Copa do Mundo 2026

Capitão do Irã: ‘Essa Copa do Mundo foi um desastre. Fizeram de tudo para nos eliminar’

Taremi critica a organização da Copa do Mundo, reclama de restrições impostas pelos Estados Unidos e afirma que promessas de Gianni Infantino nunca foram cumpridas

Mehdi Taremi fez um dos pronunciamentos mais duros da Copa do Mundo 2026 até aqui, depois da eliminação do país no torneio. Capitão da seleção do Irã, o atacante disparou contra a Fifa e a organização do torneio nos Estados Unidos ao denunciar as dificuldades enfrentadas pela delegação iraniana durante a competição.

Após mais uma sequência de deslocamentos entre México e Estados Unidos, o camisa 9 afirmou que a equipe disputa o Mundial em condições desiguais e acusou os organizadores de criarem obstáculos que prejudicam exclusivamente o Irã.

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Taremi denuncia impacto das restrições na campanha do Irã

As críticas vão desde os constantes controles migratórios até a impossibilidade de permanecer em território americano entre as partidas, obrigando a delegação a retornar ao México após alguns compromissos. Para Taremi, a situação compromete diretamente a preparação esportiva da equipe.

“Esta é uma Copa do Mundo desastrosa. Como jogadores profissionais, não podemos jogar uma competição nessas condições, não está certo nem é justo. Se a Fifa acha que isso é justo, problema deles, mas não é. Quem deveria resolver esse problema para nós? A Fifa? Os EUA? Não sei! Me digam um nome.”

O atacante ainda direcionou críticas ao presidente da Fifa, Gianni Infantino, afirmando que o dirigente prometeu solucionar os problemas enfrentados pela seleção, mas nada mudou desde então.

Medhi Taremi, atacante da seleção do iraniana (Foto: IMAGO / Sebastian Frej)
Medhi Taremi, atacante da seleção do iraniana (Foto: Imago/Sebastian Frej)

“O presidente da Fifa, Gianni Infantino, veio ao nosso vestiário depois do primeiro jogo contra a Nova Zelândia e disse que ia resolver todos os problemas, mas na verdade a Fifa não fez nada.”

A principal reclamação do capitão iraniano envolve a logística imposta à seleção durante o Mundial. Segundo Taremi, o Irã não pôde permanecer nos Estados Unidos entre uma partida e outra. Com isso, a delegação precisou cruzar fronteiras repetidamente, enfrentar novos procedimentos de imigração e retornar ao México sempre que necessário.

O atacante citou como exemplo a situação vivida após o compromisso em Seattle. Em vez de permanecer na cidade para dar sequência à preparação, a equipe foi obrigada a voltar para Tijuana antes de realizar uma nova viagem para disputar o próximo jogo.

Na visão do camisa 9, trata-se de uma desvantagem competitiva significativa em relação a outras seleções.

“Temos que lutar contra absolutamente tudo. Não podemos ficar no país, viajamos e passamos por controles migratórios toda vez que queremos jogar, agora não podemos ficar em Seattle e temos que voltar para Tijuana.”

As dificuldades enfrentadas pelo Irã já haviam sido tema de debate antes mesmo do início da Copa. O contexto geopolítico envolvendo as relações entre Estados Unidos e Irã levantou dúvidas sobre a emissão de vistos e a logística da delegação, embora a Fifa tenha garantido que todas as seleções poderiam disputar o torneio.

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‘Querem o Irã fora da Copa do Mundo’, diz Taremi

O momento mais contundente da entrevista aconteceu quando Taremi foi questionado diretamente se acreditava que os organizadores preferiam ver o Irã eliminado da Copa do Mundo.

O atacante não hesitou na resposta e fez uma acusação que certamente aumentará a pressão sobre a Fifa:

“Respondendo à pergunta: ‘Vocês sentem que os organizadores da Copa do Mundo, incluindo a Fifa e as autoridades americanas, preferem que o Irã seja eliminado da competição?’, eu digo: Temos que lutar contra absolutamente tudo. Não podemos ficar no país, viajamos e passamos por controles migratórios toda vez que queremos jogar. Fizeram de tudo para nos eliminar, então, sob a nossa perspectiva, sim, acho que eles querem assim, nos querem fora.”

Depois da fala do capitão iraniano, nem a Fifa nem as autoridades responsáveis pela organização da Copa do Mundo responderam publicamente às declarações do jogador.

Foto de Guilherme Ramos

Guilherme RamosRedator

Jornalista pela UNESP. Vencedor do prêmio ACEESP de melhor matéria escrita de 2025. Escreveu um livro sobre tática no futebol e, na Trivela, escreve sobre futebol nacional, internacional e de seleções.

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