Copa do Mundo

Conmebol segue Uefa e se manifesta contra Copa do Mundo a cada dois anos

Cada vez mais próxima da Uefa, Conmebol se coloca contra ideia da Fifa, que tem Wenger como principal defensor público

Após a Uefa, a Conmebol também se pronunciou contrária à ideia da Fifa de uma Copa do Mundo a cada dois anos. O presidente da contraparte europeia, Aleksander Ceferin, tem sido o único dirigente de confederação que se manifesta contrariamente ao projeto da Fifa. Agora, a Conmebol se junta a ele, não por acaso.

LEIA MAIS: O que está por trás da proposta de realizar a Copa do Mundo a cada dois anos

“Uma Copa do Mundo a cada dois anos poderia desnaturalizar a mais importante competição do futebol no planeta, rebaixando a sua qualidade e minando seu caráter exclusivo e seus atuais padrões de exigência”, diz o comunicado da Conmebol.

“Uma Copa do Mundo a cada dois anos suporia uma sobrecarga praticamente impossível de gerir no calendário internacional de competições. Nas condições hoje vigentes já é complexo harmonizar os tempos, cronogramas, a logística, a preparação adequada das equipes e os compromissos. A situação seria extremamente mais difícil com a mudança planejada. Poderia colocar em risco inclusive a qualidade dos demais torneios, tanto de clubes quanto de seleções”, afirma ainda a nota da entidade sul-americana.

Briga Fifa x ligas e clubes

A Conmebol foi a principal prejudicada em uma batalha entre Fifa e os clubes europeus. As restrições por causa da pandemia fizeram os ingleses dificultarem a liberação de jogadores para países da lista vermelha, o que incluía todos da Conmebol. Na Espanha, La Liga tentou seguir o mesmo caminho. Não teve sucesso e capitulou, mas ficou claro que a ideia era não liberar. Na França, a Ligue 1 criticou a Fifa, mas não quis barrar a liberação dos jogadores. A Serie A, na Itália, também disse que iria apoiar os clubes que não quisessem liberar os jogadores.

No fim, só os ingleses conseguiram bloquear a ida de alguns jogadores por causa de medidas sanitárias. Foi uma prévia de uma guerra que está engarrafada da Fifa contra as ligas e os clubes, que estão insatisfeitos com o calendário de jogos internacionais.

Com tudo isso em contexto, é importante ressaltar: Ceferin chegou a dizer que os países europeus podem não jogar a Copa do Mundo a cada dois anos e foi além: disse que se a não liberação nesta data Fifa já causou problemas, que seria muito pior em uma situação assim. Uma ameaça velada que o que vimos nesta data Fifa poderia ser só um pedaço do que vem pela frente.

Com isso, a Uefa, muito próxima da Conmebol nos últimos meses, certamente falou com a sua contraparte sul-americana sobre possíveis consequências e como serias difícil conseguir a liberação dos seus principais jogadores, que atuam na Europa, para um calendário maluco como esse. Afinal, com a Copa a cada dois anos, seria preciso torneios classificatórios ou Copa América a cada dois anos também. Algo que os clubes devem reclamar e brigar para não acontecer.

Diante desse cenário, a Conmebol sabe que ficaria acuada. Sabe que uma briga como essa traria consequências muito mais sérias e prejudiciais para ela que para a Uefa, diante do poder dos europeus com os clubes ao seu lado. Algo, aliás, que comentamos no podcast desta quinta (aos 21 minutos):

Veja o comunicado da Conmebol na íntegra:

Diante do projeto de realizar a Copa do Mundo a cada dois anos, a Conmebol, após uma rodada de consultas aos dirigentes do futebol sul-americano, considera oportuno manifestar sua posição frente a esta iniciativa com base nos seguintes fundamentos:

Uma Copa do Mundo a cada dois anos poderia desnaturalizar a mais importante competição do futebol no planeta, rebaixando a sua qualidade e minando seu caráter exclusivo e seus atuais padrões de exigência. A Copa do Mundo é um evento que concentra a atenção e as expectativas de bilhões de pessoas porque representa o ponto culminante de um processo de classificação que dura todo o período de quatro anos e tem a sua dinâmica e atrativos próprios.

Uma Copa do Mundo a cada dois anos suporia uma sobrecarga praticamente impossível de gerir no calendário internacional de competições. Nas condições hoje vigentes já é complexo harmonizar os tempos, cronogramas, a logística, a preparação adequada das equipes e os compromissos. A situação seria extremamente mais difícil com a mudança planejada. Poderia colocar em risco inclusive a qualidade dos demais torneios, tanto de clubes quanto de seleções.

A ideia de uma Copa do Mundo é reunir os jogadores mais talentosos, os técnicos com mais destaque e os árbitros mais capacitados para determinar em uma competição leal e justa qual é a melhor seleção do planeta. Isso não se pode entregar sem uma preparação apropriada, sem que as equipes desenvolvam suas qualidades e os técnicos desenhem e apliquem estratégias. Tudo isso se traduz em tempo, em treinamentos, em planejamento, nas partidas. A Conmebol defende que se busque a excelência no campo de jogo e aposta por competições cada vez mais atrativas e de maior qualidade. Não existe uma justificativa esportiva para reduzir o período entre Copas do Mundo.

A provação de uma mudança dessa natureza exige um processo indispensável, amplo e participativo de consultas em todos os atores envolvidos. Deve ser fruto de um debate franco, em que sejam consideradas todas as opiniões e critérios. A Conmebol está e sempre estará aberta ao diálogo que busque o melhor para o futebol.

Embora em algum momento a Conmebol tenha apoiado o projeto em questão, análises técnicas mostraram que ele é altamente inviável. Por isso, nas atuais condições, ratifica o seu apoio ao modelo atual do Mundial, com seus termos e mecanismos de classificação, considerando-o coerente com o espírito que animou aqueles que idealizaram e fundaram esta competição.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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