Espanha

A bonita trajetória de peça importante do Arsenal em convocação inédita à Espanha

Orgulho do pai, zagueiro do Arsenal foi chamado por Luis de la Fuente para amistosos contra Sérvia e Egito

Cristhian Mosquera vive um daqueles momentos que ajudam a explicar por que certos caminhos, por mais tortuosos que pareçam, fazem sentido no fim. Convocado pela primeira vez para a seleção principal da Espanha, o zagueiro do Arsenal colhe agora a recompensa por uma trajetória de amadurecimento acelerado, construída entre mudanças, sacrifícios familiares e uma evolução constante dentro de campo.

Aos olhos de Luis de la Fuente, técnico da Fúria, o defensor de 21 anos já fez o suficiente para merecer um lugar na lista para os amistosos contra Sérvia e Egito. Em entrevista à “Rádio Marca”, de Valência, o pai do jogador, Christopher Mosquera, revelou que recebeu a notícia sem qualquer preparação prévia.

— Eu não sabia, fiquei sabendo hoje de manhã. Nunca pesquiso nada, então não crio expectativas — disse, antes de celebrar o reconhecimento ao filho.

Mais do que a surpresa, o discurso do pai carregou um tom de gratidão por um processo que, segundo ele, sempre teve respaldo da Federação Espanhola. Sua fala ilustra como a convocação não surge do nada, mas como consequência de um vínculo cultivado ao longo dos anos nas categorias de base da Espanha, onde Mosquera foi ganhando espaço, rodagem e confiança.

— Somos gratos às pessoas que acreditaram nele. A seleção sempre acreditou nele. Tudo tem seu tempo. É a primeira vez dele, e precisa ser um processo.

A trajetória de Mosquera até a seleção principal da Espanha

Cristhian Mosquera em ação pela seleção espanhola sub-21
Cristhian Mosquera em ação pela seleção espanhola sub-21 (Foto: Ivan Terron / ZUMA Press Wire / Imago)

A convocação de Mosquera também trouxe à tona uma discussão que o acompanha há tempos: a possibilidade de defender a Colômbia, país natal de seus pais, ou seguir o percurso que construiu no futebol espanhol desde cedo.

A escolha pela campeã mundial de 2010, mesmo diante do interesse colombiano, não apaga a relação emocional do jogador com o país sul-americano. Christopher tratou o tema com franqueza e deixou claro que o componente sentimental existiu, mas não foi o único fator levado em consideração.

— No fim das contas, são decisões pessoais. Só ele sabe quais são. Ele sempre teve carinho pela Colômbia, mas ele tem uma longa história com a Espanha desde os 14 anos. Ele viveu muita coisa e superou muitas fases. A Espanha é o seu país natal. Quem quiser entender, vai entender.

Mosquera cresceu futebolisticamente inserido na estrutura espanhola, enfrentou etapas de formação, adaptação e cobrança dentro desse ambiente e consolidou ali a própria identidade competitiva. Embora a ligação com a Colômbia permanecesse viva no campo afetivo, o senso de pertencimento esportivo foi sendo construído de forma cada vez mais clara na Espanha.

A convocação para a equipe principal, portanto, funciona como uma chancela institucional a um percurso iniciado muitos anos atrás. Percurso esse, que esteve longe de ser simples. O pai do zagueiro relembrou o impacto emocional das renúncias exigidas ainda na adolescência do filho, quando a carreira começou a pedir distâncias e amadurecimento precoce.

— Ele saiu de casa quando tinha acabado de completar 12 anos. Ter que levá-lo à estação aos domingos porque ele estava saindo de casa era muito difícil. Arrumar a mesa e não encontrar Christian lá, ou ter que sacrificar o dia dos pais ou o dia das mães — concluiu.

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Quais são as valências que levaram Mosquera ao Arsenal e à seleção espanhola?

Mosquera em ação pelo Arsenal
Mosquera em ação pelo Arsenal (Foto: Dylan Hepworth / Every Second Media / Imago)

Revelado pelo Valencia, Mosquera defendeu o time principal do clube entre 2021 e 2025 e chamou atenção pela combinação de força física, velocidade e segurança defensiva. Mesmo alto, é um zagueiro ágil para fazer coberturas e acompanhar atacantes em campo aberto, característica cada vez mais valorizada no futebol moderno. Em julho de 2025, o Arsenal investiu 15 milhões de euros para contratá-lo.

Embora não seja titular absoluto com Mikel Arteta, Mosquera conseguiu deixar boa impressão mesmo com uma minutagem mais limitada. Na atual temporada, sua primeira pelos Gunners, soma 25 partidas, sendo 14 como titular, números que mostram um espaço ainda em construção no elenco. Ainda assim, suas atuações foram suficientes para reforçar a imagem de um defensor confiável, capaz de manter bom nível quando é acionado.

Além da imposição nos duelos, o zagueiro — que já quebrou galho de lateral direito — também se destaca pela leitura de jogo. Mosquera costuma se posicionar bem, tem bom tempo de bola e evita rifar a posse sem necessidade.

É justamente esse perfil, que combina firmeza defensiva, mobilidade e segurança na saída, que ajuda a explicar por que, mesmo sem ser peça fixa no Arsenal, ele chegou à seleção principal da Espanha.

Foto de Guilherme Calvano

Guilherme CalvanoRedator

Jornalista pela UNESA, nascido e criado no Rio de Janeiro. Cobriu o Flamengo no Coluna do Fla e o Chelsea no Blues of Stamford. Na Trivela, é redator e escreve sobre futebol brasileiro e internacional.

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