Portugal x Uzbequistão: Por que Cristiano Ronaldo pode sofrer com mesmo problema da estreia
Duelo contra asiáticos é decisivo para seleção portuguesa afastar críticas na Copa do Mundo
Apontada como uma das favoritas ao título antes da Copa do Mundo, Portugal foi uma das seleções que mais decepcionaram na primeira rodada. Mostrou pouco repertório para furar o bloqueio da República Democrática do Congo e ficou no 1 a 1 em atuação apagada de Cristiano Ronaldo, Bruno Fernandes e outros bons jogadores.
A pressão nos lusitanos está enorme, ainda mais com um exemplo conturbado por uma ida à praia do elenco durante a preparação e as críticas a CR7 inflamando as redes sociais.
A segunda rodada, contra o Uzbequistão nesta terça-feira (23), ganha contornos de decisão. A seleção portuguesa de Roberto Martínez precisa, além de vencer, apresentar um bom futebol. A questão é que o adversário do outro lado promete impor uma dificuldade parecida à da estreia aos europeus.
❌ CR7 começa Mundial sem gol e sem vitória
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Portugal tropeça na RD Congo e mostra por que favoritismo na Copa (ainda) não é realidadehttps://t.co/2Gy1sjbvbn
Uzbequistão deve montar retranca à la RD Congo contra Portugal
Enquanto Portugal sofreu para a RD Congo, os uzbeques perderam para a Colômbia, 3 a 1, em dois tempos muito distintos. A primeira etapa foi toda dos Cafeteros, que dominaram completamente a posse de bola contra um adversário que basicamente abdicou de atacar para apenas se defender.
Sob o comando do italiano Fábio Cannavaro, o Uzbequistão montou uma quase intransponível linha de cinco zagueiros, somando a quatro meio-campistas e apenas um atacante. Foi assim que, por mais de meia hora, não permitiu nenhuma finalização colombiana na área.
A formação foi decisiva para isolar o centroavante Luis Suárez, que acabou o jogo sem finalizações e com apenas 20 ações com bola. A Colômbia, passiva na posse de bola para movimentações e infiltrações na defesa asiática, foi uma presa fácil até a parada para hidratação. Depois disso, passou a ser mais agressiva, com ataques nas costas dos defensores, e assim conseguiu uma bola na trave e abriu o placar ainda no primeiro tempo.
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A estrutura uzbeque é parecida com o 5-3-2 dos congoleses, que anulou Portugal e justamente isolou Cristiano Ronaldo. A diferença, porém, foi que os africanos foram regulares defendendo o centro do campo por 90 minutos. Os uzbeques, por outro lado, deram mais espaços e permitiram 15 finalizações dos sul-americanos — a seleção lusa só chutou sete vezes.
Claro que o contexto da segunda partida é diferente. O Uzbequistão, tendo perdido a primeira partida, será eliminado se for derrotado pelos europeus e a RD Congo vencer a Colômbia. No entanto, é difícil imaginar que os comandados de Cannavaro se lançarão ao ataque.
A tendência é, como na etapa inicial contra os Cafeteros, fechar-se em um 5-4-1 que pode complicar Portugal e CR7 como aconteceu antes.
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Por que Cristiano Ronaldo e companhia foram tão mal na estreia na Copa do Mundo
Ao longo de todo o ciclo entre a última Copa até a atual, Portugal sofreu em contextos de precisar propor contra uma linha de defesa muito recuada e com vários jogadores por dentro. A estreia no Mundial ilustrou isso.
Congo, com três zagueiros próximos a Cristiano Ronaldo, tirou qualquer possibilidade do atacante poder desequilibrar nos 23 cruzamentos que os lusos tentaram. CR7, pouco participativo, não conseguiu escapar dessa marcação, mas também viu seu time coletivamente falhar em tentar acioná-lo em profundidade ou pelo menos roubar a bola no campo de ataque em pressão para ter mais espaços.
O que se viu foi uma atuação muito lateralizada. A bola passava pelos zagueiros e chegava a Vitinha, ponto focal de todo o time, para distribuir para os lados do campo — normalmente o esquerdo, com Pedro Neto e Nuno Mendes, pois o direito só passou a ser agudo com a entrada de Francisco Conceição. O volante teve 134 ações com bola, 121 passes, mas nenhum deles culminou diretamente em uma finalização.
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A movimentação sem bola para gerar algum tipo de opção de passe ou vantagem para outro colega era nula. Resultado: mais de 700 passes, mas só uma grande chance em sete finalizações, acumulando 0.65 gol esperado. Os congoleses finalizam mais, oito, com 0.87 xG.
Imaginar que a solução para a Colômbia furar o bloqueio uzbeque foi justamente uma movimentação sem bola mais agressiva, com infiltrações no meio da defesa a partir de um alto número de jogadores por dentro, mostra que Portugal precisará se transformar de um jogo para o outro.
Roberto Martínez teve seis dias para melhorar seu time entre a estreia e a segunda partida, nesta terça, a partir das 14h (horário de Brasília). O técnico espanhol deve promover pelo menos uma mudança, com a entrada de Rúben Dias na zaga. Há dúvidas se Diogo Dalot, João Félix ou Rúben Neves poderão ganhar uma chance no time titular.
— É importante para nós perceber aquilo que precisamos de fazer com a bola, como é que podemos criar as nossas vantagens táticas para encontrar os espaços certos, para encontrar situações de um contra um — disse Martínez em coletiva prévia ao jogo.