Seleção do Irã faz alerta às vésperas da Copa: ‘Atletas estão instruídos a deixarem o gramado’
Diversas outras polêmicas envolveram os iranianos antes mesmo da bola rolar
A participação do Irã na Copa do Mundo de 2026 vem gerando bastante polêmica. O país, inicialmente, corria o risco de não participar do torneio, devido aos conflitos com os Estados Unidos, um dos países-sede da competição. Agora, os líderes iranianos emitiram um alerta, avisando que a seleção está instruída a deixar os jogos caso ocorram protestos contra o país.
— Informamos à Fifa que os membros da seleção deixariam a partida assim que ouvissem slogans políticos nos estádios — disse o ministro do Esportes do Irã, Ahmad Donyamali, em declarações ao portal local “Varzesh3“, nesta quarta-feira (10).
Além disso, os líderes iranianos enfatizaram à Fifa que apenas a bandeira oficial do país deveria ser considerada legal, e não mais a antiga bandeira persa, que retrata um leão e um sol. Eles afirmaram que a equipe também abandonará o campo se houver erro na representação.
A estreia da seleção iraniana na Copa do Mundo será na terça-feira (16), quando enfrentará a Nova Zelândia. Depois, no dia 21 de junho, enfrentará a Bélgica. Por fim, no dia 27, encerra a fase de grupos contra o Egito.
Os dois primeiros duelos serão em Los Angeles, cidade com grande população iraniana emigrada para os Estados Unidos. O último duelo, contra os africanos, ocorrerá em Seattle. Os iranianos estão no grupo G.
Postura dos EUA em relação ao Irã gera tensões há meses
/https%3A%2F%2Fmedia.trivela.com.br%2Fmain%2F2026%2F03%2FO-presidente-dos-Estados-Unidos-Donald-Trump-tem-sido-centro-das-atencoes-antes-da-Copa-do-Mundo-scaled.jpg)
IMAGO / Newscom / AdMedia
A participação iraniana no Mundial está sendo afetada diretamente pelo conflito armado que envolve também os Estados Unidos desde fevereiro. Com isso, diversas questões já expuseram a complexa situação da seleção do país, antes mesmo da bola rolar.
Em março, o presidente Donald Trump, chegou a dizer que a seleção iraniana era bem-vinda no país, mas acreditava não ser apropriada a sua presença no torneio, visando à própria segurança.
— A seleção iraniana de futebol é bem-vinda para a Copa do Mundo, mas eu realmente não acredito que seja apropriado eles estarem lá, para sua própria vida e segurança. Obrigado pela atenção nesse assunto — afirmou Trump na rede social “Truth”.
Nos últimos dias, o conflito se intensificou. Em entrevista à emissora americana Fox News, Trump anunciou que deve ordenar novos ataques a usinas de energia e pontes do Irã.
O Irã, por sua vez, responde aos ataques. O último alvo dos iranianos foi a Quinta Frota Naval dos EUA, estacionada no Bahrein, segundo a mídia estatal.
Negação de vistos para membros da delegação
A maior polêmica dos dias que antecederam a Copa envolveu a entrada da delegação iraniana nos Estados Unidos. Embora os jogadores tenham recebido autorização para viajar, diversos dirigentes, analistas e integrantes da comissão técnica tiveram os vistos negados, gerando forte reação da Federação Iraniana e da embaixada do país. O caso foi tratado pelo Irã como discriminação política.
Mudança da base de preparação para o México
Inicialmente, a seleção planejava se preparar em território norte-americano. Entretanto, diante das dificuldades relacionadas aos vistos e das tensões diplomáticas entre Irã e Estados Unidos, a equipe transferiu sua concentração para Tijuana, no México, viajando apenas para os jogos da Copa e retornando após os compromissos.
Retirada de ingressos destinados aos torcedores iranianos
Poucos dias antes da abertura do Mundial, a Federação Iraniana anunciou que a Fifa havia suspendido a cota de ingressos destinada aos torcedores do país. A entidade alegou problemas relacionados às sanções financeiras impostas ao Irã, mas dirigentes iranianos acusaram a medida de tratamento desigual.
A exclusão de Sardar Azmoun da convocação
A ausência do atacante Sardar Azmoun gerou enorme repercussão. Um dos maiores artilheiros da história da seleção, ele ficou fora da lista após ter sido alvo de críticas da imprensa ligada ao governo iraniano por aparecer em uma foto ao lado do primeiro-ministro dos Emirados Árabes Unidos, país que possui uma forte ligação com os EUA. A decisão levantou suspeitas de interferência política na convocação.