Marrocos replica contra o Paraguai ideia que Ancelotti quer aplicar na seleção brasileira
Seleção africana adota modelo de jogo com transição rápida diante de adversário que disputará o Mundial neste ano; Brasil estreia contra marroquinos em junho
Primeiro adversário do Brasil na Copa do Mundo, Marrocos tem adotado uma formação e ideia de jogo semelhante àquela que Carlo Ancelotti tenta colocar em prática nos últimos amistosos preparatórios. Com uma equipe modificada em relação ao empate com o Equador, os marroquinos derrotaram o Paraguai por 2 a 1 nesta terça-feira (31), no Stade Félix-Bollaert, em Lens, na França.
Duelo este que deve ser observado atentamente por Ancelotti e a seleção brasileira. As transições rápidas de Marrocos, em especial no segundo tempo, foram capazes de furar o bloqueio paraguaio, que tem em Gustavo Gómez, do Palmeiras, uma de suas referências. O Brasil já teve dificuldades em parar jogadas de velocidade da França e do Japão ao longo deste ciclo.
Bilal El Khannouss e Neil El Aynaoui marcaram os dois gols de Marrocos na França, enquanto Gustavo Caballero diminuiu para os paraguaios na reta final. A equipe africana, que terminou na quarta posição na última Copa do Mundo, encara o Brasil na estreia do Grupo C em 13 de junho, no MetLife Stadium, em Nova Jersey — que também será palco da final do Mundial deste ano.
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Os paraguaios, por sua vez, estão no Grupo D na Copa do Mundo, e estreiam no dia 12 de junho contra os Estados Unidos, donos da casa. Também enfrentam Austrália e o vencedor entre Kosovo e Turquia, na repescagem europeia.
Marrocos encontra dificuldades em furar linha defensiva do Paraguai
Marrocos foi a campo com uma formação semelhante ao do Brasil: um 4-4-2, ou 4-2-4 com a bola, estilo este que já se tornou marca do novo treinador Mohamed Ouahbi em sua segunda partida à frente da equipe. A ideia de jogo é clara: manter a posse de bola para quebrar as linhas adversárias e chegar, em poucos passes, à área.
Ancelotti tem buscado repetir essa ideia em seus últimos amistosos. Em especial contra França e Coreia do Sul. Ouahbi fez diversas alterações na equipe titular depois do empate com o Equador por 1 a 1 na última semana, em especial no setor ofensivo. A ideia é tentar encontrar, além de sua formação ideal, quais os melhores jogadores para se adaptar a este estilo.
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Apesar das tentativas de movimentações do quarteto ofensivo, a marcação sem bola do Paraguai, em um 5-4-1, evitou que os marroquinos criassem chances de perigo, mesmo com mais de 60% de posse de bola na etapa inicial. Não só isso, mas ao ceder ao adversário, Marrocos sofreu para combater as jogadas de transição rápida do Paraguai.
Foram apenas três finalizações dos sul-americanos no primeiro tempo, mas que levaram mais perigo do que o Marrocos.
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Velocidade é o segredo para o Marrocos na Copa do Mundo
A velocidade é a chave de Marrocos, assim como Ancelotti tenta espelhar na seleção brasileira. Depois de um primeiro tempo com dificuldades, esbarrando nas linhas compactas do Paraguai, conseguiu explorar as laterais do campo no contra-ataque.
Aos três minutos da segunda etapa, Gessime Yassine encontrou Achraf Hakimi pelo corredor direito. Principal nome da seleção africana, ele cruzou na entrada da área para Bilal El Khannouss, que finalizou de primeira para marcar o primeiro dos marroquinos.
Esta ponta-direita é o segredo de Marrocos para criar suas principais jogadas de perigo. E com a qual a seleção de Ancelotti deve se preocupar para a estreia na Copa do Mundo, em junho. Depois de abrir o marcador, a quarta colocada no último Mundial ganhou mais espaço parar criar jogadas de ataque.
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Marrocos se defende sempre com quatro homens ao redor da bola, pronto para “dar o bote” e armar jogadas de contra-ataque. Mesmo que tenha tido o maior volume de posse de bola, é em jogadas de transição rápida, desde a Copa do Mundo no Catar, que a seleção tem maior destaque.
Não à toa, o segundo gol marroquino foi quase como um “replay”. Yassine puxou a bola para o meio-campo, para atrair a marcação paraguaia e deixar o corredor de Hakimi livre. O lateral do Paris Saint-Germain, então, cruzou no pé de Neil El Aynaoui, que teve o trabalho de empurrar para ampliar o marcador.
Este segundo gol também evidencia a velocidade com a qual Marrocos chega à frente. No lance, Marrocos chegou a contar com seis homens no ataque, conquistando a superioridade numérica sobre a linha de cinco defensiva do Paraguai.
Com dois gols à frente do placar, Marrocos diminuiu o ritmo, e permitiu que o Paraguai criasse oportunidades à frente. Foram nove finalizações no segundo tempo — cinco destas em direção ao gol de Yassine Bounou — e que conseguiram fazer a seleção diminuir o placar já na reta final da segunda etapa, com Gustavo Caballero aos 43 minutos, que entrou no lugar de Almirón.
O que o Brasil pode tirar de lição em Marrocos x Paraguai para a Copa do Mundo?
Mesmo que Ancelotti esteja se preocupando com a Croácia ainda nesta terça-feira (31), a tendência é que o italiano e sua comissão técnica se ocupem em analisar o primeiro adversário da seleção brasileira o quanto antes. Se analisar o amistoso com o Paraguai, verá maneiras de combater os marroquinos, assim como a melhor maneira de combater a velocidade de transição do rival.
Ancelotti quer que o Brasil jogue como Marrocos. Com um meio-campo composto por dois volantes de contenção — contra a França, optou por Casemiro e Andrey Santos — e apostando na velocidade de seu quarteto ofensivo. À exceção do duelo com a Coreia do Sul, e compromissos das Eliminatórias, como diante do Chile, o treinador tem tido dificuldade para implementar suas ideias.
A diferença de Marrocos, se comparado com o Brasil, é que os africanos têm apostado sempre em um centroavante de origem entre os titulares. Soufiane Rahimi iniciou o duelo com o Paraguai. Já Ancelotti, diante da França, foi a campo com Vinicius Júnior, Raphinha, Matheus Cunha e Gabriel Martinelli.
Do lado positivo, Marrocos mostrou fragilidade em combater o contra-ataque paraguaio — em especial no primeiro tempo. Quando perdia a posse de bola, a seleção de Ouahbi era combatida pela velocidade de Julio Enciso e Miguel Almirón. Não à toa, nos 45 minutos iniciais, foi o Paraguai quem esteve mais próximo de marcar.