Marrocos se transformou entre 2022 e 2026 e chega para competir com a França
Melhor seleção da África, Leões do Atlas saíram de time de transição e direto para uma equipe que gosta da bola
A seleção marroquina foi a grande surpresa da Copa do Mundo de 2022. Antes de começar a competição, era a 22ª colocada do ranking da Fifa. Conquistou, com um estilo de jogo conservador, combativo e de rápidos contra-ataques sob o comando de Walid Regragui, um histórico quarto lugar, batendo Espanha e Portugal antes de cair para a França na semifinal.
Quase quatro anos depois, Marrocos enfrenta o mesmo carrasco nesta quinta-feira (8), a partir das 17h (horário de Brasília), pelas quartas de final do Mundial de 2026, mas com uma ideia de jogo absolutamente diferente.
Simulador da Copa do Mundo: Veja possível chaveamento
No ciclo entre os dois torneios, ainda com o mesmo técnico, os Leões do Atlas iniciaram sua revolução na filosofia de jogo. Regragui foi demitido em fevereiro e deu lugar a Mohamed Ouahbi, que implementou de vez a nova versão marroquina.
Marrocos da Copa do Mundo de 2022 era direto e compacto
/https%3A%2F%2Fmedia.trivela.com.br%2Fmain%2F2026%2F07%2Fhakimi-ziyech-marrocos-2022-scaled.jpg)
Há quase quatro anos, Regragui havia assumido a seleção africana apenas quatro meses antes da Copa. Sem um grande legado tático do comandante anterior, a ideia de jogo se pautava em blocos baixos ou médios, muita concentração na marcação por dentro e velocidade para atacar com Hakim Ziyech, Youssef En-Nesyri e Sofiane Boufal.
Assim que avançou como líder em um grupo com Croácia (que seria a terceira colocada da competição), Bélgica e Canadá, e deixou pelo caminho no mata-mata as gigantes Espanha, após pênaltis, e Portugal. Foram apenas seis gols marcados, ao mesmo tempo em que passou quatro partidas sem ser vazado, sofrendo apenas cinco gols.
Números ofensivos da campanha de Marrocos na Copa do Mundo de 2022:
- 8 grandes chances criadas
- Média de 38.4% de posse de bola (27º entre 32 seleções)
- 305.3 passes certos por jogo
- 8.7 finalizações
Fonte: “SofaScore”
- - ↓ Continua após o recado ↓ - -
Em 2026, seleção marroquina consolida mudança do ciclo
Esse time de transição foi ficando para trás ao longo do ciclo até a Copa atual, ainda com Regragui. Na Copa Africana de Nações, entre dezembro e janeiro passados, com Marrocos como sede, a seleção teve a postura de mandar nos jogos com a bola, mas mostrou limitações. O desempenho foi abaixo, perdeu a final para Senegal (e depois reconquistou nos tribunais) e Regragui saiu.
A Federação Real Marroquina de Futebol (FRMF), então, dá uma promoção a Mohamed Ouahbi, técnico do selecionado sub-20 que foi campeão mundial no ano passado.
O profissional de 49 anos, com experiência no futebol belga, conhecido por contar com ótimas academias de formação, implementou um estilo de jogo ainda mais agressivo nos Leões do Atlas, ofensivo e com jovens como base do time.
Tanto que a lista para a Copa de 2026 veio com 17 nomes diferentes da de 2022. Apenas Yassine Bounou, Achraf Hakimi, Noussair Mazraoui e Azzedine Ounahi, titulares na edição anterior, continuam no time inicial.
/https%3A%2F%2Fmedia.trivela.com.br%2Fmain%2F2026%2F07%2Fbono-ouahbi-marrocos-scaled.jpg)
No período, emergiram vários talentos, muitos nascidos na Europa, com passagens em seleções de base europeias e captados pela FRMF por conta das raízes marroquinas para fortalecer seu projeto de montar um time mais completo.
Nomes como Brahim Díaz, Ayyoub Bouaddi, Neil El Aynaoui e Ismael Saibari, todos técnicos e associativos para serem potencializados em um jogo mais de posse de bola, tornaram-se pilares do time. É assim que Marrocos tem impressionado na Copa do Mundo de 2026, com um time que sabe propor jogo contra qualquer um.
A seleção brasileira passou apuros sem a bola por pelo menos meia hora em sua estreia contra os africanos. Os Países Baixos, nos 16 avos, preferiram abrir mão de seu jogo para se adaptar a Marrocos, que dominou o jogo e criou as melhores chances, mas só venceu nos pênaltis.
Uma comparação interessante: na partida com a Oranje, a seleção marroquina teve 70% de posse de bola e trocou 879 passes em tempo normal e prorrogação; contra a Espanha, nas oitavas de 2022, também só definida nas penalidades após 120 minutos de bola rolando, só teve 23% de posse e 305 passes.
Números de Marrocos na Copa de 2026
- 10 gols marcados
- 4 sofridos
- 17 grandes chances
- 60.4% de posse de bola (5º entre 48 seleções)
- 537 passes certos
- 12.8 finalizações
Marrocos atual, porém, ainda sabe como jogar igual a 2022
O estilo ofensivo e propositivo da seleção marroquina foi visto nas partidas contra Brasil (1 a 1), Escócia (1 a 0), Haiti (4 a 2) e Países Baixos (1 a 1), mas não conseguiu dar as caras nas oitavas de final contra o Canadá. A seleção norte-americana, uma das anfitriãs da Copa, impôs sua agressividade na marcação pressão e tirou o melhor dos africanos: a bola.
Após um primeiro tempo melhor dos canadenses, Marrocos só abriu o placar por uma jogada ensaiada. Em contra-ataques, fez o segundo e o terceiro e fechou o caixão do adversário. A equipe de Ouahbi marcou três gols com apenas cinco finalizações e 0.82 gol esperado. Uma estatística que poderia facilmente ter sido da campanha anterior com Regragui.
🇲🇦 Quatro anos depois, Ounahi aparece de novo
— Trivela na Copa! 🏆🇧🇷 (@trivela) July 4, 2026
Marrocos volta à sua versão 2022 para superar pressão do Canadá e garantir vaga nas quartas da Copahttps://t.co/zW4dHe5IUe pic.twitter.com/2okc6WLQVJ
É esse time completo, capaz de propor jogo ou se adaptar às adversidades, que enfrenta a França. Marrocos já é a primeira seleção africana a chegar às oitavas de final de uma Copa (1986), às semis (2022) e às quartas por duas vezes (2022 e 2026). Estar novamente entre os quatro melhores selecionados do mundo, batendo a favorita ao título, seria mais um capítulo para firmar sua posição como a maior força emergente do futebol de seleções atualmente.