Copa do Mundo

Centenário resiste como templo histórico do futebol antes de reforma para a Copa de 2030

Palco de Uruguai x Brasil conserva estrutura que recebeu a primeira Copa do Mundo, em 1930

O acesso pode até ser por um hall de entrada modernizado para receber a imprensa em dias de jogos. Mas basta dar alguns poucos passos rumo às arquibancadas do Estádio Centenário para entender que se está pisando num palco histórico. Primeiro se acessa a tribuna, depois se desce por um breve túnel que nos transporta à primeira Copa do Mundo da história, em 1930.

Não é força de expressão. O concreto que até hoje dá forma a milhares de assentos nada confortáveis do setor Platea America é o mesmo que testemunhou o Uruguai ser campeão do mundo pela primeira vez, 93 anos atrás. As cadeiras feitas em cimento puro (e duro), coloridas de azul celeste, são um documento histórico de um palco que resiste até hoje como um templo a céu aberto do futebol mundial.

Palco do duelo entre Uruguai e Brasil nesta terça-feira (17), às 21h (horário de Brasilia), pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2026, o Centenário é um monumento ao esporte mais popular do planeta. Com o perdão da redundância, o estádio está prestes a completar 100 anos como um idoso bem conservado. Enquanto o celeste das arquibancadas se confunde com o azul do céu, a construção icônica resiste aos efeitos do tempo com características que remetem a outros tempos.

A arquitetura icônica das arquibancadas e da Torre das Homenagens, a tribunas de concreto que se erguem a partir de um pequeno barranco com vegetação nativa, o fosso que separa torcedores do campo… Tudo isso está lá, como esteve lá também nove décadas atrás.

Mas o Centenário que resiste reconhecido oficialmente como Monumento Histórico do Futebol pela Fifa está com os dias contados. Ainda não se sabe quando, nem como exatamente, Mas o palco da primeira Copa do Mundo passará por uma reforma para receber um século depois mais um jogo de abertura de Copa do Mundo, em 2030.

“É um clássico de grande rivalidade há 73 anos. Desde 1950, e tiveram grandes embates já. É especial jogar com o Uruguai no Centenário. Mexe com todo mundo. Com torcedor, treinador, jogador. Deixa todo mundo sensibilizado. Participar desses cenários, para quem ama o futebol como eu, tem um sabor muito especial, é uma situação que traz mais brilho para a partida”. (Fernando Diniz)

As cadeiras que viram a Copa do Mundo de 1930 e resistem até hoje (Foto: Eduardo Deconto)

Cobertura acústica e 80 mil pessoas: os planos para o Centenário

As especulações sobre a reforma do Centenário viraram assunto prioritário nas bandas orientais assim que o presidente da Conmebol, Alejandro Domínguez, anunciou que os jogos de abertura da Copa de 2030 serão disputados no Uruguai, na Argentina e no Paraguai. A modernização do estádio, que foi palco da primeira Copa de todos os tempos, foi o ponto central da candidatura que acabou com o controverso prêmio de consolação das partidas inaugurais do Mundial dos Cem Anos.

O fato que a reforma do Centenário ainda é assunto nebuloso, especialmente na AUF. A Associação Uruguaia de Futebol afirma que ainda não tem informações oficiais para passar sobre a obra. Seja referente aos prazos para início e conclusão, ou para as inovações que serão feitas em um concreto tão histórico.

Projeto do novo Centenário prevê cobertura acústica e espaço para 80 mil torcedores (Foto: Divulgação)

Mas bastou a oficialização do estádio como um dos palcos da abertura para que a imprensa uruguaia divulgasse as primeiras imagens do que pode ser o novo Centenário. O projeto ainda está em fase inicial, sem martelo batido sobre como será o desenho ou quais serão as melhorias para se adequar às exigências da Fifa.

Mas o Centenário deve ter sua capacidade ampliada para 80 mil torcedores. Ele também ganhará uma cobertura não apenas para proteger os torcedores da chuva, mas também para melhorar a acústica. A ideia é transformar o estádio em uma arena multiuso, mas sem desmanchar elementos históricos que dão vida e alma ao grande palco do futebol uruguaio.

– Quando você precisa dar valor a algo patrimonial, não é fazendo coisas da década de 30, mas sim tornando fazendo com que as coisas do século XXI o valorizem. Estamos lidando cm um estádio que é um patrimônio mundial. Tem que manter os elementos importantes que a constituem: a Torre das Homenagens, a sua circunferência. Procuramos manter a fachada, mas levando em conta as exigências que existem para um estádio de Copa do Mundo – afirma o arquiteto Martín Gómez Platero, responsável por desenhar o projeto para o Centenário.

Muito antes de qualquer reforma, o Centenário, imponente como é e sempre vai ser, recebe o clássico entre Brasil e Uruguai. Será nesta terça-feira (17), às 21h (horário de Brasília), pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2026.

Foto de Eduardo Deconto

Eduardo DecontoSetorista

Jornalista pela PUCRS, é setorista de Seleção e do São Paulo na Trivela desde 2023. Antes disso, trabalhou por uma década no Grupo RBS. Foi repórter do ge.globo por seis anos e do Esporte da RBS TV, por dois. Não acredite no hype.

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