Inglaterra

Tuchel: ‘Ele tem dificuldades para demonstrar isso em campo. Não há garantia de que vá para Copa’

Após atuações apagadas contra Uruguai e Japão, meia-atacante vê concorrência crescer e chega em baixa à reta final da convocação inglesa

Phil Foden chega à reta final de preparação da Inglaterra para a Copa do Mundo cercado por incertezas. Depois de duas atuações discretas nos amistosos contra Uruguai e Japão, o meia-atacante do Manchester City passou a conviver com um cenário incômodo: a possibilidade real de ficar fora da lista final de Thomas Tuchel para o torneio.

Titular nos dois compromissos recentes dos Três Leões — o empate em 1 a 1 com o Uruguai e a derrota por 1 a 0 para o Japão —, Foden recebeu oportunidades importantes para tentar se firmar sob o comando do treinador alemão, mas não conseguiu transformar espaço em afirmação.

Em campo, voltou a repetir uma dificuldade que já o acompanha há algum tempo com a camisa da seleção: a de transportar para o contexto internacional o impacto que já mostrou em outros momentos no City.

Ao ser perguntado sobre a possibilidade de deixar Foden fora da convocação, Tuchel foi direto: “Bem, não há garantia de que ele virá”.

Concorrência pesada e desempenho em baixa pesam contra Foden

Foden em ação pela Inglaterra
Foden em ação pela Inglaterra (Foto: Paul Terry / Sportimage / Imago)

A situação de Foden se torna ainda mais delicada porque sua perda de protagonismo não se restringe à seleção. No Manchester City, o meia-atacante também atravessa período de baixa, com menos minutos e rendimento distante do que já apresentou em temporadas anteriores.

Tuchel deixou claro que o desempenho nos treinamentos chegou a animá-lo nesta última Data Fifa, mas a resposta em jogo não acompanhou a expectativa.

— Ele (Foden) tentou de tudo. Eu diria que ele foi excelente no período de treinos, mas sim, ele tem dificuldades para demonstrar isso em campo.

— Obviamente, ele não teve muitos minutos em campo pelo City recentemente. Então, ele chegou à concentração com um sorriso radiante e foi muito bem nos treinos, e eu pensei que ele nos surpreenderia e jogaria com a mesma energia e entusiasmo. Mas, sim, ele está tendo dificuldades para causar o impacto desejado — concluiu.

O problema para Foden é que, ao mesmo tempo em que seu nível caiu, a concorrência por uma vaga cresceu. A Inglaterra reúne diversas opções para atuar entrelinhas, partindo de fora para dentro ou ocupando a faixa central do ataque. Nomes como Jude Bellingham, Anthony Gordon, Morgan Rogers, Marcus Rashford e Eberechi Eze aparecem como alternativas fortes dentro da montagem ofensiva de Tuchel.

Nos amistosos desta Data Fifa, Foden foi testado em mais de uma função. Contra o Uruguai, começou como camisa 10. Já diante do Japão, foi utilizado como falso 9 por conta da ausência de Harry Kane (problema no pé considerado sem gravidade). Em nenhuma das duas experiências, no entanto, conseguiu agradar.

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Talento reconhecido, mas impacto ainda insuficiente

Foden não vem conseguindo agradar Tuchel na seleção inglesa
Foden não vem conseguindo agradar Tuchel na seleção inglesa (Foto: Matthew Impey / Sportimage / Imago)

A fase atual contrasta com a imagem construída por Foden nos últimos anos no futebol inglês. Há duas temporadas, o jogador foi eleito o melhor jogador do ano tanto pela Associação dos Escritores de Futebol de Inglaterra (FWA, da sigla em inglês) quanto pela Professional Footballers’ Association da Inglaterra (PFA) —reconhecimento que o colocou entre os principais nomes da nova geração inglesa. Hoje, porém, o momento é outro.

Mesmo com 49 partidas disputadas pela seleção principal, Foden ainda não conseguiu estabelecer uma trajetória sólida e decisiva com a camisa da Inglaterra. São apenas quatro gols pelo English Team, número modesto para um atleta frequentemente tratado como um dos mais talentosos do país.

O contexto ajuda a explicar por que Tuchel evita qualquer tipo de garantia, mesmo se tratando de um jogador de alto status técnico no futebol inglês. A questão já não parece ser apenas o nome que Foden construiu, mas sim o que ele é capaz de entregar agora, no recorte mais importante da temporada.

Quando foi questionado se seria possível levar um atleta em má fase para uma Copa do Mundo, Tuchel respondeu em tom leve, mas com mensagem clara: “Posso, posso. A questão é se iremos fazê-lo”.

A declaração reforça que, neste momento, o treinador parece mais inclinado a priorizar forma, encaixe e impacto imediato do que currículo.

A definição está próxima. Tuchel anunciará a convocação da Inglaterra poucos dias antes do prazo final estipulado pela Fifa, em 30 de maio. Os ingleses embarcam para a Flórida no dia 1º de junho, onde farão parte da preparação para o Mundial. A estreia será no dia 17 de junho, contra a Croácia, em Dallas.

Foto de Guilherme Calvano

Guilherme CalvanoRedator

Jornalista pela UNESA, nascido e criado no Rio de Janeiro. Cobriu o Flamengo no Coluna do Fla e o Chelsea no Blues of Stamford. Na Trivela, é redator e escreve sobre futebol brasileiro e internacional.

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