Copa do Mundo 2026

Brasil x Noruega: Quem é melhor? A disputa quente que vai decidir vaga nas oitavas da Copa do Mundo

Elenco mais qualificado coloca a Seleção um passo à frente, mas velocidade, força de Haaland e retrospecto exigem máxima atenção

Brasil ou Noruega? A resposta parece simples à primeira vista. Pentacampeã do mundo, dona de um elenco recheado de jogadores de elite e comandada por Carlo Ancelotti, a seleção brasileira chega às oitavas de final da Copa do Mundo como favorita. Mas o confronto deste domingo (5), às 17h (de Brasília), em Nova York, está longe de ser daqueles em que o peso da camisa basta para apontar um vencedor.

A Noruega construiu credenciais suficientes para ser levada muito a sério. Tem um dos artilheiros da competição, Erling Haaland, um dos melhores meias do futebol europeu em Martin Odegaard e um estilo de jogo que pode causar desconforto a qualquer adversário. Para completar, carrega um retrospecto que nenhum outro rival da Canarinho possui: em quatro encontros, o Brasil nunca conseguiu vencer os noruegueses.

Ainda assim, o favoritismo continua do lado brasileiro. Não somente pela tradição construída ao longo da história, mas porque o time de Ancelotti apresenta um elenco mais profundo e uma variedade de soluções consideravelmente superior a dos Vikings. Isso, porém, não significa que o caminho até as quartas de final será tranquilo.

Brasil tem mais repertório e sabe exatamente onde atacar

Ancelotti dá instruções a Casemiro durante jogo da seleção brasileira
Ancelotti dá instruções a Casemiro durante jogo da seleção brasileira (Foto: Riquelve Nata / Sports Press Photo / IMAGO)

A principal diferença entre as equipes aparece quando o jogo deixa de depender apenas dos titulares. O Brasil tem um banco de reservas melhor, e isso pesa ainda mais em partidas eliminatórias, quando mudanças táticas e substituições costumam decidir classificações — foi assim, inclusive, na vitória contra o Japão.

Mesmo tendo pouco tempo de trabalho à frente da Canarinho, Ancelotti conseguiu montar uma equipe capaz de se portar bem em diferentes cenários. Se precisa acelerar, encontra velocidade pelos lados. Se o adversário fecha espaços, consegue trabalhar a posse de bola até criar superioridade. Se o jogo pede mais presença física, também possui alternativas no plantel.

No setor ofensivo, Vinícius Junior continua sendo a principal válvula de escape. Poucos defensores conseguem acompanhar sua explosão em campo aberto, principalmente quando recebe a bola em situações de um contra um. Matheus Cunha, por sua vez, oferece movimentação constante, intensidade sem a bola e ajuda a abrir espaços para quem chega de trás.

E é justamente nesse ponto que aparece uma das fragilidades da Noruega.

Apesar da imponência física, seus defensores não são particularmente rápidos. São zagueiros fortes, que dominam o jogo aéreo e dificilmente perdem disputas pelo alto, mas encontram dificuldades quando precisam defender longe da própria área ou acompanhar atacantes que aceleram em velocidade.

Não por acaso, grande parte das oportunidades cedidas pelos noruegueses nesta Copa nasceu em jogadas pelos lados do campo. Quando os laterais sobem ou são atraídos para pressionar, surgem espaços às costas da defesa, obrigando os zagueiros a correr para trás — exatamente o tipo de situação em que eles se sentem menos confortáveis.

Para o Brasil, a receita parece clara: circulação rápida da bola, inversões de lado e ataques explorando os corredores. Quanto mais a defesa nórdica for obrigada a girar o corpo e perseguir atacantes velozes, maiores serão as chances de desequilíbrio.

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Haaland é o tipo de jogador que muda qualquer previsão

Haaland celebra gol pela Noruega
Haaland celebra gol pela Noruega (Foto: Vegard Grott / Bildbyran / IMAGO)

Se existe um aspecto em que a Noruega consegue equilibrar a comparação, ele atende pelo nome de Erling Haaland.

O atacante do Manchester City chega às oitavas de final como um dos destaques da Copa, já com cinco gols marcados. Mais do que os números, impressiona a sensação permanente de perigo. Mesmo quando participa pouco do jogo, costuma precisar de apenas uma oportunidade para balançar as redes.

É um centroavante que reúne praticamente todas as qualidades imagináveis para a posição: força, velocidade, explosão, excelente impulsão e capacidade de finalizar de qualquer maneira. Gabriel Magalhães, zagueiro do Arsenal e da seleção brasileira, o conhece bem. Há algumas temporadas, os dois travam batalhas extremamente físicas na Premier League.

Ao lado — ou atrás — do homem-gol norueguês está Martin Odegaard, responsável por fazer a engrenagem funcionar. Normalmente é dele que partem os passes entrelinhas, as inversões rápidas e os lançamentos que procuram Haaland nas costas da defesa.

A proposta norueguesa passa justamente por essa objetividade. Em vez de longas trocas de passes, a equipe do técnico Stale Solbakken prefere acelerar imediatamente após recuperar a posse, buscando ataques verticais e cruzamentos para seu camisa 9.

Esse modelo tem funcionado ao longo da competição, mas também cobra um preço. Ao adiantar muitos jogadores para atacar rapidamente, a Noruega frequentemente oferece espaços quando perde a bola.

O Brasil, que gosta de acelerar justamente nesses corredores, pode encontrar aí um caminho importante para criar superioridade.

O tabu existe, mas o cenário aponta para classificação brasileira

Seleção brasileira perfilada
Seleção brasileira perfilada (Foto: Stefan Koops / DeFodi Images / IMAGO)

Existe um dado impossível de ignorar na véspera do confronto. A Noruega é a única seleção enfrentada pelo Brasil mais de uma vez contra a qual a Canarinho nunca venceu.

São quatro partidas, com dois empates e duas derrotas. A lembrança mais marcante continua sendo a Copa de 1998, quando os europeus venceram por 2 a 1 na fase de grupos.

Retrospectos, porém, costumam pesar mais na mesa de conversa do que dentro das quatro linhas. Os elencos mudam, os treinadores mudam e os contextos também. Hoje, o Brasil chega mais preparado. Tem um treinador acostumado às grandes decisões, um grupo mais equilibrado e um elenco que oferece mais soluções.

A Noruega continua sendo um adversário perigoso justamente porque possui uma virtude especial: um atacante capaz de decidir e um estilo de jogo que potencializa suas características. Se Haaland encontrar espaço, qualquer favoritismo pode perder força.

Ainda assim, olhando o conjunto da obra, a vantagem brasileira é evidente. O time de Ancelotti cria mais, controla melhor os jogos, sofre menos defensivamente e dispõe de um repertório tático superior ao do adversário.

Por isso, entra em campo como favorito. Não porque enfrentará um rival inferior em todos os aspectos, mas porque reúne mais argumentos para vencer uma partida que promete ser equilibrada.

Foto de Guilherme Calvano

Guilherme CalvanoRedator

Jornalista pela UNESA, nascido e criado no Rio de Janeiro. Cobriu o Flamengo no Coluna do Fla e o Chelsea no Blues of Stamford. Na Trivela, é redator e escreve sobre futebol brasileiro e internacional.

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