O Chelsea que Xabi Alonso quer: As carências do elenco e os movimentos necessários
Com poder de decisão nas contratações, técnico espanhol chega aos Blues cercado pela missão de tornar o time mais equilibrado, confiável e competitivo
A chegada de Xabi Alonso ao comando do Chelsea representa uma tentativa clara de mudança de rumo em Stamford Bridge. Depois de anos de investimentos milionários, apostas excessivas em jovens talentos e pouca estabilidade esportiva, o clube londrino inicia mais um ciclo cercado de expectativa. E, desta vez, com um detalhe importante: Alonso não chega apenas como treinador.
Contratado como manager, o espanhol terá voz ativa no planejamento esportivo, nas contratações e também nas saídas do elenco.
O momento é especialmente simbólico para a gestão da Clearlake Capital — gigante empresa norte-americana de investimentos que possui a participação majoritária (mais de 61%) no clube londrino. Com o fim da temporada batendo na porta e a equipe ainda brigando para assegurar presença em competições europeias, o Chelsea dá sinais de que pretende recalibrar sua política esportiva.
A obsessão quase exclusiva por jovens promessas parece dar lugar a uma abordagem mais equilibrada, com foco também em jogadores prontos para elevar o nível competitivo do elenco. E se há um técnico capaz de influenciar diretamente esse tipo de construção, é Xabi Alonso. Seu trabalho recente mostrou um treinador obcecado por organização coletiva, saída de bola qualificada, intensidade sem a posse e jogadores tecnicamente inteligentes.
Para que sua ideia funcione em Londres, no entanto, algumas mudanças no elenco parecem inevitáveis.
Chelsea precisa contratar goleiro e zagueiro confiáveis
/https%3A%2F%2Fmedia.trivela.com.br%2Fmain%2F2026%2F05%2Frobert-sanchez-chelsea-scaled.jpg)
A prioridade mais evidente do Chelsea certamente está no sistema defensivo. Robert Sánchez jamais conseguiu transmitir confiança plena. Em alguns momentos até mostrou qualidade com os pés e capacidade de participar da saída curta, mas a irregularidade segue sendo um problema recorrente.
Foram erros de posicionamento, falhas em bolas defensáveis e atuações oscilantes que impediram o espanhol de se consolidar como um goleiro confiável para o projeto do clube. Em uma equipe que pretende disputar títulos, especialmente sob um treinador tão exigente taticamente, isso pesa muito.
Xabi Alonso costuma exigir goleiros participativos, capazes de quebrar linhas com passes e manter calma sob pressão. Mas isso precisa vir acompanhado de confiabilidade. Não basta apenas saber jogar com os pés. É necessário garantir segurança dentro da área, e hoje o Chelsea ainda parece distante disso.
A busca por um novo zagueiro também faz sentido dentro dessa lógica. Levi Colwill é tratado internamente como peça central do futuro dos Blues. Canhoto, técnico e confortável iniciando jogadas, ele possui características ideais para atuar em sistemas posicionais e com linha alta. O problema é que o Chelsea ainda não encontrou um parceiro ideal para potencializá-lo.
Mais do que um defensor agressivo fisicamente, Alonso provavelmente desejará um zagueiro capaz de sustentar a posse, sair jogando sob pressão e manter consistência defensiva em campo aberto. O modelo do espanhol exige coragem na construção e inteligência para defender grandes espaços. Sem isso, sua proposta perde fluidez.
Nos últimos anos, o Chelsea acumulou defensores com perfis diferentes, mas poucos conseguiram reunir imposição física, qualidade técnica e regularidade ao mesmo tempo. Encontrar esse equilíbrio será uma das missões mais importantes do mercado.
- - ↓ Continua após o recado ↓ - -
Um perfil ofensivo que o elenco ainda não encontrou
/https%3A%2F%2Fmedia.trivela.com.br%2Fmain%2F2026%2F05%2Fgarnacho-chelsea-scaled.jpg)
No setor ofensivo, a necessidade parece menos ligada à quantidade e mais ao perfil ideal. O elenco possui jovens talentosos e jogadores de enorme potencial, mas ainda carece de um atacante capaz de oferecer criatividade, versatilidade e impacto imediato em alto nível. É justamente aí que surge uma das prioridades do novo projeto comandado por Xabi Alonso.
O ex-Real Madrid costuma valorizar atacantes móveis, inteligentes sem a bola e capazes de interpretar diferentes funções dentro da mesma partida. Alonso gosta de jogadores que circulem pelo setor ofensivo, apareçam entre linhas, participem da construção e também consigam acelerar jogadas no último terço. Hoje, o elenco do Chelsea ainda não possui esse perfil de maneira plenamente consolidada.
Estêvão é tratado internamente como uma das grandes joias do clube e certamente terá espaço importante na nova era. O talento do brasileiro é evidente, sobretudo pela capacidade de desequilíbrio individual, criatividade em espaços curtos e agressividade no um contra um. Seu perfil parece encaixar naturalmente em várias ideias ofensivas de Xabi.
Por mais promissor que seja, no entanto, Estêvão ainda é muito jovem e provavelmente atravessará oscilações naturais em seu processo de adaptação ao futebol europeu e à intensidade da Premier League. Por isso, o Chelsea não deveria depositar exclusivamente nele a responsabilidade criativa do ataque logo em sua chegada.
A situação se torna ainda mais delicada porque outra aposta recente do setor ofensivo ficou abaixo das expectativas. Alejandro Garnacho não conseguiu justificar o alto investimento feito pelos Blues. A temporada foi marcada por irregularidade, baixo poder de fogo e pouca influência nos jogos importantes. Em muitos momentos, faltou justamente o que Alonso mais valoriza: capacidade associativa, leitura espacial e consistência técnica dentro da estrutura do time.
O mesmo raciocínio pode ser aplicado a Jamie Gittens. Ainda mais caro que Garnacho, o inglês também chegou cercado de expectativa, mas segue sendo um jogador em formação, muito mais associado a explosão física, drible e aceleração do que necessariamente à organização ofensiva. Trata-se de um atacante talentoso, capaz de desequilibrar em campo aberto, mas que ainda não oferece garantias como peça central de um sistema ofensivo mais sofisticado e associativo.
Já Pedro Neto talvez seja o nome mais próximo de um jogador pronto dentro desse setor. Os números do português na temporada foram superiores aos de Garnacho e Gittens, especialmente em participação ofensiva e produção direta. Além disso, sua capacidade de atuar também pelo lado esquerdo amplia possibilidades dentro do elenco.
Ainda assim, o camisa 7 parece funcionar melhor como um atacante agudo, vertical e acelerador de jogadas, e não necessariamente como esse articulador ofensivo mais construtor que falta ao Chelsea atualmente.
Manter Enzo Fernández e João Pedro deve ser prioridade para Xabi Alonso
/https%3A%2F%2Fmedia.trivela.com.br%2Fmain%2F2026%2F05%2Fenzo-fernandez-joao-pedro-scaled.jpg)
Se existem posições que precisam de reforços, há também jogadores que o Chelsea simplesmente não pode perder neste momento de reconstrução. Enzo Fernández é um deles.
Mesmo em meio a uma temporada coletiva irregular e a recentes polêmicas envolvendo entrevistas e especulações sobre possível interesse do Real Madrid, o argentino segue sendo um dos pilares técnicos do elenco. Sua capacidade de controlar ritmo, encontrar passes verticais e organizar a circulação da equipe encaixa perfeitamente na ideia de jogo de Xabi Alonso.
Enzo possui características difíceis de encontrar no mercado: qualidade na saída sob pressão, inteligência para ocupar diferentes zonas do meio-campo e excelente chegada ao ataque — são 15 gols em 2025/26. Perder um jogador assim justamente na chegada de um treinador tão dependente de construção qualificada seria contraditório.
Outro nome absolutamente essencial é João Pedro.
Artilheiro dos Blues na temporada (20 gols), o atacante brasileiro foi eleito pelos torcedores o melhor jogador da equipe em 2025/26. Sua mobilidade, capacidade de atuar entre linhas e inteligência sem a bola oferecem exatamente o tipo de dinâmica ofensiva que costuma potencializar os times de Xabi.
O interesse do Barcelona naturalmente aumenta a preocupação do torcedor, mas o Chelsea precisa tratar sua permanência como prioridade estratégica. Abrir mão de um dos poucos jogadores plenamente consolidados ofensivamente do plantel significaria dar passos para trás.