Seleção já vestiu a camisa do Peñarol contra a Argentina para honrar goleiro morto em campo
Peñarol, um dos maiores clubes do Uruguai e da América do Sul, já emprestou sua camisa à Seleção em clássico contra a Argentina
A seleção brasileira transformou o Estádio Campeón del Siglo em sua casa em Montevidéu antes do clássico com o Uruguai, na próxima terça-feira (17), às 21h (horário de brasília), no Centenário, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2026. Uma escolha justificada pelo gramado que mais parece um tapete para receber os treinos comandados por Fernando Diniz. Mas ela também faz jus e honra uma ligação histórica de mais de cem anos entre a Seleção e o Peñarol.
O amarelo e o preto carboneros, tão imponentes e reconhecidos em toda a América do Sul, já foram também as cores da seleção brasileira. O Brasil vestiu a camisa do Peñarol em um amistoso contra a Argentina em 1919, para homenagear o goleiro Rorbert Chery, morto após fazer uma defesa durante o Torneio Sul-Americano daquele ano, equivalente à Copa América da época.
Uma homenagem que é lembrada com orgulho pelo clube até hoje. O departamento de imprensa do Peñarol preparou um material especial entregue a todos os jornalistas contando a história do caso. O presidente carbonero, Ignacio Ruglio, entregou a Ednaldo Rodrigues, mandatário da CBF, uma placa para eternizar o episódio, após o treino da última sexta-feira (14). Em troca, Marquinhos o presenteou com uma camisa autografada por todos os jogadores da Seleção.
Peñarol distribuiu um material em português para a imprensa brasileira sobre o dia em que a Seleção jogou com a camisa do clube, em 1919 pic.twitter.com/LN9G7YTAP8
— Eduardo Deconto (@eduardodeconto) October 15, 2023
Seleção vestiu camisa do Peñarol para honrar goleiro morto em campo
A história da vez em que a seleção brasileira vestiu a camisa do Peñarol remete ao primeiro título da história do Brasil no futebol e ocorreu sob a sombra de uma tragédia. A Seleção enfim jogava em casa, no Rio de Janeiro. E foi comandado pelo histórico Friendenreich para erguer a taça no Estádio das Laranjeiras. Mas o palco da final também sediou um acidente letal.
Logo na primeira partida do Uruguai na competição, contra o Chile, o goleiro Roberto Chery voou para fazer um verdadeiro milagre para evitar o que parecia um gol certo da seleção chilena. Ele conseguiu mandar a bola para escanteio, em um esforço que lhe custaria a vida.
O impacto foi tão forte, que o uruguaio foi direto das Laranjeiras para o hospital. Foram 13 dias agonizando no leito até que Chery não resistiu. Morreu no dia 30 de maio, em decorrência do estrangulamento de uma hérnia inguinal. Até hoje, o goleiro do Peñarol é lembrado por ter dado a vida para defender o Uruguai.
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Dois dias após a morte, Brasil e Argentina se enfrentaram em um amistoso para homenagear Chery. Nada mais justo para honrar sua história do que vestir as cores dos dois amores do goleiro. O Brasil vestiu o amarelo e preto do Peñarol. A Argentina atuou com a camisa celeste da seleção do Uruguai.
O clássico no amistoso acabou empatado em 3 a 3. Com o resultado, brasileiros e argentinos decidiram entregar o troféu Roberto Chery ao Peñarol. E ele até hoje divide espaço no museu do clube com as suas maiores glórias: os três Mundiais de Clubes e as cinco Copa Libertadores.
Seleção é vice-líder e terá mudanças para o clássico
Diante das arquibancadas pintadas de amarelo e preto do Campeón del Siglo, Fernando Diniz definiu a escalação do Brasil com três mudanças para enfrentar o Uruguai. Yan Couto, Carlos Augusto e Gabriel Jesus entram nas vagas de Danilo, Guilherme Arana e Richarlison. A Seleção perdeu a liderança das Eliminatórias para a Argentina com o empate contra a Venezuela. A Albiceleste é única equipe com 100% de aproveitamento até agora. O Brasil é vice-líder, com sete pontos. O clássico contra o Uruguai será nesta terça-feira (17), às 21h (horário de Brasília), no Estádio Centenário, em Montevidéu, pela quarta rodada.