Polêmica política e briga com Xabi Alonso: Astro do Irã cortado da Copa tem história controversa
Terceiro maior artilheiro da história do Irã, atacante está fora do Mundial 2026 em meio a um caso político e burocrático
A Copa do Mundo de 2026 terá uma ausência de peso para o futebol asiático. Aos 31 anos, Sardar Azmoun, uma das principais referências ofensivas do Irã na última década, está oficialmente fora do Mundial que será disputado nos Estados Unidos, México e Canadá.
A convocação oficial do Irã, divulgada nesta segunda-feira (1), ganhou repercussão internacional pelo motivo que levou ao corte. Segundo veículos locais e internacionais, a exclusão do atacante começou após a publicação de uma foto ao lado do governante de Dubai, Mohammed bin Rashid Al Maktoum, em meio a um momento de forte tensão política envolvendo o Irã.
No entanto, o caso acabou se tornando ainda mais complexo por conta de questões burocráticas que inviabilizaram seu retorno à lista da seleção.
O que aconteceu para Azmoun perder a Copa do Mundo?
Mais do que perder um dos principais nomes de sua geração, o Irã deixa para trás um jogador que frequentemente esteve no centro das atenções, tanto pelos gols quanto pelas controvérsias.
Inicialmente, a ausência de Azmoun foi associada às repercussões políticas da fotografia publicada nas redes sociais. O atacante, que atua pelo Shabab Al-Ahli, dos Emirados Árabes Unidos, apareceu ao lado do xeque Mohammed bin Rashid Al Maktoum, episódio que teria sido interpretado por setores do governo iraniano como um gesto inadequado em meio às tensões regionais.
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A situação ganhou proporções maiores quando o nome do jogador não apareceu na lista preliminar enviada à Fifa. Posteriormente, surgiram informações de que o próprio atleta não teria concluído dentro do prazo os procedimentos administrativos necessários para sua inscrição.
A comissão técnica ainda tentou reverter o cenário e abrir caminho para sua convocação definitiva, mas o prazo já havia expirado. Como o nome não constava na relação preliminar, a Fifa não autorizou sua inclusão posterior.
O resultado foi a exclusão definitiva de um dos maiores símbolos recentes da Team Melli.
A ausência ganha ainda mais peso pelo histórico do atacante com a camisa nacional. Em 91 partidas pelo Irã, Azmoun marcou 57 gols e se consolidou como o terceiro maior artilheiro da história da seleção, atrás apenas de Ali Daei e de Mehdi Taremi.
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As polêmicas que marcaram a carreira do “Harry Kane iraniano”
Se dentro de campo Azmoun construiu uma trajetória de destaque, fora dele a carreira foi marcada por episódios que frequentemente geraram debate no Irã.
Um dos casos mais emblemáticos aconteceu em 2018. Após receber críticas de torcedores durante a preparação para a Copa do Mundo da Rússia, o atacante anunciou sua aposentadoria da seleção aos 23 anos.
Na época, ele afirmou que os ataques direcionados a ele e à sua família haviam ultrapassado os limites aceitáveis. Meses depois, acabou voltando atrás e retomando sua trajetória pela equipe nacional.
Outra situação de grande repercussão ocorreu em 2022, durante os protestos provocados pela morte da iraniana Mahsa Amini. Enquanto diversos atletas evitavam manifestações públicas por receio de represálias, Azmoun utilizou suas redes sociais para demonstrar apoio aos manifestantes. O posicionamento gerou elogios internacionais, mas também aumentou seu desgaste com setores mais conservadores do país.
Já na Europa, o atacante também viveu momentos turbulentos. Durante sua passagem pelo Bayer Leverkusen, chegou a ser afastado temporariamente após retornar atrasado de um período de folga sem comunicação adequada ao clube. Na ocasião, o então treinador Xabi Alonso, que assumiu recentemente o Chelsea, precisou lidar com o episódio internamente.
Apesar das controvérsias, Azmoun construiu uma carreira respeitável. Depois de se destacar em clubes como Rubin Kazan, Rostov, Zenit Saint Petersburg, Roma e Bayer Leverkusen, tornou-se um dos jogadores iranianos mais bem-sucedidos da era moderna.
Agora, a seleção iraniana seguirá para a Copa sob a liderança de Mehdi Taremi, enquanto Azmoun assiste de longe ao torneio que poderia marcar sua terceira participação consecutiva em Mundiais.