Endrick, Neymar ou mudança de estilo? O que acontece com o Brasil sem Paquetá na Copa do Mundo
Lesão do meia pode impactar a forma como a Seleção cria e quem entra em campo como titular de Ancelotti
Lucas Paquetá se lesionou na vitória do Brasil contra o Japão, por 2 a 1, na segunda-feira (29). O jogo que garantiu a Seleção nas oitavas de final viu o meia deixar o campo no intervalo com dores no posterior da coxa e ser substituído por Endrick. Nesta terça (30), a CBF afirmou que o meia já está em tratamento intensivo, mas não deu uma data de recuperação.
A entrada do atacante ex-Palmeiras foi situacional por conta da leitura de jogo de Ancelotti: mudou a proposta de um time que buscava, mas não conseguia, construir entrelinhas e atacar as costas da defesa, para uma equipe com mais foco nos lados do campo. Mas pode ser que essa não seja a saída para o próximo jogo.
Entre manter a ideia de controlar o jogo por dentro, voltar ao 4-2-4 ou priorizar pontas nos lados para jogadas individuais, Ancelotti tem diversas opções. Mas cada uma delas pode gerar um substituto diferente para Paquetá.
Quem o Brasil pode enfrentar no mata-mata?
Sai Paquetá: qual será o papel de Matheus Cunha na seleção brasileira?
Com a entrada de Endrick contra o Japão, Matheus Cunha foi impactado: foi o camisa 9 quem assumiu o papel do meia do Flamengo. Cunha já havia sido esse meia pela esquerda no 4-3-3 antes, na vitória do Brasil contra a Croácia.
A ideia mudou: de um time que queria atacar a profundidade e usar movimentos do falso nove e dos meias para congestionar o entrelinhas e liberar espaço nas costas da defesa, priorizou fixar a defesa com Endrick e buscar jogadas individuais e cruzamentos pelos lados.
Sem Paquetá, a Seleção teoricamente não tem mais esse meia associativo, que gosta de jogar com passes curtos e também entrega criatividade com lançamentos em profundidade e, principalmente, trabalho defensivo de qualidade. No fim, Gabriel Martinelli entrou para ser esse jogador que pressiona e volta para defender enquanto ainda é uma ameaça no ataque — e ainda fez o gol.
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Mas sem essa figura do meia criativo em curto espaço, o estilo do Brasil deve mudar. E quem é mais impactado é Matheus Cunha: pode se manter como centroavante, pode se tornar o substituto no meio-campo ou até mesmo virar reserva.
Cunha é o melhor falso nove do time, mas sem um meia de associação curta e dinâmico como Paquetá, pode ser que a dinâmica de um falso nove não faça tanto sentido. E mesmo que ele também possa ser um meia, é possível que Danilo Santos, por exemplo, ganhe espaço como um segundo-volante que pisa na área e ainda seja feroz defensivamente.
No fim, tudo depende da ideia que Ancelotti vai querer para o time — e Cunha é o termômetro do que vinha sendo o principal foco da equipe na Copa do Mundo.
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Endrick, Igor Thiago e Neymar podem ser opções para o Brasil
Com a ausência de Paquetá, muito de como o Brasil vai chegar ao ataque passa pela mudança do perfil do centroavante. E cada opção de Ancelotti lhe dá uma possibilidade:
- Endrick foi o escolhido contra o Japão para ser um centroavante que tem mobilidade e saiba baixar para jogar curto no meio, mas que seja perigoso atacando as costas da defesa e um bom defensor em pressão alta;
- Igor Thiago foi titular na estreia contra Marrocos e é uma opção para ser um camisa 9 que briga em termos físicos com os zagueiros da Noruega, os adversários do Brasil nas oitavas de final;
- Neymar, que em seus quase 20 minutos contra a Escócia, foi esse falso nove com mobilidade, pode entrar caso Cunha seja o substituto direto de Paquetá no meio-campo.
O jogo contra a Noruega pode ser decidido em como a Seleção vai criar espaço para seus jogadores mais habilidosos atuarem nos lados ou com espaços entre as linhas. E isso também passa por quem será o centroavante.
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Endrick foi o escolhido para fazer isso no último jogo, mas Igor Thiago pode ser uma opção para buscar pivôs e arrastar a linha defensiva norueguesa para trás. O ex-Palmeiras, no entanto, ainda pode se beneficiar dos zagueiros lentos para correr nas suas costas ou se desmarcar lateralmente ou descendo para ajudar no meio.
Neymar também é uma possibilidade, mas é difícil pensar que aguentaria facilmente um jogo duro fisicamente contra um time como o da Noruega. Ainda assim, pode ser esse falso nove que recua para participar da armação e liberar espaço para Vinicius Júnior, Rayan e o próprio Cunha atacar nas costas de uma defesa lenta.
A possibilidade de Martinelli e mudança de proposta para a Copa do Mundo
Entre as opções menos usuais está Gabriel Martinelli. Originalmente ponta-esquerda no Arsenal e em todo o ciclo com a seleção brasileira, foi usado como meia do 4-3-3 contra o Japão e se consagrou herói da classificação para as oitavas.
O apelo do gol pode lhe render uma titularidade ousada e até difícil de explicar por características. Martinelli é um ponta tradicional: que gosta da lateral e de atacar espaços e ir à linha de fundo, tanto vertical quanto diagonalmente. Então por que ele seria uma opção para substituir Paquetá, um meia?
Ancelotti já havia feito essa substituição contra a Escócia e a repetiu contra o Japão: Martinelli entrou como um meia para, principalmente, ser mais um defensor voraz em momentos de pressão e trabalhador nos momentos de organização defensiva. Como Paquetá defendia a linha lateral pela esquerda no 4-4-2 (e, posteriormente, no 4-1-3-2), Martinelli seria uma forma de manter o trabalho defensivo em alta.
Mas as entradas do jogador do Arsenal vieram em cenários em que o time precisava se manter ativo defensivamente no fim do jogo. Desde o início, no entanto, seria curioso tê-lo no meio-campo. Mas mesmo contra o Japão, Martinelli mostrou que tem características que o colocam no páreo.
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Seu gol mostra isso: foi rápido para atacar um intervalo aberto na transição ofensiva e teve qualidade de atacante para finalizar. É um jogador veloz e dinâmico para ocupar esses espaços abertos pelos companheiros e, em um time que trabalha muito isso, Martinelli se torna uma opção importante.
Por outro lado, assim como o papel de Cunha e de quem será o substituto de Paquetá, resta saber como Ancelotti pensa no modelo de jogo da Seleção contra a Noruega. Se voltar à ideia de um 4-3-3 clássico com pontas abertos e que prioriza jogadas individuais pelos lados, pode ser que, inclusive, Danilo Santos ou até Éderson passem a ser cogitados.
Ambos são segundos-volantes dinâmicos, que pisam na área para finalizar, mas têm grande ímpeto defensivo e principalmente físico para pressão alta. Danilo é mais testado e, canhoto, estaria ao pé natural no lado que Paquetá ocupa — algo que pode ser relevante levando em consideração a forma como pode entrar na área pronto para chutar a partir do meio-espaço.
Em uma Copa do Mundo repleta de mudanças para o Brasil desde antes do torneio, recalcular a rota nas oitavas não parece mais tão problemático quanto se imaginava. Um time que saiu de um 4-2-4 sul-americano que amava progredir pelo meio para um 4-3-3 guardiolista e um losango que prefere a velocidade nas costas da defesa, o Brasil deve se reinventar de novo. E uma única lesão de Paquetá pode gerar todo esse quebra-cabeça.