Copa do Mundo

CEO da Copa do Mundo do Catar minimiza morte de trabalhador imigrante: “É parte natural da vida”

Nasser Al Khater enviou condolências à família de um trabalhador filipino que morreu enquanto consertava as luzes de um estacionamento de um hotel onde a seleção saudita treinou, mas criticou os jornalistas por ter sido perguntado sobre o assunto

O CEO da Copa do Mundo do Catar, Nasser Al Khater, minimizou a morte de um trabalhador imigrante em um resort utilizado como centro de treinamento pela seleção da Arábia Saudita, durante a realização do torneio, e voltou a criticar a imprensa por insistir em perguntas sobre as condições laborais do país sede do Mundial.

Um homem filipino com cerca de 40 anos envolveu-se em um acidente no hotel Sealine Resort, para onde foi enviado pela empresa catari Salam Petroleum para consertar as luzes do estacionamento. Ele escorregou de uma rampa que acompanhava uma empilhadeira e caiu de cabeça no concreto. Foi levado de helicóptero ao hospital, mas não sobreviveu, segundo relato do The Athletic.

“Estamos no meio de uma Copa do Mundo e estamos tendo uma Copa do Mundo de sucesso e é disso que você quer falar agora?”, respondeu Al Khater. “A morte é parte natural da vida, seja no trabalho ou quando você está dormindo. Um trabalhador morreu. Nossas condolências à família, mas é estranho que isso seja algo em que você queira focar na sua primeira pergunta. A morte de trabalhadores foi um grande assunto durante a Copa do Mundo. Tudo que foi dito e tudo que foi refletido sobre as mortes de trabalhadores têm sido absolutamente falso”.

“Estamos um pouco decepcionados que os jornalistas estejam exacerbando essa falsa narrativa. E honestamente, eu acho que muitos jornalistas têm que se perguntar e refletir por que eles estão tentando insistir nesse assunto há tanto tempo”, acrescentou.

As mortes de trabalhadores imigrantes foram um dos principais assuntos ao longo da preparação. O comitê organizador do Mundial afirmou que 37 operários envolvidos nas obras dos estádios morreram, apenas três por motivos diretamente relacionados ao trabalho que estavam fazendo. Em 29 de dezembro, o Comitê pela primeira vez deu uma estimativa de trabalhadores imigrantes que morreram em todas as obras relacionadas à Copa do Mundo, incluindo infraestrutura, que seria entre 400 e 500 pessoas.

A Anistia Internacional cobrou o governo do Catar por não investigar corretamente as mortes de milhares de trabalhadores imigrantes nos mais de 10 anos de preparação para a Copa do Mundo, diante de muitas denúncias de condições laborais insalubres, como expedientes extremamente longos sob temperaturas altíssimas e com pouco ou nenhum intervalo. Uma autoridade do governo do Catar afirmou à CNN que o caso do imigrante filipino está sendo investigado.

“O comentário da autoridade do Catar exibe um insensível desrespeito com o trabalhador imigrante que morreu. Seu comunicado de que mortes acontecem e é natural quando acontecem ignora a verdade de que muitas mortes de trabalhadores imigrantes eram preveníveis”, disse a porta-voz da organização não governamental Human Rights Watch. A Anistia Internacional voltou a cobrar mais investigações às mortes de trabalhadores imigrantes no Catar.

“Nós e outros estamos pedindo que as autoridades do Catar conduzam investigações às mortes dos trabalhadores há anos sem uma resposta. Em vez disso, eles continuam simplesmente assinando várias mortes como sendo por ‘causas naturais’, apesar dos claros riscos de saúde associados ao trabalho em temperaturas extremas”, disse uma pesquisadora de direitos trabalhistas de imigrantes da Anistia Internacional, Ella Knight.

A Fifa afirmou que está “profundamente triste” com a tragédia e entrou em contato com as autoridades locais para pedir mais detalhes. Oficialmente, o comitê organizador afirmou que o local da morte não está sob a sua jurisdição e que o trabalhador era terceirizado, e por isso o assunto está sendo tratado pelas “autoridades relevantes do governo”.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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