Eliminatórias da Copa

O que está por trás da declaração de Scaloni sobre possível saída da seleção argentina

Scaloni causou fervor ao colocar seu futuro na Albiceleste em xeque

Na última terça-feira (21), a Argentina venceu o Brasil por 1 x 0, no Maracanã, pela 6ª rodada das Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa do Mundo de 2026. E não foram apenas mais três pontos para a equipe de Lionel Scaloni, já que essa foi a primeira vitória da Albiceleste jogando contra a Amarelinha, fora de casa, na história do qualificatório.

Em meio à euforia do feito inédito, uma bomba pegou todo mundo de surpresa. Durante sua coletiva, o técnico argentino causou fervor ao colocar seu futuro em xeque. Scaloni disse querer “parar a bola”, se “colocar para pensar neste tempo” e que “está muito complicado de seguir”. Por fim, ainda declarou:

“Essa seleção precisa de um treinador que tenha todas as energias possíveis”.

Campeão da Copa do Mundo no Qatar, o treinador renovou recentemente seu contrato. Por conta disso, o jornal Clarín fez um levantamento do que está por trás da declaração de Lionel Scaloni sobre a possível saída da seleção argentina.

O que motivou Scaloni a considerar seu adeus à Albiceleste?

Em 2018, o técnico assumiu a Albiceleste, que vivia uma seca de títulos e período de instabilidade. Mesmo assim, Lionel Scaloni foi um dos responsáveis por levar a Argentina a conquista da Copa América de 2021, em cima da própria Amarelinha. Isso significou o fim de um jejum de 28 anos da seleção sem ser campeã.

No ano seguinte, Scaloni atingiu seu ápice ao vencer o Mundial contra a França. A terceira Copa do Mundo coroou o sucesso de Messi e companhia, incluindo o técnico, que foi premiado com o The Best da FIFA na categoria, superando nomes Carlo Ancelotti, do Real Madrid, e Pep Guardiola, do Manchester City.

Isso aconteceu em fevereiro de 2023, assim como o anúncio da extensão do vínculo de Lionel Scaloni com a Associação de Futebol da Argentina (AFA) até 2026. Como tudo indo bem nesta temporada, o clima nos vestiários era de muita festa. Só que tudo mudou quando os jogadores e o presidente da federação, Claudio Chiqui Tapia, foram pegos de surpresa com a coletiva do treinador no Maracanã.

A demora nas negociações para renovar o contrato de Scaloni ajuda a explicar seu descontentamento na seleção argentina. Além disso, o desgaste com a AFA causadas por diferenças logísticas das últimas viagens, falta de capacidade na resolução de problemas e questões econômicas completam o bolo da possível saída do treinador da Albiceleste.

Rumores ainda dão conta de que ele e parte de sua comissão técnica ainda não receberam o prêmio por terem sidos campeões mundiais no Qatar. Uma mudança na política de diárias que a federação oferece a seus funcionários também afetaram diretamente os bolsos do técnico.

A questão política também é um dos agravantes. Antes do segundo turno das eleições presidenciais na Argentina, Lionel Scaloni foi bastante criticado nas redes sociais por não dar sua opinião sobre às Sociedades Anónimas Desportivas (a lei da SAF do país vizinho), Javier Milei, que foi eleito, as apoiava, enquanto Sergio Massa, não.

O presidente da AFA também não consultou o técnico da Albiceleste sobre sediar uma das partidas de abertura da Copa do Mundo de 2030. Por fim, a confusão nas arquibancadas do Maracanã antes do Superclássico, a ida da seleção aos vestiários sob o discurso de que “não teria jogo”, para depois voltar a campo, também influenciaram.

Jogadores e AFA querem convencer o técnico a continuar na seleção argentina

Otamendi, Mac Allister, Paredes e Romero foram os únicos jogadores a falaram com a imprensa na zona mista após a polêmica fala do treinador da seleção. Eles garantiram que vão fazer de tudo para “convencer” Scaloni a permanecer na Albiceleste. Esse também é o desejo de Claudio Tapia.

O sorteio da Copa América de 2024 será realizado em fevereiro. Até lá, Scaloni terá bastante tempo para pensar em seus próximos passos na carreira. Ele pode reconsiderar sua possível saída da Argentina, assim como se decidir de vez de tal ato. Fato é que há muito a ser considerado daqui até março, próximo compromisso da seleção.

Foto de Matheus Cristianini

Matheus Cristianini

Formado em Comunicação Social - Jornalismo pela Unesp, é apaixonado por esportes, acima de tudo o futebol. Por mais redundante que seja, ama escrever sobre o que é apaixonado, ficando de olho em tudo o que acontece dentro e fora de campo. Após passar por Antenados no Futebol, Bolavip Brasil, Minha Torcida e Esportelândia, se juntou à equipe da Trivela com muita vontade de continuar crescendo.
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