Copa do Mundo

A convocação de Ancelotti à Copa do Mundo indica um time titular da Seleção?

Ancelotti convocou os 26 jogadores para a Copa do Mundo, mas até onde a lista indica os 11 titulares?

Carlo Ancelotti anunciou oficialmente nesta segunda-feira (18) quais os 26 jogadores convocados para a Copa do Mundo de 2026, que terá início no próximo dia 11 de junho. A lista contou com surpresas, mas também nomes óbvios — o que ajuda a entender o que o italiano pensa para o time titular. Há um grande debate se a Seleção está entre as favoritas para ganhar a Copa.

A era Ancelotti teve apenas dez jogos, mas em nenhum deles o Brasil repetiu a escalação. Em um momento conturbado de mudanças tão perto da Copa, indecisões e lesões, ainda há dúvidas sobre qual deve ser o 11 ideal para o Mundial. Mesmo que não muitas.

Sem Militão, defesa do Brasil tem leve incógnita para a Copa do Mundo

A seleção brasileira teve diferentes abordagens na primeira fase de construção durante os dez últimos jogos. Já teve um lateral-direito que subia mais e dava amplitude para combinar com um ponta mais criador, como Wesley e Vitinho, e um defensor mais construtor e que apoiava a saída de bola com mais ímpeto, como Eder Militão.

A lesão do jogador do Real Madrid na reta final da preparação foi muito impactante. O melhor jogo do Brasil em termos defensivos de modo geral, mas principalmente na pressão pós-perda, foi contra Senegal. Naquela vitória por 2 a 0, Militão foi crucial como lateral-direito para subir pressão e ajudar na construção.

Eder Militão em jogo da seleção brasileira em 2025
Eder Militão em jogo da seleção brasileira em 2025. Foto: IMAGO / Buzzi

Por conta disso, esperava-se que Ancelotti escolhesse seu ex-comandado para ser o lateral titular do Brasil, ou um reserva de luxo de Marquinhos em um jogo que pedisse um lateral mais de linha de fundo. Esse plano ruiu com a lesão. Por isso, Roger Ibañez ganhou espaço e foi convocado depois de aparecer em apenas uma Data Fifa, em março.

A grande dúvida na defesa é justamente o papel tático desse lateral-direito. Ancelotti manterá sua ideia de um lateral mais baixo, construtor e que proteja melhor a defesa em transição? Ou voltará à ideia inicial com Wesley, um ala mais ofensivo? Se a primeira opção for escolhida, ainda há o debate de quem será esse titular: Danilo ou Ibañez?

O restante da defesa está definido há tempos. Marquinhos e Gabriel Magalhães são titulares óbvios e Alex Sandro deve manter seu posto, que foi ocupado por Douglas Santos em sua ausência na última Data Fifa. Alisson, inclusive, é o goleiro titular com grande distância para Ederson ou Bento.

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A dúvida no meio da seleção brasileira: 4-3-3 ou 4-2-4?

Mais do que nome por nome, a ideia central de Ancelotti impacta diretamente quem irá jogar. A passagem do italiano começou a ser solidificada com grandes atuações contra Chile, Coreia do Sul e Senegal com um modelo de jogo que priorizava a construção pelo meio, com diversos meias se aproximando da bola e progredindo com tabelas.

Rodrygo era crucial para esse modelo. Sua lesão impactou diretamente a forma do time jogar e desde então, o Brasil não teve o mesmo sucesso com essa ideia. Esse 4-2-4, com meias atuando pelos lados e Matheus Cunha como um falso nove móvel ao lado de Vinicius Júnior, um centroavante de profundidade, não teve mais tanto sucesso.

Carlo Ancelotti em amistoso do Brasil na Data Fifa de março
Carlo Ancelotti em amistoso do Brasil na Data Fifa de março. Foto: SUSA / Icon Sport

A lesão de Estêvão também impacta essa ideia. Ele e Rodrygo eram dois meias criativos que atuavam pelos lados e se aproximavam do centro para progredir. Raphinha pode cumprir esse papel, apesar de ser um jogador que tem lidado melhor em espaços mais abertos em comparação com o jovem do Chelsea.

Sem os dois, Ancelotti testou um 4-3-3 clássico contra a Croácia em um dos melhores jogos do Brasil no ciclo. Matheus Cunha se tornou um “camisa 8” que combinava bem com Vinicius Júnior pela esquerda, agora um ponta tradicional. Os contramovimentos da dupla foram cruciais para que o Brasil saísse da pressão croata e construísse sem chutões, o que não aconteceu contra a França, por exemplo.

Bruno Guimarães e Casemiro são titulares como volantes, independentemente da formação. A questão é quem os acompanha:

  • Se Ancelotti apostar novamente no 4-2-4, Neymar seria o substituto perfeito para Rodrygo como meia pela esquerda, por característica — resta saber se seu desempenho acompanharia. Na direita, Raphinha é a escolha óbvia;
  • Se em 4-3-3, Bruno Guimarães deve ser o segundo volante pela direita, mas Matheus Cunha seria o “camisa 8” como foi contra a Croácia? Foi o que deu certo, mas pode abrir espaço para Danilo, por exemplo, e devolver Cunha para o ataque.

Como isso tudo impacta o ataque para a Copa do Mundo

A dúvida pelo 4-3-3 ou 4-2-4 impacta diretamente quem serão os atacantes. Na segunda opção, mantendo a ideia de meias pelos lados para apoiar a construção pelo corredor central, na prática serão apenas dois atacantes.

Vale ressaltar que “atacante” ou “meio-campista”, na hora da divisão da convocação, é mais formalidade do que algo a que se ater. Cunha foi meio-campista tradicional a Croácia, e a diferença entre um meia criativo e um ponta, por exemplo, é mais por característica do que por onde esse atleta joga. O número de “atacantes” ou “meio-campistas” convocados (se cinco, seis ou nove) pouco importa na prática. O que importa é a ideia.

E no 4-3-3, a ideia de Ancelotti é ter dois pontas tradicionais e um centroavante móvel.

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Posicionamento médio da seleção brasileira contra a Croácia. Matheus Cunha (7) foi meia, com Vini e Luiz Henrique pontas tradicionais (Foto: Reprodução/Sofascore)

Em um 4-3-3, há diferentes cenários na composição do ataque:

  • Matheus Cunha pode voltar a ser meia, como contra a Croácia, o que abre uma vaga como centroavante, que deve ser preenchida por Igor Thiago ou Endrick, mas sem grandes certezas;
  • Com Cunha no meio e Vini um óbvio titular, Raphinha seria o ponta-direita;
  • Luiz Henrique é um ponta mais tradicional do que Raphinha e poderia ganhar espaço no time titular depois de bons jogos. Isso poderia fazer Raphinha ser esse meia no lugar de Cunha, que voltaria a ser camisa 9.

Raphinha já foi esse meia em um 4-3-3 contra o Chile, a primeira grande atuação da era Ancelotti. Martinelli e Estêvão foram os pontas, com João Pedro como camisa 9.

Neymar é outra dúvida. Não deve ser titular, mas caso seja, onde entra? O time voltaria ao 4-2-4 para Neymar ser o meia criativo pela esquerda, com Vini retornando ao papel de atacante de profundidade? Neymar seria esse meia como foi Matheus Cunha em um 4-3-3? Ou o camisa 10 seria um falso nove?

E o ataque impacta também a defesa. Um 4-3-3 com pontas tradicionais, de linha de fundo, dá mais vantagem a laterais que apoiam menos, como é o caso de Ibañez, que ganharia espaço na briga com Wesley, muito mais ofensivo.

No fim, Ancelotti tem uma espinha dorsal muito bem definida e um time titular quase todo montado. A grande dúvida de como dispor esses jogadores é tática: se em 4-3-3, será de uma forma; se em 4-2-4, de outra; mudará também dependendo da ideia central de como o time progride. Os amistosos contra Panamá, no próximo dia 30, e Egito, no dia 6, servirão como os últimos jogos para termos respostas.

A lista completa de Carlo Ancelotti da seleção brasileira para a Copa do Mundo

Goleiros: Alisson (Liverpool), Ederson (Fenerbahçe) e Weverton (Grêmio);

Defensores: Alex Sandro (Flamengo), Bremer (Juventus), Danilo (Flamengo), Douglas Santos (Zenit), Gabriel Magalhães (Arsenal), Ibañez (Al-Ahli), Leo Pereira (Flamengo) e Marquinhos (PSG) e Wesley (Roma);

Meio-campistas: Bruno Guimarães (Newcastle), Casemiro (Manchester United), Danilo Santos (Botafogo), Fabinho (Al-Ittihad) e Lucas Paquetá (Flamengo);

Atacantes: Endrick (Lyon), Gabriel Martinelli (Arsenal), Igor Thiago (Brentford), Luiz Henrique (Zenit), Matheus Cunha (Manchester United), Neymar (Santos), Raphinha (Barcelona), Rayan (Bournemouth) e Vini Jr (Real Madrid)

Foto de Guilherme Ramos

Guilherme RamosRedator

Jornalista pela UNESP. Vencedor do prêmio ACEESP de melhor matéria escrita de 2025. Escreveu um livro sobre tática no futebol e, na Trivela, escreve sobre futebol nacional, internacional e de seleções.

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