Há 60 anos, Argentina ajudou a acabar com o sonho de Copa da 1ª grande geração da Espanha
No mundial de 1966, Albiceleste venceu badalada Fúria que vinha da primeira Eurocopa de sua história
A final da Copa do Mundo de 2026 entre Espanha e Argentina neste domingo (19) será apenas o segundo capítulo entre os dois países na competição. A outra vez que ocorreu foi há 60 anos: em 13 de julho de 1966, no Mundial da Inglaterra, o lado sul-americano saiu feliz e ajudou a acabar com a primeira grande geração espanhola.
Na ocasião, na abertura do grupo 2 daquela Copa, a Fúria chegava com uma escalação estrelada com os históricos Paco Gento, Iribar, Amancio Amaro, Marcelino Martínez e Luis Suárez, sob o comando do supervencedor José Villalonga.
A Argentina, desacreditada e pouco consistente até o Mundial, saiu vencedora por 2 a 1 no Villa Park, em Birmingham. Relembre a história do único duelo entre argentinos e espanhóis em Copas do Mundo.
Como foi o primeiro Argentina x Espanha em Copa do Mundo
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Nos meses que antecederam o Mundial, a seleção albiceleste teve três técnicos: José María Minella, que a classificou ao torneio, o histórico Osvaldo Zubeldía, que durou pouco no cargo, e Juan Carlos Lorenzo, o comandante em 1966. Não era um time brilhante, apesar de contar com grandes jogadores.
A expectativa era pequena para a Copa, mas, a partir da vitória sobre a Espanha, virou uma história positiva de um selecionado que seria esquecido.
A brilhante Espanha, dois anos antes campeã da Eurocopa com a maioria daqueles jogadores, contava com alguns dos que brilhavam por Real Madrid, dono de seis Copas dos Campeões à época (hoje a Champions League), Atlético de Madrid e Barcelona.
Na Internazionale, da Itália, estava Luis Suárez, o primeiro espanhol a ganhar a Bola de Ouro (1960) — e único até Rodri, em 2024 — era o maestro no meio-campo, mesmo aos 31 anos. Muita qualidade técnica com Villalonga, técnico desde 1962 no cargo, tendo no currículo, além da Euro, duas Copas dos Campeões.
O contexto era ideal para os europeus. Em campo, porém, tudo se igualou. Após boas chances para os dois lados e equilíbrio no primeiro tempo, uma boa troca de passes deixou Jorge Solari sozinho na ponta direita, onde cruzou para trás e Luis Artime completou na segunda trave.
A seleção espanhola pressionou e empatou apenas seis minutos depois, com Jose Martinez Pirri — ídolo do Real Madrid, onde fez mais de 500 jogos. Artime, porém, estava inspirado. Após antecipação na defesa, Ermindo Onega, um dos maiores da história do River Plate, enfiou para o atacante, que mandou uma bomba cruzada de canhota e garantiu a vitória. A Fifa disponibilizou no YouTube 15 minutos dos melhores momentos desta partida.
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O relato do jornalista e poeta argentino Osvaldo Ardizzone, direto de Birmingham, à revista “El Gráfico”, ilustra a sensação com aquela vitória.
— Não me interessa saber o que vai acontecer depois, quero prolongar a glória desses inesquecíveis 90 minutos, continuar saboreando o enorme prazer que pude comprovar, que tive apertado entre as mãos. 90 minutos que entraram pelos meus olhos, pelos meus sentidos, pela minha mente — escreveu.
— Uma equipe não é equipe apenas porque dispõe de um bom futebol. É equipe quando entra em campo por alguma coisa, quando é movida por um impulso espiritual que a obriga a brigar, a lutar, a sentir-se profundamente unida por um sentimento comum a todos os seus homens. Quando ninguém se sente inferior a ninguém. Quando ninguém se sente menos forte do que ninguém. Menos capaz do que ninguém. Foi isso que a Argentina fez — finalizou.
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Seleção espanhola caiu na fase de grupos; argentinos foram ao mata-mata
Depois da enorme vitória, a Argentina empatou um jogo difícil com a Alemanha Ocidental, que seria a vice-campeã, e venceu a Suíça. Com isso, avançou às quartas de final, mas caiu para a anfitriã Inglaterra em um jogo polêmico com a expulsão do capitão Antonio Rattín, fato que iniciou as primeiras brasas na rivalidade contra os ingleses.
“Vencedores mesmo na derrota”, “cavalheiros corajosos” e “grandes no mundo” foram algumas das frases usadas pelo “El Gráfico” após a eliminação.
— Nas duas primeiras rodadas, a seleção argentina jogou com força, determinação e boa circulação de bola, mas sempre com os olhos voltados para o gol adversário, atacando na primeira oportunidade, sem floreios — escreveu Carlos Fontanarrosa, em 1966, quando era diretor da revista.
A Espanha até conseguiu se recuperar do baque, vencendo os suíços de virada na rodada seguinte, mas acabou eliminada na fase de grupos pelo revés para a Alemanha, sendo a segunda vez seguida, pois, em 1962, também caiu na primeira fase quando ficou na mesma chave de Brasil, Tchecoslováquia (dois finalistas daquela edição) e México.
Aquela geração espanhola, dona do primeiro grande título da história da seleção, acabou ao fim daquele Mundial. A Fúria só voltaria a uma Copa 12 anos depois, em 1978, e, desde então, nunca mais ficou fora de um torneio do mundo.
O país que era conhecido por prometer muito, mas entregar pouco, derrubaria o tabu de um título mundial apenas em 2010. Agora, 16 anos depois, busca um bi com mais outra geração brilhante. A Argentina, tricampeã, com sua primeira conquista sendo em 1978, quer o tetra. O resultado virá a partir das 16h (horário de Brasília) este domingo.