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Blatter nega fraude em pagamento a Platini em julgamento na Suíça e diz que foi “acordo de cavalheiros”

Ex-presidente da Fifa, Sepp Blatter depôs em julgamento na Suíça para negar irregularidades e atacou atual gestão da Fifa

O ex-presidente da Fifa, Joseph Blatter, negou em depoimento em um tribunal na Suíça que tenha havido qualquer irregularidade ou fraude no pagamento feito pela Fifa a Michel Platini, então presidente da Uefa. Segundo o suíço, houve um acordo de cavalheiros entre os dois para o pagamento. Nesta quarta-feira, Blatter, que tem 86 anos, alegrou problemas de saúde para não depor, o que fez com que o depoimento acontecesse nesta quinta-feira.

Os promotores suíços acusam Blatter e Platini de fraude, apropriação indébita, má gestão criminal, além de falsificação de documento. Platini foi acusado de ser cúmplice de Blatter no caos. Ambos negaram as acusações e Blatter, em depoimento, disse que o acordo tinha sido feito informalmente, em um “acordo de cavalheiros”.

Joseph Blatter foi presidente da Fifa de 1998 a 2015, quando renunciou após o escândalo Fifagate. O dirigente renunciou ao cargo pouco tempo depois de ser eleito para mais um mandato à frente da Fifa, pressionado por patrocinadores e outros dirigentes – e pelo FBI. Na época, contamos neste texto o que mudou para o veterano dirigente abrir mão do cargo que tinha.

O suíço contou que pediu que Platini se tornasse seu consultor depois que foi eleito presidente da Fifa, em 1998, sucedendo João Havelange, de quem foi secretário-geral. Como pagamento, Platini pediu um salário de 1 milhão de francos suíços por ano, mas Blatter disse que a Fifa não teria condições de pagar esse salário. Eles fizeram um acordo de pagamento de 300 mil francos suíços por ano, mas o dinheiro seria pago em uma data posterior.

“Eu sabia quando começamos com Michel Platini que isso não era o total, que iríamos trabalhar nisso mais tarde”, afirmou Blatter ao comentar sobre o acordo de 300 mil francos suíços para o trabalho de consultor técnico que o francês exerceu. O acordo foi selado com um aperto de mãos e Blatter disse que foi um “acordo de cavalheiros”. “Foi um acordo entre dois esportistas. Não acho que há nada errado nisso”.

Michel Platini, ex-jogador e ex-presidente da Uefa (FABRICE COFFRINI/AFP via Getty Images)

Platini assinou um contrato com a Fifa em 1999, com salário especificado de 300 mil francos suíços por ano, sem qualquer menção a pagamentos extras. “Eu confiei no presidente e sabia que ele me pagaria um dia”, afirmou Platini no seu depoimento no tribunal. O francês sempre foi bastante enfático em dizer que não tinha cometido qualquer ilegalidade. Ele deixou de trabalhar na Fifa em 2002 e não recebeu esse valor acertado (de 1 milhão de francos suíços, e não apenas os 300 mil francos suíços por ano) entre as partes imediatamente.

Blatter contou que o pagamento não foi feito de forma integral porque na época, no início dos anos 2000, a Fifa estava em uma situação financeira ruim depois da sua parceira, ISL, ter aberto falência. A empresa chegou a ter negócios no Brasil, com parcerias com Flamengo e Grêmio. A empresa, que era de marketing esportivo, era responsável pela venda de direitos de transmissão da Copa do Mundo e também seria responsável pelo Mundial de Clubes de 2001, que seria na Espanha, e nunca aconteceu justamente pela falência da empresa.

Platini não cobrou a Fifa até 2010 e descreveu ao tribunal que não precisava do dinheiro. Ele decidiu pedir o pagamento quando soube de dois ex-funcionários da Fifa que a entidade tinha recebido dois pagamentos substanciais. Platini entrou em contato com a Fifa e foi informado pela organização devia dinheiro a ele e que ele deveria mandar uma fatura. Ele enviou a fatura de 2 milhões de francos suíços em janeiro de 2011 e foi pago 10 dias depois que a fatura foi aprovada por Blatter, segundo contou o francês.

Um veredito sobre o caso deve ser dado no dia 8 de julho. Se condenados, Platini e Blatter podem ter que servir até cinco anos de prisão. Os dois dirigentes foram banidos do futebol por seis anos pelos pagamentos em 2016. Platini já deu indicativos que quer retornar à vida de dirigente de futebol.

Para Platini, a questão foi uma tentativa deliberada de impedir que ele se tornasse presidente da Fifa em 2015. “O que a Fifa fez comigo foi escandaloso. E o objetivo era que eu não me tornasse presidente da Fifa”, afirmou o craque francês, campeão como jogador da Eurocopa de 1984 e uma das estrelas da Copa do Mundo de 1986. Como dirigente, Platini foi o presidente da Uefa de 2007 a 2015, sucedendo Lennart Johansson.

Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.

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