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Copa do Mundo: Por que Inglaterra e Noruega vivem rivalidade inesperada há 45 anos

Em contexto bastante diferente, triunfo norueguês em 1981 foi o estopim para "rixa"

Inglaterra e Noruega se enfrentarão no próximo sábado (11), em duelo das quartas de final da Copa do Mundo, em Miami. Além da expectativa pelo encontro de estrelas, como Harry Kane, Jude Bellingham, Erling Haaland e Martin Odegaard, existe uma rivalidade oculta entre as duas seleções que já dura 45 anos, proveniente do duelo mais famoso entre os dois países.

Bjorge Lillelien, jornalista esportivo norueguês na década de 1980, foi quem instaurou a rivalidade. Muito longe do nível e potencial atual, a Noruega enfrentou os ingleses pelas Eliminatórias para a Copa de 1982 e surpreendentemente venceu uma equipe estrelada, com jogadores como Bryan Robson, Glenn Hoddle e Kevin Keegan, por 2 a 1. O histórico triunfo em Oslo foi um marco nacional de um lado e um dos capítulos de constrangimento do outro.

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Após a vitória emblemática, Bjorge Lillelien transformou tal constrangimento em raiva e indisposição. O jornalista disparou provocações e acusações fortes aos ingleses, apelando até para a primeira-ministra da época, Margaret Thatcher, por conta de uma hipotética tentativa de favorecimento por parte do árbitro polonês Jerzy Kacprzak.

A grande questão foi o tempo de acréscimo ordenado por Kacprzak, que, quando finalmente apitou o fim do jogo, despertou uma das aspas mais lembradas por noruegueses e ingleses quando se trata de um confronto entre as duas nações.

— Lord Nelson. Lorde Beaverbrook. Sir Winston Churchill. Sir Anthony Eden. Clement Atlee. Henry Cooper. Lady Diana. Derrotamos todos vocês — afirmou o então comentarista de rádio da Corporação Norueguesa de Radiodifusão, conhecida como NRK.

Logo depois, Lillelien foi além ao se referir, de fato, a Margaret Thatcher e provocar os ingleses, remetendo sua língua aos Estados Unidos e citando Nova York.

— Maggie Thatcher. Você pode me ouvir? Temos uma mensagem para você. Tiramos seus caras da Copa do Mundo. Maggie Thatcher. Como dizem na sua língua, nos bares ao redor do Madison Square Garden, seus caras levaram uma surra — disse.

No entanto, ao contrário do que foi dito por Bjorge Lillelien, a Inglaterra foi ao Mundial de 1982, disputado na Espanha, mesmo com a derrota para os noruegueses. Figura muito popular nacionalmente naquela época, Lillelien morreu seis anos depois das icônicas aspas e sempre é lembrado quando as suas seleções se encontram, como acontecerá no próximo sábado.

Haaland celebra gol pela Noruega
Haaland celebra gol pela Noruega (Foto: Vegard Grott / Bildbyran / IMAGO)

Confronto terá outra relevância nesta Copa do Mundo

Se, há 45 anos, Inglaterra e Noruega estavam em posições e aspirações completamente discrepantes, esta Copa do Mundo mostra o contrário. Após eliminar o Brasil, a seleção norueguesa recebeu outra atenção e está em um nível mais próximo dos ingleses, principalmente em questão de individualidade.

Enquanto Thomas Tuchel conta com Harry Kane, grande postulante ao título de Bola de Ouro pelo desempenho na temporada 2025/26, Erling Haaland está na disputa pela artilharia do Mundial e segue com sua média de gols assustadora representando o próprio país. Em 54 partidas pela Noruega, Haaland balançou as redes 62 vezes, sendo que 7 foram nesta Copa.

Para além de seu grande astro, o conjunto norueguês, formado por jogadores como Odegaard, Alexander Sorloth, Antonio Nusa e Sander Berge, vem apresentando um nível bastante relevante. Assim, a expectativa para o duelo de quartas de final é grande. A bola rola no próximo sábado (11), às 18h (horário de Brasília), no Hard Rock Stadium, em Miami. Quem avançar, enfrentará Argentina ou Suíça nas semifinais.

Kane e Bellingham comemoram gol da Inglaterra
Kane e Bellingham comemoram gol da Inglaterra (Foto: Yoali Martinez/ImagenShop via Imago)
Foto de Gabriel Mota

Gabriel MotaRedator de esportes

Nascido e criado em Petrópolis, mas 'naturalizado' carioca, é jornalista pela ESPM-Rio. Já passou por 365Scores, Lance! e Footure. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2026.

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