Quais são as dúvidas das favoritas a 50 dias da Copa do Mundo?
Faltam apenas 50 dias para a Copa do Mundo. É o momento em que as principais seleções estão ficando cada vez mais prontas para o principal torneio de futebol mundo.
Mas o que as principais favoritas ao Mundial de 2026 ainda precisam resolver? Veja as opiniões dos nossos repórteres.
Argentina tem dúvidas na defesa
Faltando 50 dias para a Copa do Mundo, a seleção argentina, atual campeã do mundo, já está praticamente definida.
Lionel Scaloni, treinador desde 2018, utilizará a mesma base que foi campeã em 2022, no Catar. Inclusive, a grande maioria dos jogadores levantou o título quatro anos atrás, com algumas mudanças pontuais.
Uma das principais alterações e dúvidas fica na defesa argentina. Enquanto todos os setores do campo já estão praticamente definidos, a zaga e as laterais ainda geram incertezas.
Na lateral direita, Nahuel Molina, do Atlético de Madrid, deve ser o titular, mas a suplência ainda gera dúvidas. Gonzalo Montiel, do River Plate, é o favorito a assumir a reserva. Na última Data Fifa, Agustin Giay, do Palmeiras, chegou a ser convocado.
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Pelo lado esquerdo é onde está a maior questão. Nicolás Tagliafico, do Lyon, é titular absoluto, mas a reserva ainda é uma grande incógnita. Marcos Acuña, que atuou em 2022, não vive uma boa fase. Como opções, surgem o jovem Valentim Barco e Gabriel Rojas, que foram testados pelo treinador.
A zaga também é onde está outro problema na seleção. O veterano Nicolás Otamendi é titular absoluto, mas quem forma dupla com ele ainda é dúvida.
Cristian ‘Cuti’ Romero foi titular durante toda a campanha, no entanto, sofreu uma lesão recente que coloca em risco sua presença no Mundial. Em caso de ausência, Lisandro Martínez deveria assumir a vaga. Acontece que o defensor do Manchester United conviveu com lesões recentes e também não tem a presença garantida.
Nas Datas Fifa recentes, Scaloni convocou Leonardo Balerdi, do Olympique de Marselha, e Marcos Senesi, do Bournemouth, que também podem abocanhar vagas no Mundial. (Gabriella Brizotti)
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Espanha ainda vê espaços na defesa e no ataque
A seleção espanhola chega aos 50 dias finais com a base campeã da Eurocopa consolidada, mas enfrenta dilemas físicos e técnicos em posições vitais. Uma das maiores dúvidas paira sobre a lateral-direita: Dani Carvajal, embora seja uma liderança histórica, vive momento de questionamento devido ao desgaste físico e à queda de rendimento em duelos de velocidade. Não é garantia de que será chamado.
Com isso, De la Fuente vem abrindo espaço definitivo para nomes que entreguem maior vigor defensivo e suporte aos avanços dos pontas. Marcos Llorente e Pedro Porro são exemplos disso.
No meio-campo, a preocupação é estritamente médica. Mikel Merino corre contra o tempo após sua fratura no pé direito para provar que terá ritmo de jogo, enquanto a evolução de Gavi — recém-recuperado de grave lesão no joelho — é monitorada com cautela extrema para evitar recaídas.
Como o sistema de De la Fuente exige alta intensidade na pressão pós-perda, contar com jogadores que não estejam em sua plenitude física é um risco que o treinador avalia se vale a pena correr neste estágio final de preparação. Uma vez saudáveis, porém, ambos (Gavi e Merino) são presença garantida na lista final.
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No setor ofensivo, o desafio é definir as peças que servirão de suporte para o sistema liderado por Lamine Yamal e Nico Williams. Embora o faro de gol de Mikel Oyarzabal — homem de confiança do técnico — e a presença de Álvaro Morata ofereçam segurança, ainda falta selar se o grupo terá um centroavante de área mais fixo para contextos de abafa, como Borja Iglesias, ou atacantes móveis para manter a fluidez do jogo.
O desempenho de atletas que cresceram na reta final da temporada coloca em xeque a presença de veteranos que não vivem sua melhor fase. Na última convocação por exemplo, os estreantes Ander Barrenetxea e Víctor Muñoz foram testados como opções pelos lados do campo.
Por fim, a meta apresenta um “problema positivo” devido à abundância de opções em alto nível, o que obrigará De la Fuente a um corte difícil entre quatro bons nomes. Unai Simón, David Raya, Alex Remiro e Joan García disputam três vagas. (Guilherme Calvano)
França precisa repor perda no ataque
A atual vice-campeã tem poucas dúvidas para buscar a terceira final consecutiva em Mundiais. Há 14 anos no cargo, Didier Deschamps já fez todos os testes que precisava, incluindo as laterais, que transmitiam incertezas na França. O elenco está praticamente fechado para facilitar a busca pelo tri na Copa do Mundo .
O único problema da seleção é encontrar um substituto para Hugo Ekitiké. O atacante do Liverpool sofreu uma ruptura no tendão de Aquiles direito durante a eliminação para o PSG nas quartas de finais da Champions League e precisará ficar afastado por um longo período.
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Após estrear pela seleção francesa em setembro de 2025, Ekitiké se consolidou como um dos homens de confiança de Deschamps para o Mundial, até mesmo como potencial titular pela esquerda ou pelo centro, combinando com Kylian Mbappé, Michael Olise e Ousmane Dembélé.
Apesar da grande perda, os franceses têm opções de sobra não só para o ataque, como também, para todos os outros setores. Com um trabalho sólido e um estilo de jogo consolidado, a preocupação da seleção passa por não perder nenhuma outra peça antes da estreia contra Senegal. (Matheus Cristianini)
Camisa 10 é dúvida na Inglaterra
A Inglaterra é uma das favoritas, e tem confiado no trabalho de Thomas Tuchel. Não à toa, o treinador já acertou a renovação de seu contrato até a Copa do Mundo de 2030. Mas para 2026, o alemão ainda tem dúvidas, principalmente no setor criativo da equipe.
Harry Kane é o principal nome da seleção inglesa, principalmente pelo que já fez nos dois últimos Mundiais e pelo seu desempenho no Bayern de Munique — que o credencia a disputar o prêmio de melhor jogador do mundo. Mas na função de camisa 10, Tuchel ainda não tem um nome definido, a um mês da convocação final da seleção inglesa.
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Phil Foden, Jude Bellingham, Cole Palmer e Morgan Rogers são alguns dos possíveis nomes. A dúvida não é somente a respeito de qual jogador irá trajar a numeração no Canadá, Estados Unidos e México, mas também a respeito de quem exercerá a função em campo, na busca pelo segundo título mundial da Inglaterra.
Foden era um dos favoritos durante o ciclo, mas perdeu força ao longo desta temporada — e até a sua convocação foi colocada em xeque pelo treinador. Tuchel chegou a afirmar que o meio-campo do Manchester City tem “sofrido dentro de campo”. Já Palmer e Bellingham vão na contramão: depois de um início ruim em 2025, recuperaram posições de destaque no Chelsea e Real Madrid, respectivamente.
Na Inglaterra, o nome de Trent Alexander-Arnold também tem ganhado força entre torcedores e imprensa, apesar do lateral do Real Madrid estar fora dos planos de Tuchel. Recuperado de lesão na Espanha, corre contra o tempo para mostrar serviço e ganhar espaço na convocação final do treinador alemão. (Murillo César)
Portugal tem dois espaços em aberto na escalação
Após 48 jogadores usados no ciclo, 16 estreantes, Roberto Martínez tem poucas dúvidas para o Mundial. Seus 26 convocados estão praticamente firmados, com poucas vagas em aberto na defesa e no ataque.
Na escalação inicial também há muitas certezas. Diogo Costa será o goleiro; das quatro posições na linha defensiva, com certeza Gonçalo Inácio, Rúben Dias e Nuno Mendes têm suas posições garantidas; no meio-campo, o trio deve ter Rúben Neves, Vitinha e Bruno Fernandes, com o apoio de Bernardo Silva, como falso ponta, municiando Cristiano Ronaldo, o centroavante. Esse 4-2-3-1, no entanto, tem duas questões em aberto: quem ocupará a lateral-direita e a ponta esquerda?
O lado destro da defesa conta com uma concorrência interessante para duas vagas: Matheus Nunes, em alta no Manchester City, Diogo Dalot, do Manchester United, e Nelson Semedo, do Fenerbahçe. Mesmo destro, João Cancelo, do Barcelona, é mais um reserva da esquerda do que uma opção para a direita.
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Nos dois amistosos de março, Dalot e Nunes jogaram dois tempos cada, mas sem impressionar. Nas Eliminatórias Europeias, Semedo foi o destaque da posição, com duas assistências e boas atuações, além do prestígio com o técnico. Ele parece sair na frente dos concorrentes e deve deixar alguém triste em Manchester.
Já a ponta esquerda traz diferentes características. Pedro Neto, um guerreiro sem bola, une velocidade e drible, mais ou menos o que faz Rafael Leão, mais técnico e inventivo, mas menos dedicado na parte defensiva. Longe do alto nível, no Al-Nassr, João Félix é mais um segundo atacante do que um jogador do lado do campo, exigindo de Nuno Mendes a ocupação do corredor no jogo ofensivo para deixar o jogador flutuar para dentro.
As poucas dúvidas provam que Martínez é um dos técnicos mais privilegiados da Copa do Mundo pela qualidade de seu elenco. Até por isso, a seleção lusitana figura só atrás de Espanha e França entre as favoritas. (Carlos Vinícius Amorim)