Espanha

Novidades na Espanha: Quem são os dois pontas que serão testados após lesão de Nico Williams

Convocados para amistosos contra Sérvia e Egito, Ander Barrenetxea e Víctor Muñoz surgem como alternativas pelos lados do campo

Luis de la Fuente manteve a espinha dorsal da Espanha campeã da Eurocopa, mas a convocação para os amistosos contra Sérvia, no dia 27 de março, e Egito, em 31 de março, trouxe sinais claros de que a reta final até a Copa do Mundo ainda reserva espaço para observações e ajustes.

A lista anunciada na última sexta-feira (20) confirmou quatro estreantes na seleção principal — Joan García, Cristhian Mosquera, Ander Barrenetxea e Víctor Muñoz — em uma janela que, mais do que somente preencher lacunas, parece desenhada para ampliar o leque de soluções do treinador antes da definição do grupo final que estará no Mundial.

A ausência de Nico Williams, baixa importante por lesão, ajuda a explicar parte desse movimento e abre um precedente oportuno para testes pelos lados do campo. Sem Nico, titular frequente e peça de peso na ponta-esquerda por sua capacidade de acelerar transições, atacar profundidade e romper duelos no um contra um, De la Fuente “ganha” a chance de experimentar alternativas em um setor no qual a concorrência já era pesada.

As entradas de Barrenetxea e Muñoz indicam a intenção do treinador de preservar um repertório já importante para a Espanha: pontas agudos, verticais e capazes de dar amplitude ao ataque.

Barrenetxea chega à seleção espanhola no momento mais maduro da carreira

Ander Barrenetxea em ação pela Real Sociedad
Ander Barrenetxea em ação pela Real Sociedad (Foto: Ricardo Larreina / Ricardo Larreina Amador / Imago)

Ander Barrenetxea chega à seleção principal da Espanha aos 24 anos, depois de uma trajetória toda construída na Real Sociedad. Nascido em San Sebastián, o atacante virou profissional no clube basco em 2019 e, desde então, foi amadurecendo dentro de um ambiente competitivo e exigente. Sua primeira convocação para a Roja principal, agora, soa como consequência de um processo longo de formação e consolidação.

A imprensa espanhola, aliás, trata a chamada como recompensa por sua maturidade e pelo crescimento mostrado nesta temporada. Trata-se de um jogador destro, de perfil ofensivo, acostumado a partir do lado canhoto do ataque, o que ajuda a explicar por que seu nome entra naturalmente no debate sobre alternativas abertas por Luis de la Fuente nesta convocação.

Revelado muito cedo, Barrenetxea chegou a fazer história ao estrear em LaLiga ainda com 16 anos, tornando-se o primeiro jogador nascido no século XXI a debutar na competição.

Em termos de repertório, a leitura mais segura é tratá-lo como um ponta de lado esquerdo já habituado ao alto nível de LaLiga e inserido em um contexto tático sofisticado como o da Real Sociedad. Na atual temporada, ele soma três gols e três assistências em 26 jogos.

Em um setor de enorme concorrência, Barrenetxea chega mais como opção que oferece familiaridade com a elite e vivência consistente no corredor ofensivo.

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Ascensão relâmpago leva Víctor Muñoz à seleção espanhola

Víctor Muñoz em ação pelo Osasuna
Víctor Muñoz em ação pelo Osasuna (Foto: Ricardo Larreina / Imago)

Víctor Muñoz representa um caso um pouco diferente dentro desta convocação. Enquanto Ander Barrenetxea chega à seleção principal depois de um processo mais longo de amadurecimento na elite, o atacante do Osasuna aparece como nome de ascensão mais recente, impulsionado pelo impacto que conseguiu produzir ao longo da temporada.

Um dos aspectos mais chamativos de sua trajetória é justamente o caráter inesperado dessa convocação. Muñoz nunca havia sido chamado para nenhuma categoria de base da seleção espanhola, o que amplia o peso simbólico de sua presença agora na lista principal.

A estreia no mais alto nível, sem passagem prévia pelo circuito internacional da base, reforça a ideia de um atacante que encurtou etapas graças ao rendimento recente e à capacidade de se impor em pouco tempo em um ambiente competitivo.

No plano técnico, Muñoz aparece como uma alternativa coerente para os lados do ataque. Nascido em Barcelona, o jogador passou pelo Real Madrid Castilla, chegou a fazer partidas pelo time principal merengue e se transferiu ao Osasuna em julho de 2025, movimento que acabou possibilitando sua ascensão. Em 2025/26, soma seis gols e cinco assistências em 31 jogos.

Os números de desempenho ajudam a desenhar com mais nitidez o tipo de atacante que De la Fuente passa a ter à disposição. Muñoz registra a segunda maior velocidade máxima da temporada, com 35,4 km/h, e também se destaca entre os jogadores mais incisivos de LaLiga em ações de enfrentamento: é o quarto maior driblador do campeonato, o terceiro em duelos ofensivos, o primeiro em aceleração, além de aparecer entre os líderes em dribles em zonas perigosas.

O pacote estatístico reforça a imagem de um ponta capaz de romper linhas, atacar espaços e aumentar a rotação do jogo, seja como alternativa desde o início ou como recurso para mudar o ritmo vindo do banco.

Joan García e Mosquera são as outras novidades

Joan García, goleiro do Barcelona
Joan García, goleiro do Barcelona (Foto: Bagu Blanco / Pressinphoto / Imago)

Joan García e Cristhian Mosquera completam a lista de novidades de Luis de la Fuente na convocação, em posições que também passam por observação neste momento do ciclo. No gol, García aparece como uma das alternativas em meio a um grupo já estabelecido, que conta novamente com Unai Simón, David Raya e Álex Remiro. A presença do goleiro amplia a concorrência e indica que a comissão técnica ainda mantém aberta a disputa por espaço na posição.

O arqueiro vive momento de afirmação após boas temporadas recentes e chega respaldado por desempenho consistente em alto nível. Formado no Espanyol e agora no Barcelona, Joan García tem sido bastante elogiado no novo clube e ganha, nesta Data Fifa, uma oportunidade importante para se inserir de vez no ambiente da seleção principal.

Mosquera chega como opção para a defesa em um contexto diferente, mas igualmente promissor. Em sua primeira temporada no Arsenal, o zagueiro ainda não se firmou como titular absoluto, embora tenha conseguido deixar boa impressão mesmo com minutagem mais limitada: são 25 partidas no total, 14 delas como titular.

Dono de um perfil que combina força física, velocidade e segurança defensiva, ele chama atenção por conseguir sustentar coberturas e acompanhar atacantes em campo aberto apesar da estatura. Com passagem pelas seleções de base da Espanha, Mosquera entra na convocação como mais um nome observado de perto por De la Fuente em um setor que também exige reposição e variedade de perfis.

Foto de Guilherme Calvano

Guilherme CalvanoRedator

Jornalista pela UNESA, nascido e criado no Rio de Janeiro. Cobriu o Flamengo no Coluna do Fla e o Chelsea no Blues of Stamford. Na Trivela, é redator e escreve sobre futebol brasileiro e internacional.

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