Copa do Mundo

Anistia Internacional pressiona Fifa por relatório sobre trabalho na Copa do Catar

Após as mortes e condições abusivas de trabalho na Copa do Mundo do Catar, a Fifa está sendo cobrada pela Anistia Internacional

Quase dois anos depois da Copa do Mundo no Catar, a Fifa ainda não fez sua parte em relação aos trabalhadores imigrantes, que sofreram condições abusivas e até mesmo morreram nas obras. Por conta disso, a Anistia Internacional, uma ONG que defende os direitos humanos, pressiona a entidade máxima do futebol para publicar relatório sobre o caso e iniciar a compensação financeira após o escândalo do Mundial de 2022.

Desde que o Catar foi apontado como sede da Copa do Mundo, organizações não governamentais denunciaram o país por péssimas condições de trabalho. Imigrantes de países como Índia, Nepal, Bangladesh, Sri Lanka e Paquistão, sofreram maus tratos, com jornadas de 14 horas por dia sob o forte calor da região sem folgas, além de tratamento degradante por parte das empresas contratantes.

Segundo aponta o The Guardian, mais de 6,7 mil trabalhadores morreram nas obras de infraestrutura para o Mundial de 2022. O Catar, por sua vez, admitiu 500 desses óbitos. De lá para cá, a Anistia Internacional tem cobrado a Fifa sobre suas responsabilidades para com os imigrantes. O relatório de Michael Llamas, presidente da Associação de Futebol de Gibraltar, deve sair até a próxima semana.

A organização apelou ao presidente da entidade máxima do futebol, Gianni Infantino, para que a publicação aconteça antes de um congresso em Bangkok, na Tailândia. Segundo pessoas familiarizadas com o processo, o relatório de Llamas concluiu que a Fifa tem a obrigação de fornecer soluções financeiras aos trabalhadores ou às famílias dos envolvidos nos projetos da Copa do Mundo de 2022. Tais conclusões foram aprovadas pelo conselho executivo do órgão em março.

Fifa atrasa seu dever para com os trabalhadores da Copa do Catar

Steve Cockburn, responsável pelos direitos laborais e esporte da Anistia Internacional, argumenta que a Fifa está atrasando seu dever para com os trabalhadores da Copa do Catar. Ele diz que a entidade máxima do futebol recebeu o relatório há meses, mas ainda não o divulgou ou sequer agiu conforme o documento. E essa demora tem um peso enorme para esses imigrantes e seus familiares.

– Este atraso apenas prolonga o sofrimento das famílias que perderam entes queridos e dos trabalhadores que foram vítimas de abusos, durante a realização do principal evento da FIFA. A Fifa não pode apagar esta dor, mas pode estabelecer um plano claro para fazer justiça e comprometer alguns dos seus vastos recursos para remediar os danos para os quais contribuiu.

A própria Fifa chegou a reconhecer a extensão da exploração dos trabalhadores imigrantes no Catar antes, durante e depois do Mundial. Antes da Copa do Mundo, a entidade tomou medidas para aprimorar os padrões de qualidade de vida dessas pessoas. Em 2022, Infantino sinalizou que estaria aberto a proporcionar soluções financeiras para esses trabalhadores e seus familiares.

Contudo, Infantino voltou atrás durante o Mundial, alegando que qualquer tipo de fundo monetário seria usado para desenvolver o jogo ao redor do planeta. Em janeiro deste ano, o chefe da Federação Norueguesa de Futebol, Lise Klaveness, liderou as críticas à entidade e seu legado sombrio na Copa do Mundo de 2022, cobrando a divulgação do relatório e mais transparência para com os trabalhadores.

 

Foto de Matheus Cristianini

Matheus CristianiniRedator

Jornalista formado pela Unesp, com passagens por Antenados no Futebol, Bolavip Brasil, Minha Torcida e Esportelândia. Na Trivela, é redator de futebol nacional e internacional.

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