Como esse sorteio da Copa do Mundo foi o ‘mais ambicioso’ e transformou o evento
Organizadores de espetáculo na Itália dividem a cerimônia em duas partes e deixam legado ao unir futebol e entretenimento
O sorteio da Copa do Mundo de 1990 entrou para a história e foi o ponto de virada nesse tipo de evento da Fifa. Até então, o espetáculo ficava por conta exclusivamente das nuances relacionadas aos grupos e confrontos do Mundial, mas no Palazzo dello Sport, em Roma, ganhou contornos de entretenimento.
A capital italiana abrigou o sorteio em 9 de dezembro de 1989, liderado pelo então secretário-geral da Fifa, Joseph Blatter. Pelé, Karl-Heinz Rummenigge, Rubén Sosa, Daniel Passarella e Bobby Moore eram algumas das estrelas do evento e estiveram acompanhados de artistas como o tenor Luciano Pavarotti e a atriz Sophia Loren.
A própria entidade se refere à cerimônia como “a mais ambiciosa até então” em seus arquivos. Rock, percussão, ópera e dança estiveram entre os atrativos.
Sorteio da Copa do Mundo de 1990 alia futebol ao entretenimento
As câmeras passeavam pelas tribunas do Palácio, decoradas com as cores da bandeira dos anfitriões. A cenografia foi pensada para explorar o potencial performático do evento, e a apresentação buscou enfatizar desde o começo a popularidade do sorteio, que passava ao vivo para todo o globo.
O público presente se animou com a exibição de percussão na abertura. Depois, uma dança para a introdução do mascote do torneio, “Ciao”. Pessoas na plateia faziam parte do espetáculo e alinhavam o coro pelo talismã à coreografia.

Gianna Nannini e Edoardo Bennato foram chamados ao palco logo em seguida para cantar “Un’ Estate Italiana”, o hino da Copa de 1990, e tornaram o sorteio ainda mais empolgante.
Após a apresentação da dupla, Sophia Loren entrou em cena como “madrinha” do evento e antecedeu a primeira performance de Luciano Pavarotti. Houve mais shows e efeitos visuais para entreter os espectadores antes da “parte técnica” — o sorteio em si.

A segunda parte da cerimônia começou com a chegada da taça da Copa do Mundo e breve apresentação do comitê organizador, o que incluía João Havelange, brasileiro ex-presidente da Fifa. Sepp Blatter era o responsável pela condução.
Os cabeças de chave foram Alemanha Ocidental, Argentina, Bélgica, Brasil, Inglaterra e Itália.
Grupo A
- Itália, Tchecoslováquia, Áustria e Estados Unidos
Grupo B
- Argentina, Camarões, Romênia e União Soviética
Grupo C
- Brasil, Costa Rica, Escócia e Suécia
Grupo D
- Alemanha Ocidental, Iugoslávia, Colômbia e Emirados Árabes Unidos
Grupo E
- Bélgica, Espanha, Uruguai e Coreia do Sul
Grupo F
- Inglaterra, Holanda, Irlanda e Egito
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Itália deixa legado com sorteio da Copa de 1990

A definição dos grupos apenas atiçou mais o público, previamente animado pela “parte artística”. O teor de entretenimento que os italianos proporcionaram no sorteio da Copa de 1990 ficou como legado.
Alguns exemplos são as cerimônias seguintes, em que anfitriões se esforçaram para manter ou superar expectativas.
O evento que determinaria os grupos da edição de 1994, nos Estados Unidos, foi no Nevada Convention Center, em Las Vegas, e teve apresentação de personalidades como James Brown, Rod Stewart e Stevie Wonder. Além deles, estiveram presentes os atores Faye Dunaway e Robin Williams — que fez piada com Blatter na ocasião.
Em 1997, os franceses decidiram fazer o sorteio da Copa de 1998 no Vélodrome. Quase 40 mil pessoas estiveram na casa do Olympique de Marseille para prestigiar a cerimônia e o amistoso entre Europa x Resto do Mundo que a precedeu. Foi a primeira vez que o evento teve como palco um estádio.
A fórmula de sucesso que une esporte ao entretenimento nos sorteios de Mundial perdura até os dias atuais e deve ser observada também na cerimônia desta sexta-feira (5), às 14h (de Brasília), no Kennedy Center, em Washington, que determina as chaves da Copa do Mundo de 2026.



