Tim Vickery: Argentina derruba tese de que o futebol europeu tira a essência dos jogadores
Colunista da Trivela rebate crença de que Europa 'mata' criatividade de atletas brasileiros
Mais do que a vitória por 3 a 0 sobre o Haiti, pela 2ª rodada do Grupo C da Copa do Mundo, o Brasil apresentou um futebol melhor do que no empate contra Marrocos, na estreia. Ainda assim, a Seleção de Carlo Ancelotti tem sido constantemente criticada por ter perdido sua essência com tantos jogadores atuando no futebol europeu cada vez mais cedo.
O tema foi objeto de debate durante a segunda edição do “Copa em Contexto”, programa da Trivela que foi ao ar no YouTube neste sábado (20). Os colunistas Allan Simon e Tim Vickery rebateram essa tese ao comparar a realidade da seleção brasileira com a da Argentina, que também vê suas joias deixando o país bem jovens.
— Se fala tanto aqui, até pessoas inteligentes, que “os jogadores vão para a Europa e perdem sua essência”. Olhem para a Argentina, onde todo mundo joga, e essa ideia cai — começou Tim.
Argentina, Brasil e a essência do futebol sul-americano
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A discussão começou quando Allan perguntou se a equipe de Lionel Scaloni joga “futebol à moda antiga“, por povoar seu meio-campo em detrimento dos pontas. Na última terça-feira (16), a seleção argentina venceu a Argélia por 3 a 0 com hat-trick de Lionel Messi.
Contudo, o meio-campo fluído com Rodrigo De Paul, Alexis Mac Allister e Enzo Fernández, além de Thiago Almada caindo da esquerda para o centro, foi muito elogiado, com toques rápidos e combinações precisas para colocar a Albiceleste em ótimas condições de finalização, sem precisar recorrer às transições ofensivas em velocidade como a Amarelinha tem feito.
Para Tim Vickery, a Argentina é a prova viva de que “é possível jogar na Europa, na Arábia Saudita, na MLS, até na Lua” sem perder a identidade do futebol sul-americano. Na última edição do “Copa em Contexto”, o colunista da Trivela já tinha defendido a ideia de que a essência do Brasil não é o drible, mas sim ter “os melhores passadores na faixa central do meio-campo”.
— A seleção argentina, com todo mundo jogando fora (do país) desde cedo, é muita argentina. A Argentina, na bagunça total do futebol doméstico, por ser um país tão futeboleiro, mostra para o Brasil que é possível. Mesmo com os jogadores espalhados, dá para ser Brasil — argumentou Vickery.
O colunista aponta que tudo começa na base nos anos formativos, que ditam como um jogador profissional irá se comportar no decorrer da carreira, independentemente de onde atuar. Tim Vickery também se colocou contra a convicção de que o futebol brasileiro não forma mais meio-campistas, ou que não dá para ter atletas na Seleção que jogam em clubes pequenos na Europa.
— O lançamento de (Rodrigo) De Paul que acha Messi entrelinhas é maravilhoso. (Lucas) Paquetá é capaz de coisas parecidas. (Na seleção brasileira) não é falta de jogadores, às vezes é falta de ideias sobre como a bola deveria circular no meio-campo. Tem aquele debate: “com jogadores em clubes pequenos, não dá para ganhar a Copa”. Mac Allister estava no Brighton quando ganhou. É só olhar para o lado que esses idiotismos de um nacionalismo burro vão caindo — concluiu.