência ofensiva com uma retaguarda extremamente segura.

O trabalho do técnico Emerse Faé consolidou uma equipe física, intensa e competitiva. No meio-campo, jogadores experientes garantem força na marcação e presença na construção das jogadas, enquanto os pontas oferecem velocidade para acelerar as transições e explorar espaços deixados pelos adversários.

Apesar dos bons resultados, a equipe teve alguns sinais de alerta recentemente. Em confrontos contra rivais capazes de pressionar a saída de bola e acelerar o jogo pelos lados do campo, os marfinenses encontraram dificuldades para manter o mesmo nível de controle apresentado nas eliminatórias.

Um exemplo foi na derrota por 3 a 2 para o Egito nas quartas de final da Copa Africana de Nações 2025/26, em que a equipe apresentou vulnerabilidades.

Ainda assim, os amistosos preparatórios reforçaram a confiança do elenco. Vitórias contra seleções de diferentes estilos mostraram uma equipe madura e capaz de competir em alto nível contra adversários de peso internacional: uma goleada por 4 a 0 contra a Coreia do Sul, 1 a 0 contra a Escócia e um triunfo de virada por 2 a 1 diante da França.

Costa do Marfim
Costa do Marfim em amistoso contra a França. (Foto: Baptiste Fernandez/Icon Sport)

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Equador terá defesa sólida como trunfo

Do outro lado, o Equador construiu sua classificação apoiado em uma das defesas mais sólidas do futebol sul-americano. A equipe comandada por Sebastián Beccacece fez da disciplina tática sua principal marca e atravessa um dos períodos mais estáveis de sua história recente.

A combinação entre uma defesa bastante segura, um meio-campo de grande capacidade física e atacantes que contribuem bem defensivamente permitiu que a seleção acumulasse uma impressionante sequência de partidas sofrendo poucos gols. Sob o comando do treinador, que assumiu a La Tri em agosto de 2024, foram 18 jogos, com apenas cinco gols sofridos.

Se defensivamente o desempenho chama atenção, o ataque ainda desperta questionamentos. Em diversos momentos do ciclo classificatório, o Equador encontrou dificuldades para transformar o controle dos jogos em oportunidades claras de gol, fator que resultou em partidas equilibradas e placares apertados. Foram 14 gols marcados no período.

Mesmo assim, os resultados recentes mostram uma equipe difícil de ser derrotada. A sequência invicta construída nos últimos compromissos aumentou a confiança do grupo e fortaleceu a expectativa de uma campanha competitiva na Copa do Mundo. A seleção equatoriana soma 19 jogos sem derrota, a maior sequência da sua história recente.

Nos dois amistosos prévios ao Mundial, os equatorianos venceram a Arábia Saudita por 2 a 1 e golearam a Guatemala por 3 a 0.

Beccacece é o técnico do Equador
Beccacece é o técnico do Equador. Foto: IMAGO / Goal Sports Images

O que esperar do confronto?

A tendência é de um duelo marcado pelo equilíbrio e pela disputa intensa no meio-campo. Costa do Marfim e Equador chegam à Copa com propostas que valorizam a organização defensiva, embora utilizem caminhos diferentes para buscar o ataque.

Os africanos devem manter a estrutura que apresentou bons resultados ao longo do ciclo classificatório. Com três meio-campistas de forte capacidade física e boa presença nas duas áreas, a equipe procura acelerar as jogadas assim que recupera a posse de bola. A ideia é aproveitar a velocidade dos jogadores de frente para atacar espaços e criar situações de superioridade pelos corredores laterais.

Já o Equador costuma adotar uma postura mais controlada. A equipe de Sebastián Beccacece prioriza a compactação entre as linhas e busca reduzir ao máximo os espaços concedidos aos adversários. Quando recupera a bola, procura construir as jogadas com paciência antes de acelerar na direção do gol.

Com a bola, os equatorianos podem construir de diferentes formas. Um dos dois laterais — Alan Franco, do Atlético-MG, pela direita, e Piero Hincapié, pela esquerda, como no Arsenal — se junta ao meio-campo para tentar criar superioridade em espaço enquanto Pedro Vite ou Moisés Caicedo se projetam ao ataque para aumentar a possibilidade de duelos 1×1 perto da área ou nos lados do campo.

Outro aspecto que merece atenção é a saída de bola da Costa do Marfim. Sem Evan Ndicka, a defesa perde uma peça importante na construção das jogadas desde o campo defensivo.

O Equador pode explorar justamente esse cenário por meio da pressão alta, estratégia utilizada com frequência pela equipe sul-americana. Recuperar a posse próximo à área adversária pode ser um caminho para compensar a menor produção ofensiva que a seleção apresentou ao longo das eliminatórias.

Como chega a Costa do Marfim

A seleção marfinense terá um problema importante para resolver no setor defensivo. O zagueiro Ndicka não conseguiu se recuperar de uma lesão muscular sofrida nas últimas semanas da temporada europeia e acabou ficando fora da estreia no Mundial.

Sem um de seus titulares habituais, o técnico Emerse Faé deve promover mudanças na dupla de zaga. Emmanuel Agbadou aparece como o principal candidato para ocupar a vaga ao lado de Odilon Kossounou, embora outras opções também estejam disponíveis no elenco para o setor.

Fora a ausência de Ndicka, a Costa do Marfim chega sem grandes preocupações. O restante dos jogadores convocados está apto para atuar, permitindo ao treinador escalar praticamente sua formação ideal para o primeiro compromisso na competição.

  • Escalação provável da Costa do Marfim: Yahia Fofana; Guéla Doué, Emmanuel Agbadou, Odilon Kossounou e Ghislain Konan; Seko Fofana, Franck Kessié e Ibrahim Sangaré; Amad Diallo, Evann Guessand e Yan Diomandé. Técnico: Emerse Faé.
Emerse Faé é o técnico da Costa do Marfim
Emerse Faé é o técnico da Costa do Marfim. (Foto: Ewen Gavet/Icon Sport)

Equador monitora condição de Enner Valencia

No lado equatoriano, a principal atenção está voltada para Enner Valencia. Maior artilheiro da história da seleção, o experiente atacante enfrentou um desconforto físico durante a preparação para a Copa e teve sua carga de trabalho controlada pela comissão técnica.

Apesar da cautela adotada nos amistosos, os sinais são positivos. O camisa 13 voltou a participar normalmente das atividades e a expectativa interna é de que esteja disponível para enfrentar a Costa do Marfim.

Caso o veterano não reúna condições de iniciar a partida, Sebastián Beccacece conta com alternativas como Jordy Caicedo e Kevin Rodríguez para comandar o ataque da equipe.

  • Provável escalação do Equador: Hernán Galíndez; Joel Ordóñez, Willian Pacho, Piero Hincapié e Pervis Estupiñán; Moisés Caicedo e Alan Franco; Nilson Angulo, Kendry Páez e Gonzalo Plata; Enner Valencia. Técnico: Sebastián Beccacece.
Foto de Gabriella Brizotti

Gabriella BrizottiRedatora de esportes

Formada em jornalismo pela Unesp, sou uma apaixonada pelo esporte em geral, principalmente o futebol. Dentre as minhas paixões, está o futebol argentino e suas 'hinchadas'.

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