Infantino: “O legado da Copa do Mundo é que muitas pessoas vieram ao Catar e descobriram o mundo árabe”
Presidente da Fifa, Gianni Infantino fez um balanço sobre a Copa do Mundo e respondeu diversas perguntas difíceis sobre a realização do torneio no Catar
O presidente da Fifa, Gianni Infantino, deu entrevista coletiva aos jornalistas nesta sexta-feira para fazer um balanço da Copa do Mundo e trazer algumas novidades. Uma delas foi o novo Mundial de Clubes com 32 clubes a partir de 2025, o dirigente ainda anunciou a Fifa World Series e a criação de novas competições no futebol feminino, como o Mundial de Clubes Feminino e a Copa do Mundo de Futsal Feminino. Além de anunciar mudanças, o presidente da Fifa se colocou à disposição da imprensa e respondeu perguntas difíceis sobre a Copa do Mundo no Catar. E, claro, elogiou a Copa do Mundo, que considerou um sucesso. Destacamos os principais pontos da entrevista do dirigente máximo da Fifa.
“A Copa do Mundo foi um sucesso incrível em todas as frentes”, afirmou Gianni Infantino. “A principal sendo os torcedores, o comportamento, a atmosfera de muita alegria, trazer as pessoas para ficarem juntas. Os torcedores conhecendo o mundo árabe, foi muito importante para o futuro de todos nós”, continuou o dirigente. “Quando se trata dos jogos, vimos alguns jogos muito competitivos, algumas surpresas, alguns grandes gols.
“No fim do dia, houve uma média de 10 minutos adicionais sendo jogados em cada partida. Foi uma Copa do Mundo justa em campo, sem simulações, nem tantos cartões amarelos e vermelhos. Mas isso mostra que o elogio vai para os jogadores e treinadores que mantiveram a calma e, claro, para os árbitros”.
“Foram feitos elogios unânimes do Conselho da Fifa a esta Copa do Mundo e ao poder de coesão único que esta Copa do Mundo demonstrou”, afirmou. “Obrigado a todos os envolvidos, Catar, todos os voluntários, que fizeram desta a melhor Copa do Mundo de todos os tempos”.
Segundo Infantino, 3,27 milhões de pessoas estiveram nos jogos da Copa do Mundo. “As partidas foram disputadas sem incidentes. Foi uma atmosfera de muita alegria”, disse. “Alguma coisa está acontecendo quando falamos sobre o futebol estar se tornando verdadeiramente global, com um time africano chegando à semifinal pela primeira vez. Também tivemos uma mulher apitando uma partida pela primeira vez. Foi um sucesso incrível, nos aproximamos de cinco bilhões em termos de espectadores”.
Infantino foi perguntado se esta Copa do Mundo deixará uma “mudança transformativa”, como era o objetivo. “Vou esperar até a final para julgar esta Copa do Mundo, mas o legado transformador desta Copa do Mundo é que muitas pessoas ao redor do mundo vieram ao Catar e descobriram o mundo árabe, que não conheciam, ou conheciam apenas pelo que lhes era retratado”, respondeu Infantino.
“O legado principal são os que vieram e os que foram para receber. Vocês podem passar um tempo juntos e curtir, e se conhecerem melhor. Essas pessoas que vão para casa vão falar da experiência e vão se abrir mais com os outros. Esta é uma importante legado não futebolístico que esta Copa do Mundo trouxe”.
“Uma das principais preocupações estava ligada à segurança e proteção, 32 países aqui ao mesmo tempo e no mesmo lugar. Não sabíamos como as pessoas reagiriam? Eles começariam a brigar entre si? Vimos que os seres humanos são mentalmente bons e positivos, porque as pessoas simplesmente se reúnem e quanto mais internacional melhor. Eles se reúnem para seguir sua paixão. Não tivemos um único incidente, isso é único”.
“A Copa do Mundo contribuiu um pouco para um entendimento mútuo – é algo muito positivo do ponto de vista não futebolístico. Eu poderia falar por algumas horas sobre o legado do futebol”, continuou o dirigente.
“Todo mundo é livre para expressar crenças de um modo respeitoso”
O presidente da Fifa também foi perguntado sobre a proibição das braçadeiras com arco-íris, que seriam usados por alguns países europeus e acabaram vetados pela Fifa. A entidade tratou de criar uma outra iniciativa, em parceria com a ONU, com mensagens de inclusão, mas muito mais amenas. O dirigente tentou justificar que a Fifa precisa preservar o jogo e falou da diversidade de crenças e do que cada um acredita entre os 211 membros da Fifa.
“A Fifa é uma organização de 211 países ao redor do mundo. Estou muito orgulhoso de que mais de 200 países expressaram seu apoio a mim e aos outros também sou muito grato. Existem muitas preocupações diferentes em diferentes países. Existem muitas culturas diferentes e, como Fifa, temos que cuidar de todos”, declarou.
“Existem muitas preocupações diferentes em diferentes países. Existem muitas culturas diferentes e, como Fifa, temos que cuidar de todos. Não temos que discriminar ninguém, seja qual for o regime e os valores, eles têm que se unir. Quando se trata de regulamentos, proibições, não se trata de proibir, trata-se de respeitar os regulamentos. Todos são livres para expressar suas crenças, desde que seja feito de maneira respeitosa, mas quando se trata do campo de jogo, você precisa respeitar e proteger o futebol”.
“São 211 times de futebol, não chefes de estado, e seus torcedores querem vir e aproveitar o futebol. É para isso que estamos aqui. Acredito que estamos defendendo valores, defendendo os direitos humanos, defendendo os direitos de todos na Fifa, na Copa do Mundo”.
“Mas também acredito que esses torcedores que vêm ao estádio e todos aqueles bilhões assistindo pela TV talvez – e devemos pensar nisso – eles sentem que cada um tem seus próprios problemas, eles só querem passar 90 minutos sem ter que pensar em mais nada do que apenas desfrutar de um pequeno momento de prazer, alegria ou emoção”.
“É isso que temos que fazer – temos que dar um momento no tempo em que eles possam esquecer seus problemas e aproveitar o futebol. Entre as competições, fora do jogo todos podem expressar suas opiniões, mas por 90 minutos vamos dar esse momento de alegria”.
- - ↓ Continua após o recado ↓ - -
“Chegou a hora da África”
“O Marrocos tem jogado excepcionalmente bem, com muita vontade e qualidade inegável. Chegar à semifinal não é por acaso, é fruto de um esforço de longo prazo”, afirmou o dirigente. “Gostaria de parabenizar também as outras seleções africanas. O Senegal conseguiu passar da fase de grupos, por exemplo, não o tendo feito da última vez”.
“Por muitas décadas, falamos sobre o desenvolvimento do futebol africano e quando chegará a hora deles, e acho que chegou a hora deles. Haverá o dobro de seleções africanas na próxima Copa do Mundo e tenho certeza de que podemos esperar mais alguns excelentes atuações”.
“Qualquer pessoa morrendo é uma morte a mais do que deveria”
Assunto inevitável, Gianni Infantino foi perguntado sobre as mortes de trabalhadores no Catar. “Qualquer pessoa morrendo é uma morte a mais do que deveria, é uma tragédia para as famílias e para todo mundo”, disse o presidente da Fifa.
“Os números que você mencionou são dois números diferentes. Três mais um são pessoas que morreram na construção de estádios. Os 400/500 são pessoas que morreram na construção geral desde 2014. Quando falamos de números, temos que ser muito precisos para não criar impressões de algo que é outra coisa”, afirmou Infantino.
“Temos que estar atentos a como retratamos isso. Para nós toda perda de vida é uma tragédia e o que pudermos fazer para mudar a legislação para proteger a situação dos trabalhadores, fizemos e aconteceu. O que ainda podemos fazer para o futuro, estamos fazendo”.
“Queremos trazer essa experiência para o futuro e garantir que podemos ajudar e alavancar a Copa do Mundo e dar destaque a ela para tornar a vida das pessoas e de suas famílias um pouco melhor”.
“Tem que ser a missão da Fifa organizar eventos em novos países”
Infantino também foi perguntado sobre o que ele irá tirar desta Copa do Mundo. “Você precisa perguntar às pessoas que vieram de diferentes continentes. O que foi conseguido aqui no Oriente Médio foi algo único. Todo mundo indo para casa com uma boa memória e tenho certeza que voltarão. Apenas a Copa do Mundo pode fazer isso de uma forma tão grande”, afirmou. “Tem que ser a ambição e missão da Fifa organizar eventos em novos países”.
Fifa teve receita de US$ 7,5 bilhões no ciclo que termina em 2022
O dirigente ainda informou que o Conselho da Fifa aprovou o orçamento para o próximo ciclo, de 2023 a 2026, além das receitas da entidade no ciclo que se fecha este ano. “No que diz respeito à reunião do conselho, podemos confirmar as receitas deste ciclo de quatro anos: US$ 7,5 bilhões”, disse Infantino. “Olhando para frente, o Conselho da Fifa aprovou o orçamento para o próximo ciclo de quatro anos, de quase US$ 11 bilhões, dos quais US$ 10 bilhões irão direto de volta ao futebol”.
Infantino foi perguntado também sobre o aumento do orçamento, de US$ 7,5 bilhões para US$ 11 bilhões. “Somos otimistas sobre o poder do futebol”, disse Infantino. “Sobre o que acreditamos ser o impacto do futebol, ou do futebol, somos mais do que otimistas”.
“Estamos convencidos de que o impacto do jogo será enorme. Foi enorme aqui, será incrível na América do Norte: 48 times, mais jogos, as receitas vão aumentar. Vamos jogar em grandes estádios, estádios que normalmente são usados para o futebol americano, 80-90 mil pessoas. Muitas atrações para os torcedores, esperamos 5,5 milhões de torcedores viajando nesses eventos. Estamos convencidos de que o futebol crescerá na América do Norte. Estamos realmente convencidos do crescimento”.
“A Fifa compartilha tudo de sua riqueza. Todas as receitas estão sendo redistribuídas. Quando se trata de um fundo legado, publicamos algumas informações sobre isso e seguiremos”.



