Copa do Mundo 2026

Como Fabián Ruiz e Olmo foram cruciais para colocar a Espanha na final da Copa do Mundo

Meio-campo da seleção espanhola ganhou força necessária para vencer a França curiosamente deixando um de seus maiores talentos no banco

A Espanha eliminou a França na semifinal da Copa do Mundo de 2026 com uma vitória por 2 a 0 nesta terça-feira (14). Apesar de um jogo equilibrado no que diz respeito à posse de bola, o meio-campo espanhol foi novamente crucial para a vitória. E, curiosamente, Pedri não estava no time titular.

O craque do Barcelona é um dos grandes meias do futebol mundial, mas ficou no banco nas quartas de final, contra a Bélgica, e novamente foi preterido por Fabián Ruíz no time titular. E a decisão de Luis de la Fuente se provou certa mais uma vez.

O que o meio da Espanha ganha sem Pedri foi crucial contra a França

Não ter Pedri no time obviamente tira da equipe algumas de suas grandes virtudes: o astro do Barcelona é um dos grandes interpretadores do Jogo de Posição e consegue conceber com clareza, na maior parte do tempo, quais e onde estão as vantagens dentro do jogo. É por isso que a Espanha mantém a bola com critério e consegue espaçar o campo lateral e verticalmente para criar espaço.

Por outro lado, há jogos que exigem diferentes abordagens. Contra um adversário tão forte fisicamente como a França, é possível que Pedri fosse exposto. Principalmente no cenário em que o jogo se desenhou: um confronto aberto, com muitos duelos e momentos perigosos de transição.

Fabián Ruíz, por sua vez, é outro estilo de meio-campista. Ainda que tenha grande qualidade com a bola no pé e seja capaz de manter o estilo de posse pausada espanhola, é um jogador de 1,89m e com imposição física para ajudar a encorpar o setor mais importante do campo.

Pedri pela seleção espanhola
Pedri pela seleção espanhola (Foto: IMAGO / Crystal Pix)

E foi exatamente isso que o camisa 8 conseguiu fazer: foram sete recuperações de bola, além de ter vencido cinco dos seis duelos defensivos que disputou, cometendo uma única falta. Em um setor do campo em que enfrentava jogadores habilidosos e criativos como Michael Olise e Ousmane Dembélé, além de meio-campistas físicos como Aurélien Tchouaméni e Adrien Rabiot, foi crucial.

Para além das contribuições defensivas, Ruíz também se manteve importante sem a bola durante a fase de organização ofensiva. Na rotação espanhola, que muitas vezes tinha Marc Cucurella atacando a profundidade, recuava para ser uma opção de passe livre, mas também se movimentava constantemente para ocupar espaços entre as linhas de marcação francesas.

Com a bola, teve ótimo trabalho principalmente em conduções. Se a Espanha não conseguiu manter um jogo de posse tranquila por muito tempo, contou com a grande capacidade do seu camisa 8 para sustentar a pressão nas costas para reter a bola com tranquilidade durante a construção e especialmente suas conduções, que conseguia fazer mesmo marcado.

Forte e alto, Ruíz conseguia proteger a bola bem e os números reforçam seu papel importante: teve 22 conduções ao longo do jogo que somaram 163 metros levando a bola consigo mesmo. Destes, 71 metros foram com conduções progressivas. E mesmo sendo substituído aos 78 minutos, teve 83 toques na bola — seria o jogador mais envolvido da Espanha, atrás apenas dos 86 toques de Aymeric Laporte, que jogou os 90 minutos.

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Rodri sustenta e Olmo tem liberdade para criar um meio versátil para a Espanha na Copa do Mundo

Rodri em ação pela seleção espanhola
Rodri em ação pela seleção espanhola (Foto: IMAGO / Crystal Pix)

Ter Ruíz ao lado de Rodri também transforma o meio-campo espanhol em um misto de qualidade para manter a posse com solidez física. O capitão é um dos grandes tranquilizadores do futebol com a bola no pé e tem grande entendimento das vantagens e quando e para onde soltar a bola, mas é um tanque defensivo de 1,91m.

Contra a França, Rodri venceu sete dos 12 duelos ao longo do jogo, além de ter 100% de aproveitamento nos quatro duelos pelo alto. Sua influência no jogo espanhol já é sabida, mas a combinação com outro meio-campista físico e ainda mais atlético ao seu lado eleva a defesa espanhola.

À sua frente, a dupla ainda conta com Dani Olmo, que tem sido um grande respiro para os admiradores dos camisas 10 — por mais que, claro, não seja aquela imagem do pifador estático. O meia do Barcelona tem muita liberdade para entender onde há espaço e ocupá-lo.

Essa interpretação do espaço serve para os dois momentos com bola: Olmo baixava na linha dos volantes para ajudar a construção e geralmente aparecia como o homem livre frente o 4-4-2 em linha da defesa francesa; e também para entrar no último terço, ocupando os espaços deixados por Mikel Oyarzabal, o falso nove, e se posicionando entre as linhas ou perto das laterais.

Olmo é um jogador naturalmente associativo e habilidoso. Sua liberdade o permitia se aproximar de Lamine Yamal para criar superioridade numérica, encontrar passes em profundidade ou ele mesmo atacar a área quando o companheiro atraía a marcação. E na dinâmica de falso nove de Oyarzabal, foi o camisa 10 que esteve entre os zagueiros para ser o pivô que deu a assistência a Pedro Porro no segundo gol.

Se Ruíz no lugar de Pedri fez o meio espanhol ser ainda mais físico sem perder a qualidade para manter a bola, é Dani Olmo que permite que as dinâmicas no ataque funcionem com irreverência e criatividade. E é o dedo de Luis de la Fuente que, ao acreditar nessas convicções, levou a Espanha à final da Copa do Mundo.

Foto de Guilherme Ramos

Guilherme RamosRedator

Jornalista pela UNESP. Vencedor do prêmio ACEESP de melhor matéria escrita de 2025. Escreveu um livro sobre tática no futebol e, na Trivela, escreve sobre futebol nacional, internacional e de seleções.

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