Como times e ligas pouco tradicionais há tempos cedem jogadores à Seleção para Copas do Mundo
Lista divulgada por Ancelotti nesta segunda-feira (18) conta com nomes que atuam fora dos grandes centros do futebol mundial
A seleção brasileira começa a viver dias mais intensos a caminho da Copa do Mundo. Após a tão esperada convocação final de Carlo Ancelotti ter sido divulgada, diversas discussões entram em pauta, como os clubes que defendem alguns dos 26 atletas da lista. Nas últimas Copas, tem se tornado cada vez mais comum aparições de clubes menos tradicionais cedendo atletas para a CBF.
As explicações são bastante individuais e variadas, mas, em resumo, a exposição que o futebol mundial possui atualmente permite acessar até as ligas menos conhecidas ou de menor investimento.
Além disso, com o crescimento do estudo sobre o esporte, a qualificação cada vez maior dos profissionais e metodologias de formação mais profundas, mais países aparecem no cenário mundial em franco desenvolvimento em questão de desempenho e competitividade. Os principais exemplos atuais são a Arábia Saudita, o Japão e os Estados Unidos.
No caso da seleção brasileira, em específico, algumas convocações ao longo do tempo marcaram mais este tipo de discussão, como Dunga e César Sampaio em 1998; Julio César em 2014; Renato Augusto em 2018; e Daniel Alves em 2022.
Neste ano, a lista de Ancelotti traz alguns nomes como Ibañez (Al-Ahli), Igor Thiago (Brentford), Douglas Santos e Luiz Henrique (Zenit) entrar neste seleto grupo. A razão principal, em geral, está relacionada à confiança adquirida antes dos movimentos para ligas periféricas e clubes de menor porte em ligas mais importantes. Porém, os casos são muito particulares.
Dunga e César Sampaio – 1998
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Logo após o tetra, o Brasil de Zagallo apostou em dois nomes que estavam no futebol japonês para a Copa do Mundo de 1998: Dunga, ídolo do Júbilo Iwata, e César Sampaio, referência técnica do Yokohama Fülgels. No caso do capitão de 34 anos que ergueu a taça do Mundial nos Estados Unidos quatro anos antes, sua presença como líder e figura de experiência dentro e fora de campo não causava dúvidas, pois já era nome consagrado no ciclo até a França.
Por outro lado, o volante ex-Palmeiras, então com 30 anos, foi considerado uma novidade, pois, além de não ter disputado nenhuma Copa do Mundo com a Seleção, praticamente não jogou a Copa América de 1997, sendo limitado ao papel de reserva. Entretanto, com a lesão do titular Mauro Silva às vésperas do Mundial, César Sampaio disse em entrevista à “Fifa” que voltou ao radar do treinador por intermediação do próprio Dunga, que recomendou sua convocação pelo bom futebol apresentado na Ásia.
Durante o torneio, a dupla de volantes foi titular em seis dos sete jogos na campanha finalista apresentando grande futebol, cuja única exceção foi a escalação de Leonardo no lugar de César Sampaio na última rodada da fase de grupos contra a Noruega. Contudo, na fatídica derrota para os anfitriões por 3 a 0, eles foram criticados por não conseguirem frear Zinedine Zidane e companhia. Dunga acabou se aposentando da seleção brasileira depois do vice.
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Júlio César – 2014
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Assim como a dupla de volantes de 1998, Júlio César era um jogador da hierarquia da seleção brasileira. O goleiro, que havia sido eleito o melhor da posição quatro anos antes, vinha de duas Copas do Mundo disputadas e, aos 34 anos, fazia parte do ciclo para o Mundial do Brasil desde que Luiz Felipe Scolari assumiu. Júlio chegou à Copa das Confederações de 2013 fazendo parte da campanha do rebaixamento do Queens Park Rangers para a Championship.
Mesmo com o destaque pela seleção naquela competição, Júlio César permaneceu no clube inglês para jogar a segunda divisão da temporada seguinte. No entanto, o brasileiro perdeu posição sob o comando do treinador Harry Redknapp, cuja baixa minutagem impactava negativamente seu ritmo de jogo para a Copa do Mundo.
Dessa forma, somada à dificuldade de encontrar um clube nas principais ligas, o goleiro decidiu rumar para a MLS e jogar um semestre pelo Toronto FC. A situação gerou polêmica na época, mas, mesmo com o 7 a 1, Júlio provou seu valor e foi contratado pelo Benfica.
Renato Augusto – 2018
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Após brilhar no Corinthians campeão brasileiro de 2015 e virar peça regular da Seleção, Renato Augusto foi para a China no início de 2026. Mesmo no futebol asiático, o meia foi bancado por Dunga na Seleção, usando o próprio exemplo nos anos 1990. Com a demissão do treinador em junho daquele ano, Tite assumiu o cargo e reeditou a parceria de sucesso com seu camisa 8 dos tempos de Timão.
Renato Augusto foi peça crucial ao longo de toda a preparação da seleção brasileira, que foi de inconstante nas Eliminatórias Sul-Americanas à favorita ao título na Copa do Mundo de 2018. Titular, o meia de 30 anos tinha a confiança do treinador, mas sua presença era colocada em xeque por parte dos torcedores e da imprensa, já que não estava nos principais holofotes do futebol mundial.
Como machucou o joelho antes de se juntar ao elenco na Rússia, Renato Augusto foi reserva ao longo da campanha do Brasil até as quartas de final, mas sendo utilizado como substituto em três jogos. Contra a Bélgica, o meia viveu seu melhor momento com a Seleção na Copa do Mundo saindo do banco: fez o gol que deu esperança de uma reviravolta e teve uma chance clara para empatar, porém, o chute passou tirando tinta da trave, e os europeus seguraram o 2 a 1.
Daniel Alves – 2022
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Daniel Alves passou por uma situação bastante parecida com a de Júlio César. Após rescindir com o São Paulo em setembro de 2021, o lateral-direito acertou seu retorno ao Barcelona, que tinha seu ex-companheiro, Xavi Hernández, como treinador. No entanto, a segunda passagem do brasileiro pelos Blaugranas ficou marcada pelas poucas oportunidades, o que gerou certa pressão para que buscasse um clube que lhe valorizasse às vésperas do Mundial de 2022.
Assim, Daniel Alves acertou com o Pumas, do México, e realizou 13 jogos até a Copa do Mundo, número considerado suficiente para Tite o convocar para a seleção brasileira, o que gerou controvérsia antes e durante Mundial. Com tantos desfalques na defesa, Éder Militão foi improvisado, enquanto que o experiente lateral de 39 anos sequer entrou em campo. A ida de Daniel ao Catar foi interpretada como um agradecimento pelos serviços do jogador e como um elemento a mais para manter o equilíbrio no vestiário.
Dupla do Zenit ganha espaço em 2026
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Outros destaques ficam por conta da dupla do russo Zenit: Douglas Santos e Luiz Henrique. Ambos tiveram chances com Ancelotti durante o ciclo e, mesmo estando em uma liga pouco vista pelos torcedores brasileiros. Vale lembrar que a Rússia está punida pela UEFA, devido ao conflito com a Ucrânia, o que tem tirado seus clubes das competições continentais.
Ainda assim, a dupla teve espaço signifcativo com Ancelotti. Luiz Henrique, que brilhou com a camisa do Botafogo nos últimos anos, praticamente se tornou um 12º titular com o italiano, recebendo sempre oportunidades nas etapas finais dos compromissos recentes da seleção brasileira.