Copa do Mundo 2026

Com estrelas de fora, lesões da Inglaterra na Copa do Mundo colocam convocação polêmica de Tuchel em xeque

Técnico defende lista montada para o Mundial, mas problemas físicos e dificuldade contra defesas fechadas fazem crescer questionamentos sobre ausências como Palmer, Foden e Alexander-Arnold

Thomas Tuchel sorriu antes de responder que o empate sem gols da Inglaterra contra Gana não diz nada sobre as limitações do elenco que ele levou à Copa do Mundo de 2026. O treinador preferiu evitar qualquer arrependimento em sua fala e lembrou que outras favoritas também tropeçaram na fase de grupos, incluindo o próprio Brasil.

Por mais que o alemão tenha rejeitado a ideia de que os jogadores deixados de fora seriam automaticamente a solução para os problemas da equipe, o debate voltou a reacender depois de duas lesões importantes no elenco. Sem Reece James e com possíveis problemas no meio-campo, Tuchel deveria ter chamado nomes mais “consolidados”?

  
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Tuchel mantém o posicionamento de ‘time coeso é mais importante que estrelas’

A atuação inglesa contra Gana reacendeu críticas que já existiam desde a divulgação da convocação. E elas ganharam ainda mais força após a confirmação da lesão de Reece James, que está fora do duelo contra o Panamá e pode desfalcar a equipe também no mata-mata.

As condições físicas de Declan Rice e Elliot Anderson aumentam ainda mais a sensação de que algumas escolhas de Tuchel talvez tenham reduzido as alternativas da Inglaterra justamente no momento em que o elenco mais precisa de profundidade.

Mais do que um tropeço isolado, o empate contra os africanos reforçou uma impressão que acompanha a seleção desde o início do trabalho do alemão: a Inglaterra parece confortável quando encontra espaços para atacar, mas ainda sofre para desmontar adversários que apostam em linhas baixas e poucos riscos.

Thomas Tuchel durante coletiva após a convocação (Foto: PA Images / Icon Sport)
Thomas Tuchel durante coletiva após a convocação
(Foto: PA Images / Icon Sport)

A Inglaterra terminou o confronto contra Gana com 78% de posse de bola, mas produziu apenas quatro finalizações na direção do gol. Ao longo da partida, Tuchel tentou mudar o cenário promovendo cinco substituições ofensivas. Bukayo Saka, Morgan Rogers, Eberechi Eze, Marcus Rashford e Nico O’Reilly entraram em campo, mas pouco alteraram a dinâmica de um ataque previsível e com dificuldades para criar superioridade numérica.

Depois da vitória por 4 a 2 sobre a Croácia na estreia, o desempenho representou um choque de realidade. O problema, segundo o próprio treinador, não é exclusivo da Inglaterra.

“É difícil para qualquer equipe enfrentar uma defesa tão fechada. Ainda não encontrei uma fórmula mágica. Às vezes, tudo depende de um momento de qualidade, de um cruzamento melhor ou de um chute de fora da área”, explicou Tuchel.

A explicação faz sentido dentro da proposta do treinador, mas também alimenta uma pergunta inevitável: não seriam jogadores como Cole Palmer, Phil Foden ou Adam Wharton especialistas em oferecer esse tipo de solução?

Palmer ganhou notoriedade na Euro 2024 entrando bem durante as partidas. Foden, mesmo em uma temporada abaixo do esperado pelo Manchester City, continua sendo um dos jogadores ingleses mais criativos entrelinhas. Já Wharton construiu reputação justamente pela capacidade de controlar o ritmo das partidas e encontrar passes em espaços reduzidos.

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Lesões fazem ausências na Copa do Mundo voltarem às críticas

O debate ganhou um novo ingrediente com os problemas físicos que começam a aparecer no elenco. Reece James virou baixa justamente em um setor que já havia perdido profundidade. Sem Trent Alexander-Arnold entre os convocados, Tuchel deve levar Djed Spence, destro, mas opção para a esquerda, à lateral-direita, enquanto Nico O’Reilly pode à titularidade do outro lado.

A ausência do jogador do Real Madrid passa a parecer ainda mais questionável diante desse cenário. Mesmo sem ser um lateral convencional, Alexander-Arnold oferece características únicas na construção ofensiva, especialmente contra equipes fechadas. Sua capacidade de inverter o jogo, acelerar a circulação da bola e criar oportunidades com passes longos poderia oferecer uma alternativa diferente das opções atualmente disponíveis.

Konsa e Semenyo disputam a posse em Inglaterra x Gana. Foto: IMAGO/Sports Press Photo
Konsa e Semenyo disputam a posse em Inglaterra x Gana. Foto: IMAGO/Sports Press Photo

Tuchel, no entanto, mantém a confiança nas decisões tomadas antes da Copa. Segundo o treinador, o grupo foi montado com base no desempenho recente dos atletas e na forma como imaginava desenvolver seu modelo de jogo. Para ele, transformar quem ficou fora em solução automática seria uma análise simplista.

Ainda assim, as circunstâncias mudaram. Além das lesões, alguns jogadores ainda não conseguiram repetir no Mundial o desempenho apresentado nos amistosos preparatórios. Anthony Gordon perdeu impacto pelo lado esquerdo, Marcus Rashford continua sendo utilizado de maneira pontual, e a equipe parece depender cada vez mais de jogadas de bola parada ou transições rápidas para criar perigo.

Tuchel reconhece que o próximo desafio deverá seguir roteiro parecido. O Panamá também deve atuar com linhas baixas, congestionando os espaços e obrigando a Inglaterra a encontrar soluções em um cenário que, até aqui, tem sido seu maior obstáculo na Copa.

Independentemente do resultado, a discussão sobre os nomes ausentes dificilmente desaparecerá. Afinal, em torneios curtos como uma Copa do Mundo, lesões, perda de rendimento e mudanças de contexto costumam transformar rapidamente decisões que pareciam sólidas em escolhas duvidosas ou completamente erradas

Foto de Guilherme Ramos

Guilherme RamosRedator

Jornalista pela UNESP. Vencedor do prêmio ACEESP de melhor matéria escrita de 2025. Escreveu um livro sobre tática no futebol e, na Trivela, escreve sobre futebol nacional, internacional e de seleções.

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